[[legacy_image_346471]] Vímerson Benedicto Cavanillas, o Tob, relembra sua trajetória na Turma do Balão Mágico. Confira os principais trechos da entrevista. Eu queria que você me explicasse: por que Tob? O meu nome é meio complicado. Vímerson. Para as crianças, seria difícil. Então eles pegaram do meu sobrenome, que é Benedicto Cavanillas. Pegaram o “To” de Benedicto e misturaram com “b” e falaram: “É Tob agora”. Sua carreira artística, na verdade, começou bem cedo. Aos 3 anos, a sua mãe te levava para fazer comerciais. Eu queria que você contasse sobre essa sua infância ligada à vida artística. Na verdade, o meu irmão cantava e ele tinha um show chamado 2001, que uma empresária pegava várias pessoas para cantar, para dançar. Tinha até escola de samba. E a gente pegava esse ônibus e ia para algumas cidades. A gente subia em cima de um caminhão, uma coisa bem simples, e cantava. E eu fui nessa rabeira. Eu cantava a música Farofa Fá. Era muito pequenininho. Você quase não conseguiu chegar ao Balão Mágico porque passou o prazo das audições. Como é que foi esse processo? Como você soube que haveria um elenco para formar a Turma do Balão Mágico? Foi o seu irmão que te contou? Isso. O meu irmão estava em um programa, acho que chamado Carlos Aguiar, na época, e alguém chegou para ele e falou que a gravadora CBS, que é a Sony atual, estava precisando de um menino para cantar e formar um grupo infantil. Ele chegou em casa, ensaiamos algumas músicas e eu até gravei uma fitinha. A gente já tinha tudo pronto e fomos à gravadora, lá em Pinheiros, na Capital. Quando a gente chegou, a moça falou que não tinha mais audições. Mas ela gostou da gente, pediu para esperarmos um pouquinho. Ela entrou lá e falou com alguém. A pessoa veio, pegou o meu material, que era uma fita cassete que a gente gravava naquela época. Daí eu cantei para essa segunda pessoa, que curtiu. Eu esperei mais ou menos uma semana e ligaram em casa. “Olha, o seu filho foi aprovado. Vocês ainda têm interesse?” A família vibrou? Como é foi quando a sua mãe recebeu a notícia? A gente pulou muito. Começamos a olhar que a gravadora era a mesma do Roberto Carlos, do Djavan. A gente ficou muito feliz. Como foi quando começou o trabalho em si? Eu ainda não sabia como seriam as coisas. A Simony já estava selecionada também. Começaram a enviar as fitas para a gente ouvir e ter algumas referências, porque tinham muitas músicas que eram versões da Espanha, da América Latina. A gente começou a ensaiar em casa, foi para o estúdio e começou a gravar. Aí o Mike apareceu depois. Porque eu sempre fui muito tímido. Eu sou tímido. E o Mike apareceu com a questão do pai dele lá no Fantástico e viram que ele tinha uma desenvoltura bacana. E o disco estava praticamente pronto. O Mike apareceu, foi colocado no grupo e formaram A Turma do Balão Mágico. Vocês esperavam o sucesso de Superfantástico? Houve a venda de mais de 1 milhão de cópias. Não esperava nem que o primeiro disco fosse resultar em tanto sucesso. A gravadora estava fazendo um empenho muito forte mesmo. Daí veio o convite do participação do Djavan. Foi uma coisa que já estava forte e, com ele ainda, a música estourou. Todo mundo gostava. A gente ia no Chacrinha divulgar. Houve uma transição depois de 1985, porque você saiu do Balão Mágico por alguns motivos, principalmente porque a adolescência já estava ali, você já estava crescendo, a voz engrossando. Não era o perfil do programa infantil. Como foi receber a notícia de que você não fazia mais parte? Então, na verdade, tem muito uma ideia de que eu sofri muito com essa saída, mas não é bem assim. Eu estava realmente entrando na adolescência, a voz estava engrossando. Eu não estava muito feliz de me ver cheio de espinhas no rosto. Comecei a querer a ficar mais no anonimato. Já estava até um pouco cansado e, chegando a adolescência, você quer ficar mais recluso. Foi um alívio para mim, de certa forma. Depois disso você decidiu fazer uma faculdade, e depois você fez teatro também. Como é que foi essa decisão? Então, quando eu sai do Balão, teve esse momento de: “e agora?”. Eu falei: “Vou estudar, preciso começar uma vida nova, preciso construir uma coisa diferente. Não posso ficar preso ao passado”. Eu ainda gostava muito dessa área, de rádio e TV. Estudei e me formei radialista. Só que eu gostava muito, na hora de gravar os programas na faculdade, de ficar na frente das câmeras fazendo brincadeira. Passou um tempo e eu trabalhei em outras emissoras na produção, na ilha de edição. Girei por toda a área de TV. Uma pessoa em uma produtora perguntou: “por que você não faz teatro?”. Foi meio por acaso. Fui estudar teatro, me formei. Passou um tempo, em uma dessas casualidades da vida, eu estava no Mosteiro de São Bento e, de repente, uma moça vira para mim e diz: “você conhece o CPT?”. Eu fui lá, fiz o teste lá. Passei no teste e entrei no grupo. Depois dessa transição do teatro, você decidiu se apaixonar pelas artes plásticas. Eu sempre gostei muito da arte urbana, da arte nas cidades. Você está passando, vê alguma coisa que alimenta a sua alma e ainda tem alguma provocação, alguma coisa que tenha alguma discussão social. Achei isso muito legal. Você faz quadros sob encomenda e alguns estão em exposição no Beco do Batman que, lá na Capital, é muito conhecido. É uma galeria? É uma galeria chamada Ziv e eu estou com algumas pinturas expostas lá permanentemente. É uma coisa que aprendi a amar muito. Quando estou pintando, eu me desligo completamente do mundo.