Enzo iria cursar engenharia da computação, segundo o pai (Reprodução/Redes Sociais) Ex-atleta de polo aquático, Enzo Jacomelli jogava em um clube de São Paulo, capital do Estado, mas depois de sofrer um trauma cranioencefálico no treino em 2020, a vida dele mudou completamente. Seus pais, que moram em Santos, criaram uma campanha chamada para conscientizar as pessoas e arrecadar recursos para o tratamento do filho, hoje com 21 anos de idade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Lesão Após ganhar uma bolsa de estudos em um colégio na capital, Enzo passou a treinar e estudar na unidade em 2020. No dia 13 de fevereiro daquele ano, uma semana após completar 17 anos, sofreu uma pancada na cabeça durante um treino. Por conta disso, o ex-atleta ficou com trauma cranioencefálico, que incapacita sua função cerebral. O pai de Enzo, Luiz Fernando Jacomelli, contou que a lesão não foi causada por um acidente. “Foi uma agressão, uma cabeçada proposital em uma disputa de bola onde o Enzo fazia um bloqueio, e o outro atleta o puxou pelo braço e lhe deu uma cabeçada violenta”. Com a lesão, Luiz disse que os passeios em família, práticas de esportes e comemorações foram substituídos por uma rotina em hospitais, clínicas e centros de reabilitação, buscando incansavelmente por qualidade de vida e reabilitação para Enzo. Desde o acidente, Enzo sofre com diversas sequelas, como dor de cabeça constante, distúrbio do sono, alteração de memória, alterações motoras com fraqueza muscular, fadiga neurológica, espasmos musculares, tremor constante, tensão muscular, entre outras consequências. Segundo o pai de Enzo, a recuperação do filho tem sido lenta, sem expectativa de melhora. “Infelizmente, por falta de informações sobre a síndrome pós-concussão (SPC) aqui no Brasil, o diagnóstico e o tratamento são difíceis”. “(Nos sentimos) Impotentes, frustrados e muito tristes, mas muito determinados a não desistir da cura. Nosso filho era extremamente saudável, portador de altas habilidades, com um futuro brilhante pela frente, e já encaminhado na faculdade de engenharia da computação e no esporte”, disse Luiz, sobre a família. Campanha Os pais de Enzo criaram uma campanha chamada "Foi só uma cabeçada", que tem dois objetivos simples: conscientização e arrecadação de recursos para o tratamento do Enzo. A mobilização acontece mais de quatro anos após o ocorrido. “Havia um tempo que falávamos sobre a importância de criar uma campanha para falarmos sobre o assunto”, comentou Luiz. A conscientização das pessoas se baseia em mostrar a necessidade e importância de se ter um diagnóstico correto e rápido. Há a expectativa de que a campanha chame atenção suficiente para que um protocolo global seja feito. Além da conscientização sobre a lesão, a campanha busca recursos para que o ex-atleta de polo aquático consiga realizar um tratamento adequado nos Estados Unidos e no Brasil. “O tratamento nos Estados Unidos dura cerca de três semanas, sendo inovador em uma clínica especializada em SPC, que recebem pessoas do mundo todo com promessa de até 60% de melhora, e toda melhora no quadro do Enzo é válida”, disse o pai do jovem. O tratamento nos Estados Unidos custa US\$ 30 mil (cerca de R\$ 168 mil na cotação atual), sem considerar gastos com passagens aéreas, transporte, hospedagem e alimentação. Já no Brasil, o tratamento está estipulado em R\$ 10 mil por mês, sendo que cada sessão de estimulação magnética tem o preço de R\$ 1 mil. Segundo Luiz Fernando, o filho necessita de 30 sessões. “Gostaríamos muito que ele não sentisse mais dor de cabeça, pois ele tem dor todos os dias”, conta.