A refeição servida é composta por arroz, ovos e alguma verdura ou legume (Arquivo pessoal) Os pacientes internados no Complexo Hospitalar da Zona Noroeste, em Santos, estão passando por uma situação delicada. De acordo com usuários da unidade que procuraram por A Tribuna, há falta de alimentos, vitaminas e curativos na unidade hospitalar. Além disso, conforme relatado, o atendimento é demorado, fazendo com que as vítimas da situação fiquem com sede por algumas horas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Cleide Jussara tem 65 anos de idade e está internada há quatro meses enquanto faz o tratamento de hiperbárica, modalidade terapêutica de alta tecnologia indicada para tratamentos de feridas com difícil cicatrização. “Nesse hospital, a alimentação está em falta. Não é muita coisa que vem para a gente”. A mulher de 65 anos também contou que às vezes faltam curativos para usar em parte de sua perna, que foi amputada. Segundo ela, quando há curativos disponíveis, são de má qualidade, pois não são resistentes para durarem um dia completo. Outro caso A dona de casa Rita Andrade é colega de quarto de Cleide e está internada há quase um mês por conta do seu pé, que está necrosando cada vez mais. Ela também comentou sobre a baixa frequência de profissionais no quarto delas. “As pessoas mal vêm aqui. A gente não pode caminhar para ajudar a outra (pessoa internada)”. “Eu estou me sentindo muito mal, porque eu vim de tão longe para me cuidar”, disse Rita. Ela conta que tem comido somente arroz em suas refeições, pelo fato de não comer o restante dos alimentos que lhe oferecem. “Elas (enfermeiras) dizem que não tem uma fruta, e que até a massa do mingau acabou. Como que podemos ficar melhor, se não temos nada para comer?”, questionou. Situação foi relatada por pacientes do Hospital Silvério Fontes, na Zona Noroeste de Santos (Vanessa Rodrigues/AT) Resposta Em nota, a Secretaria de Saúde de Santos disse que a equipe do hospital conversou com as pacientes, que relataram "demora no atendimento da equipe de enfermagem às solicitações, o que está sendo verificado e, se necessário, reorganizado". A Prefeitura afirma que "não há falta de curativos, que continuam a ser realizados regularmente nas pacientes acometidas por problemas vasculares". Ainda de acordo com o município, é no Complexo Hospitalar da Zona Noroeste que funciona a Central de Curativos de Santos, "reconhecida nacionalmente pela oferta de laserterapia e coberturas especiais aos pacientes com indicação de uso, que aceleram a cicatrização de feridas e lesões persistentes". Em relação às queixas sobre a alimentação oferecida, a Prefeitura de Santos afirma que ela é fornecida a partir de contrato com empresa terceirizada, com cardápio "devidamente elaborado e aprovado com as alternâncias de prato protéico (carnes bovina , suína, frango e peixe além da omelete), que garantem a variedade e o aporte nutricional do cardápio". A Secretaria de Saúde também afirma que a empresa fornece frutas como sobremesa, alternando entre almoço e jantar, e que as refeições são fornecidas com saladas e sucos. A Prefeitura também informou que o exame de arteriografia de Rita Andrade ocorreu no dia 27 de novembro, no Complexo Hospitalar dos Estivadores. "Neste momento, ela encontra-se internada até a conclusão de tratamento". A Secretaria de Saúde também citou que a paciente Cleide Jussara está internada devido a uma lesão vascular e realiza tratamento de hiperbárica. "Ela teve alta há 3 dias do setor vascular e, no momento, mantém a internação para tratamento de outro quadro clínico", ressaltou a pasta.