[[legacy_image_266758]] O vazio da maioria do Parque Tecnológico de Santos chama atenção. Entregue em 9 de outubro de 2020, o prédio, construído em parte do terreno do antigo Colégio Santista, no Bairro Vila Nova, tem 7,2 mil m² com sete andares. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Apenas um, o 6º, apresenta ocupação desde o início: um laboratório de logística e mobilidade, uma sala para coworking - em que espaço e recursos são compartilhados para o trabalho de várias empresas - e a administração. Os outros andares estão em obras ou aguardando por alguém que se interesse por eles. “Hoje, são oito empresas que estão incubadas. O desfio é, cada vez mais, atrair quem pensa em fazer, em um ambiente amigável, uma startup, um empreendimento, uma nova empresa de base tecnológica”, afirma Eduardo Bittencourt, presidente do Parque Tecnológico de Santos. “A gente não pensa o Parque como um prédio ou como locação de espaços, mas para dar vida e ter essa troca, com empreendedores em diferentes estágios de suas trajetórias estarem aqui trocando experiências e aprendendo”, emenda. ObrasHá um mês no cargo, período completado na última sexta-feira, Bittencourt tem nos planos seu principal combustível. A motivação está no começo das intervenções em quatro pavimentos (térreo, 3º, 4º e 5º). “O quinto andar, que é o que a gente já iniciou as obras, terá auditório, com capacidade para 130 pessoas. Atrelado a ele, haverá uma área de café, para a qual vamos abrir chamamento. Anexo a isso, há uma área aberta, como se fosse um jardim. Imagino que vá ser o andar de maior fluxo de pessoas”, detalha o presidente. As obras, com investimento de R\$ 3,9 milhões e previsão de entrega no segundo semestre, estavam previstas pelo Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias (Trimmc), formalizado entre a Prefeitura de Santos e a empresa Bracell Celulose, em contrapartida pela ampliação das operações portuárias na Cidade. “O valor vai ser destinado, principalmente, à refrigeração, que é o maior gasto e nos proporcionará economia de manutenção no futuro. E toda a parte de infraestrutura, caso do piso, mobiliário, iluminação e instalação da parte elétrica, que vai ser aparente, o que facilita”, lista. O térreo receberá o setor administrativo, atualmente no 6º andar. Atrelada à recepção, haverá três salas fechadas, um pouco maiores, para abrigar iniciativas volantes. No terceiro pavimento, estarão mais de 170 estações de trabalho, além de salas de podcast e de gravação disponíveis, além de locais de treinamento e alguns espaços fechados, tanto privativas quanto para reuniões. O quarto andar, o maior do complexo, abrigará estações de trabalho em espaço aberto, além de salas fechadas no entorno e, isolada, uma área de descompressão. “Vamos ter uma arquibancada para pequenas palestras, mas também sofás, pufes, mesas para tênis de mesa e sinuca, para que a pessoa saia um pouco daquele estresse, mas que também sirva para conectar pessoas e até surgir novas empresas. Entendo que o quarto andar será o pulmão do prédio”, explica o presidente. ParceriasA destinação dos outros andares do edifício do Parque Tecnológico de Santos (1º, 2º, 6º e 7º) ainda não está definida. A intenção de Eduardo Bittencourt é buscar o máximo possível de parcerias. “Estamos conversando com as faculdades, com o Sebrae, com a Autoridade Portuária de Santos (APS) e outras grandes associações, como a Comercial, além de secretarias municipais, para vermos como conseguimos dar destinações que façam sentido trabalhar em conjunto, sendo um ponto de intersecção com tecnologia, empreendedorismo e inovação”, explica. “Acredito muito na transformação social e econômica não só do entorno do Parque, mas da região, através disso”, finaliza. Santos está repatriando talentosSe o impacto global provocado pela pandemia de covid-19 atrasou quase que totalmente a possibilidade de ocupação do prédio do Parque Tecnológico de Santos, Eduardo Bittencourt prefere enxergar a situação sob a ótica do ‘copo meio cheio’, ainda mais em meio às obras que o espaço está recebendo. O presidente da Fundação acredita que o povoamento do local será ainda mais qualificado. “É o rebote positivo no qual acredito. Prefiro ver o outro lado, com otimismo”, afirma. O motivo para essa situação é que, de acordo com Bittencourt, Santos está repatriando vários profissionais de qualidade porque eles adotaram, novamente, a Cidade como residência. “Santos sempre foi uma exportadora de talentos. E vemos cada vez mais esses talentos por aqui. O Parque Tecnológico pode, então, ser a casa dessas pessoas desenvolverem seus negócios e empresas cada vez mais competitivas, remunerando seus funcionários com o mesmo padrão eventualmente que, hoje, às vezes só se encontra em São Paulo”, justifica. Cidade quer se tornar referência Os eventos envolvendo tecnologia e inovação representam um xodó para Eduardo Bittencourt. Um dos ideais do presidente do Parque Tecnológico de Santos é transformar a Cidade em um polo desses setores, justamente com a realização desses congressos. A inspiração direta é o Web Summit, formado criado em Dublin, capital da Irlanda, e vendido para diversos países. Em abril, o Rio de Janeiro teve a primeira edição, atraindo 30 mil pessoas em quatro dias. São Paulo e Curitiba também estavam na disputa. O exemplo de movimentação está em Lisboa, em Portugal, em que 100 mil pessoas circularam pelo evento. O número de habitantes da capital lusitana ultrapassa 500 mil habitantes. A divulgação já é intensa no aeroporto. “A população de Portugal estava envelhecendo e o país, perdendo seus jovens talentos para outros países europeus, como a Alemanha. O Web Summit transformou Lisboa em um polo de tecnologia e inovação”, justifica Bittencourt, que esteve nos eventos de Lisboa e do Rio.