Despojos da jornalista e os do marido, Geraldo Ferraz, agora estão na quadra 3, campa 257, em mármore (Sílvio Luiz/AT) O Dia Internacional da Mulher foi marcado por uma homenagem a um símbolo de resistência, cultura e liberdade: a escritora, jornalista e ativista política Patrícia Galvão, a Pagu. Desde neste domingo (8) à tarde, seus restos mortais estão em um novo jazigo no Cemitério da Filosofia, no Saboó, em Santos — quadra 3, campa 257, em mármore, num ponto mais visível que o túmulo anterior. Outras mulheres já falecidas também foram reverenciadas (veja mais abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os despojos de Pagu e os do marido, o jornalista e escritor Geraldo Ferraz, estavam em outro ponto. No novo, há uma placa de acrílico com uma frase dela: “Sonhe, tenha até pesadelo se necessário for, mas sonhe”. A lápide contém fotos e um QR Code que direciona para um site sobre sua trajetória. Na cerimônia, lembraram-se a trajetória e a importância de Pagu para a cultura, o jornalismo, a política e a luta feminina. Rosas vermelhas foram entregues a mulheres. A seguir, houve visita guiada pelo cemitério, na qual se mostraram aspectos artísticos e históricos, conduzida pelo escritor e youtuber Thiago de Souza e pela historiadora e professora Viviane Comunale. Família e legado Nora de Pagu, Leda Rita Cintra Castellan, de 76 anos, destacou a forte ligação da escritora com a Cidade. “A Pagu viajou muito, mas o porto que ela amava era o de Santos”. Leda recordou a parceria literária entre Pagu e o marido e que a sogra “lutou contra a vulnerabilidade das pessoas, especialmente das mulheres”. Sobrinha-neta de Pagu e ex-editora de A Tribuna, Maria Estela Galvão considerou ter sido “um reconhecimento justo, sensível e bonito. Pagu foi muito importante para a história da Cidade e ajudou a construir capítulos fundamentais da nossa trajetória. Ela é referência de protagonismo feminino e continua sendo inspiração de resistência, luta e persistência.” Manter viva A escritora e biógrafa de Pagu, Lúcia Teixeira, que desde 1987 pesquisa a vida e a obra de Pagu e publicou três livros sobre ela, recordou uma frase da escritora: “Quando eu morrer, não chorem a minha morte, deixo o meu corpo para vocês”. Para Lúcia, Pagu deixou muito mais: “Sua obra, sua escrita e seu exemplo”. Para ela, dar visibilidade ao túmulo ajuda a manter viva a mensagem da escritora. “É importante que não fiquemos apenas no espaço físico, mas que continuemos divulgando suas ideias. Pagu defendia a cultura, a literatura, a autocrítica e a liberdade de expressão.” A coordenadora dos Cemitérios Municipais de Santos, Elen Lemos Miranda, explicou que “o jazigo da Pagu estava escondido. Sabendo de tudo o que ela representou para Santos, entendemos que não dava para deixá-lo assim”. Segundo ela, o novo espaço também tem potencial histórico, cultural e turístico. Política e jornalismo Musa do modernismo brasileiro, Pagu nasceu em São João da Boa Vista (SP), em 9 de junho de 1910. Presa 23 vezes — a primeira em Santos, em 1931, após comício na Praça da República, no Centro —, é considerada a primeira mulher presa política do século 20 no Brasil. Nos últimos anos, viveu entre Santos e São Vicente. Escreveu para A Tribuna entre 1954 e 1961. Morreu em 12 de dezembro de 1962, de um câncer de pulmão. Pagu, em um lema: “Sonhe” (Reprodução) MEMÓRIA Na homenagem a Pagu, outras 19 mulheres também foram lembradas, como líderes políticas e vítimas de feminicídio — como Maria Mercedes Fea, morta em 1928 pelo marido, no chamado crime da mala, e também sepultada na Filosofia. Desde sexta-feira, há banners nos três cemitérios municipais. Estas são as homenageadas: Areia Branca Amanda Fernandes Deize Saleth Torres da Silva Ana Paula Vireilha da Costa Ramos Edneia Fernandes Silva Karina Conceição e Gonçalves Sonia Cristina dos Santos Filosofia Gabrielly Simões Silva e Jade Caroline Simões Silva Sandra Aparecida Franco da Silva Egle Rodrigues Cristiane de Souza Gomes Alves Isaura da Silva Franco Maria Mercedes Fea Paquetá Gilze Maria Costa Francisco Renata Camara Agondi Florinda Gomes (Lila) Covas Maria Carlota Porchat de Assis Samara Margareth Conceição Faustino