À esquerda, registro do ato político realizado na Avenida Conselheiro Nébias, em Santos, na madrugada de sábado (24); à direita, Marcelo de Oliveira Rocha (Reprodução / Arquivo pessoal e Instagram) Os órgãos do engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 28 anos, morto após ser roubado e agredido ao se afastar de um ato político pró-Lula, em Santos, no litoral de São Paulo, foram doados e ajudaram a salvar pelo menos quatro vidas. A informação foi confirmada pelo pai da vítima, Marcelo Rodrigues da Rocha, de 55 anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme noticiado por A Tribuna, Marcelo participou de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na madrugada do último dia 24, véspera do segundo turno das eleições. Ao se afastar do evento para ir ao banheiro, foi cercado, espancado e roubado por um grupo que transmitiu as agressões ao vivo nas redes sociais. O pai do engenheiro contou que a decisão de doar os órgãos foi tomada em família, mas acredita que essa também seria a vontade do filho. Segundo ele, a iniciativa trouxe conforto em meio à dor da perda. "Nós nunca tínhamos comentado sobre a doação de órgãos. Foi uma decisão minha, da minha esposa e da irmã dele. Tenho certeza de que ele queria que fosse assim, pois era uma pessoa muito boa e bondosa. Nossa sensação é de felicidade por poder ajudar outras quatro pessoas. Não só a minha, da minha esposa e da minha filha, mas também a do Marcelo", afirmou. Apesar do gesto, a família espera que os responsáveis pelo crime sejam punidos. Marcelo Rodrigues disse que deseja ver todos os envolvidos presos e defendeu mudanças na legislação para evitar que outras famílias passem pela mesma situação. "Quero ver todos pagando pelo mal que fizeram ao Marcelo, todos na cadeia, pagando pelo que fizeram. Queremos Justiça e também uma mudança na lei, para que outros pais não sofram o que estamos sofrendo", declarou. Relembre o caso O crime aconteceu por volta das 3h, na Rua Henrique Ablas, em Santos. Imagens de câmeras de segurança mostram Marcelo, sozinho e usando uma camiseta branca, sendo abordado por dois homens. Na sequência, outros integrantes do grupo se aproximam e cercam o engenheiro. Durante a transmissão ao vivo, um dos criminosos exige o celular e ameaça matar Marcelo caso ele não entregue o aparelho. Em seguida, a vítima é atingida por um soco e cai no chão. Após a agressão, os ladrões pegam os pertences do engenheiro. Ao perceber que ele estava desacordado, um dos envolvidos comenta: "Vish, nossa. Dormiu, louco". Pessoas que acompanhavam a transmissão também aparecem interagindo com quem filmava. O TikTok, no entanto, não informou se esses usuários também tiveram as contas banidas, como ocorreu com a pessoa responsável pela transmissão. Preocupados com a demora, amigos saíram à procura de Marcelo e o encontraram inconsciente. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado à Santa Casa de Santos. Posteriormente, o engenheiro foi transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na Capital, mas não resistiu aos ferimentos.