[[legacy_image_79956]] A morte do jovem enfermeiro Samuel Luiz Muniz, de 24 anos, que ocorreu no dia 3 de julho na Espanha, ganhou repercussão internacional na semana passada e chocou não só parentes e amigos, mas muitas pessoas que se comoveram com o caso e foram às ruas pedindo justiça. Em entrevista para ATribuna, o pai do jovem santista conta sobre a vida do filho e as lições que ele deixou. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Samuel nasceu em Santos no ano de 1997, segundo o pai Maxsound Luiz. Ele conta que o filho, a esposa e ele se mudaram para a Espanha quando o filho tinha 14 meses. Desde então, eles permaneceram por lá. Samuel Muniz decidiu seguir profissão na área da saúde, estudou na Cruz Vermelha para se tornar auxiliar de enfermagem. Atualmente, ele trabalhava em uma residência de idosos e seguia estudando no curso de higiene buco dental. "Eu pedi para que se lembrem dele da forma como ele foi: um grande auxiliar de enfermagem. Tanto que pedi para que as pessoas doassem alimentos para essa instituição (a Cruz Vermelha) e nada mais". O pai conta que na noite da morte do jovem, Samuel saiu com amigos para uma discoteca em Corunha, na Espanha. Em algum momento, uma amiga do jovem iniciou uma vídeo-chamada e um rapaz achou que estava sendo gravado com os amigos, o que o aborreceu, segundo foi informado para o pai da vítima. A confusão se deu após este momento, onde foram desferidos xingamentos para a vítima. Mesmo com uma pessoa intermediando a discussão e saindo do local, o grupo foi atrás de Samuel e dos amigos, ainda segundo Maxsound Luiz. "E fizeram tudo que fizeram, até que deixaram ele inconsciente. Chamaram a ambulância, por ali vinha passando um médico e um enfermeiro, que conseguiram colocá-lo em uma posição segura até a chegada do SAMU. Ao atender, ficaram duas horas tentando reanimá-lo e depois o levaram pro hospital, onde ocorreu a fatalidade total". Maxsound também agradece pelo respeito que os amigos do filho tiveram com a família, tanto no velório quanto no enterro. "Pedi que não fizessem da morte do meu filho política, bandeira de cores. Queria que respeitassem ele pelo bom enfermeiro, pelo bom filho e pelo bom amigo que foi". O caso ganhou grande repercussão em todo o mundo, mas principalmente na Espanha, onde pessoas foram às ruas para pedir justiça. Muitos protestavam contra a homofobia. No entanto, Maxsound diz que o filho nunca confirmou que era ou não homossexual. "Pra nós, em nenhum momento dentro da nossa casa ou fora nos deu a entender que ele era algo ou deixava de ser. Ele era respeitoso com todos. Não aceitava que alguém recriminasse uma cor, uma raça, uma sexualidade. Ele não aceitava". O pai também reforçou que o filho sempre tratou a todos de forma respeitosa. "Meu filho sempre foi uma pessoa respeitosa com todos. Ele esteve na igreja, tocava sua flauta, começou a trabalhar, eu sempre falava cuidado com as amizades e ele me falava 'pai, o importante não são as pessoas. Nunca podemos julgar uma pessoa pela sua cor, sua raça ou sexualidade. Precisamos julgar pelo que são', finaliza o pai. Agora, a família tenta seguir a vida enquanto as investigações continuam.