Armação danificada de cliente que foi chamado de "trouxa" em recibo (Reprodução/Erasmo Fonseca) O advogado Erasmo Fonseca, de 47 anos, não imaginava o transtorno que uma simples troca de uma armação do óculos ia causar. Ao assinar o recibo, percebeu que a funcionária da ótica no bairro Aparecida, em Santos, litoral de São Paulo, escreveu “cliente trouxa” na parte inferior do papel. O motivo para a ofensa seria que ele tinha dito que acionaria a Justiça caso a troca do produto não fosse realizada. “Eu me senti um lixo de pessoa”, afirma. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tudo começou no dia 17 de setembro. O óculos, na verdade, pertence ao filho de Erasmo: o garoto tem astigmatismo, e houve uma alteração no grau ocular. A princípio, o advogado pretendia fazer um novo óculos, mas como o adolescente gostava da armação, eles acabaram optando por trocar apenas as lentes. Uma semana depois, Erasmo voltou a ótica e retirou os óculos com as novas lentes. Porém, no dia 2 de outubro, o filho informou que a armação havia quebrado em seu rosto, bem na junta onde está o parafuso. “Eu entendi que como tinha mais ou menos uma semana da troca, que provavelmente a manipulação pelos funcionários na troca da lente teria forçado e colocado alguma rachadura na armação”, explica. O advogado acionou o vendedor que havia realizado a venda e foi orientado a passar na ótica no dia seguinte, 3 de outubro. Porém, neste retorno, a atendente se negou a realizar a troca do produto, pois a armação era antiga — havia sido adquirida na própria ótica, mas em outra ocasião. Apesar do desentendimento, o gerente da loja trocou a amação quebrada por outra parecida. Ainda que não fosse a mesma, o advogado aceitou. “Para mim não importa, não tinha interesse em acionar judicialmente se resolvesse, porque meu filho tinha ido para a escola sem os óculos e com dor de cabeça. Então, só queria que resolvesse rápido”, afirma Erasmo. ‘Cliente trouxa’ A funcionária colocou as lentes com o grau ajustado na nova armação na própria ótica e pediu que o cliente aguardasse enquanto ela fazia a limpeza do óculos e emitia o documento de entrega. Erasmo decidiu dar uma volta no centro de compras enquanto aguardava. Quando retornou à ótica para retirar os óculos, veio a surpresa desagradável. No rodapé do documento, estava escrito ‘cliente trouxa’. Ele conta que, a princípio, ficou incrédulo. “Eu não fui ignorante, não fui grosso. Só exigi um direito, sem grosseria ou agressividade”, afirma. Erasmo disse para A Tribuna que achou a atitude desnecessária. “Ela pode até na cabeça dela imaginar que eu era trouxa, não tem problema nenhum, porque era dentro do campo das ideias. Mas a partir do momento que ela colocou isso no papel e fez eu assinar esse documento, eu achei isso humilhante, degradante, desnecessário”, desabafa. Revoltado, o advogado conta que não assinou o papel. A justificativa dada pelas funcionárias da loja é que houve um erro de digitação e que a intenção era escrever “cliente trouxe”. Ele retirou os óculos do filho e, antes de sair da loja, tirou foto do documento. Em casa, Erasmo tentou entrar em contato com a ótica no mesmo dia, mas segundo ele não houve retorno. “Eu pretendo entrar judicialmente para poder compensar esse dano moral que eu sofri”, afirma. “Infelizmente, você vê que quando ela escreve e chama uma pessoa de trouxa, ela fala mais de si mesmo do que da outra pessoa. O coração dela é totalmente enegrecido, sem afeição nenhuma, sem bondade, sem carisma, sem nada”, afirma. “A pessoa não tinha alma quando fez isso”. 'Lamentável' A ótica que atendeu o advogado entrou em contato com A Tribuna. A funcionária que atendeu o cliente explicou que houve um erro de digitação, e que o homem chegou já alterado à loja. Confira, abaixo, a nota enviada para a Reportagem na íntegra. O fato em questão, ocorreu em um documento que foi digitado na hora, no momento para o cliente assinar o recebimento da troca, e houve um erro de digitação, a frase correta seria "Troca ref OS xxxxx - Cliente trouxe 03/10/24". A data "03/10/2024" após a palavra deixa claro que seria "trouxe" e ocorreu um erro de digitação e não uma adjetivação ao cliente, o qual por sinal foi grosseiro e agressivo com as atendentes da loja e agora busca reverter a sua reprovável conduta contra uma mulher aproveitando-se de um erro de digitação. Lamentável. Ainda assim, tudo foi esclarecido no momento, a troca realizada, não havendo razão para que o cliente buscasse expor tais fatos, ainda que distorcidos, nos meios de comunicação. O departamento jurídico já estuda o caso e buscará a aplicação das medidas cabíveis.