[[legacy_image_221061]] A perda precoce de Michelle da Costa Chaga, a Michelle Mibow, musa do Carnaval santista, vítima de um AVC isquêmico, nesta segunda-feira (7), deixou um vácuo na vida de familiares, amigos e comunidade do samba da Baixada Santista. A passista, bailarina, coreógrafa, rainha de bateria e referência do mais brasileiro dos ritmos deixa, porém, aos 40 anos, um legado que vai amenizar a saudade e será sempre reverenciado: o sorriso largo estampado no rosto, o alto astral contagiante, a empatia e a capacidade de brilhar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Brilho, ela era o tipo de pessoa que brilhava. Aonde ela pisava, todo mundo olhava pra ela, todo mundo queria estar perto dela”, define o sobrinho de Michelle, Luiz Henrique Santos Chaga. Durante o velório da tia, na noite desta terça (8), na Santa Casa de Santos, o analista de exportação foi uma espécie de porta-voz da família, muito abalada com a morte de Michelle. O sepultamento da sambista será nesta quarta (9), às 8 horas, no Cemitério da Areia Branca, na Zona Noroeste. Luiz Chaga sabe do que está falando, já que cresceu na mesma casa da tia, junto com o seu pai, irmão de Michelle, e a bisavó. “A gente tinha uma relação de irmãos, eu, ela e meu pai. Às vezes, ela era a irmã mais velha, às vezes a irmã mais nova, que entrava em birra com a gente, às vezes era mãe de todo mundo. Era o tipo de pessoa que conseguia ver o que você tinha de melhor, não importa quem você fosse. Por isso que todo mundo gostava tanto dela, era o tipo de pessoa que pisava no lugar e não dava cinco minutos, estava rodeada de um monte de gente”, conta. Acostumada a brilhar nas avenidas e passarelas do samba, Michelle também se destacava no comando das festas familiares. “A gente ia montar uma festa da nossa família, era ela a oradora, a organizadora. Ela ditava o momento da dança, do canto, da gente brincar, dar risada. Em casa, era a Mi, a nossa Mi, mas da porta pra fora, ela era a rainha do que quer que ela tentasse ser, do que quer que ela tentasse fazer”, diz o sobrinho. [[legacy_image_221062]] Referência eterna Presidente da Unidos dos Morros, Fábio Fernandes Carvalho, o Chitinha, destacou os 10 anos de Michelle na Escola de Samba. “Michelle foi uma grande rainha, uma grande madrinha, é um ícone no samba de Santos e a gente não tem palavras, é uma dor muito forte. Espero que ela brilhe lá em cima toda essa luz, com a alegria que ela sempre contagiava a nossa comunidade, que fez a gente sorrir em nossos carnavais”. Além da alegria contagiante, a ritmista da Unidos dos Morros, Sthefany Peixoto Moura, recordou o perfil mãezona da sambista. “A bateria abraçou a Michelle como rainha, depois como madrinha. E ela era como uma mãe pra todos os ritmistas. A animação, o amor que ela tem pela bateria, pela escola, é surreal. Às vezes, a gente tava triste, com dor, e ela, com o amor dela pelo Carnaval, pelo samba, pela bateria Chapa Quente, ultrapassava a tristeza, a dor. Eu vou carregar o legado dela pro resto da minha vida”. Amigo de Michelle, o designer de interiores Renato Júnior lembrou do alto astral da sambista, que contagiava a todos em volta. “Aquela mulher era pura alegria, só felicidade, pra mim é difícil acreditar que tudo isso aconteceu. A Michelle era a cara do morro. Apesar de ela ter vindo de uma escola coirmã, nós a recebemos tão bem e ela, a nós. O legado que essa mulher deixa dentro do Carnaval santista vai ser eterno, a gente vai sempre lembrar dela com muito carinho”, disse ele, citando o passado da sambista na União Imperial, antes de brilhar na Unidos dos Morros, como rainha da bateria Chapa Quente. Amor de irmãoRei de bateria da União Imperial, Lelinho Alves, recordou a empatia de Michelle com outros membros da escola de samba. “Ela tava sempre com os braços abertos pra receber qualquer passista que vinha pedir uma ajuda. Ela tinha elegância, era nobre. A postura, como ela falava com as pessoas, sempre foi muito comunicativa. Não tinha como ninguém não gostar dela. Acho que toda essa comoção mostra o quão importante ela era pra todo mundo”. Mais do que admiração, Lelinho tinha uma relação de irmandade com a musa. “Eu chamava ela de irmã, ela me chamava de irmão. Eu frequentava todas as festas da família, foi uma perda que não consigo nem mensurar. Ela foi rainha da União Imperial e eu era fã. Depois, batizado Majestoso, virei rei de bateria e ela tava comigo na minha coroação. A Michele era uma pessoa extraordinária, um coração enorme, vai deixar muita saudade, mas também muitos risos, porque passamos muitas coisas boas e isso vou guardar pra mim”. [[legacy_image_221063]]