Maré agitada tem provocado a movimentação de 2 mil a 3 mil toneladas de areia entre os canais da orla (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) Ressacas vêm exigindo operações constantes de desassoreamento para evitar alagamentos e danos à drenagem de Santos, no litoral de São Paulo. Segundo o prefeito regional da Zona da Orla/Intermediária, Rodrigo Paixão, os episódios de maré agitada na Cidade têm provocado a movimentação de 2 mil a 3 mil toneladas de areia entre os canais da orla. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Paixão explica que, durante as ressacas, a areia retirada dos canais é levada de volta aos pontos de origem, principalmente aos canais 4, 5 e 6, que sofrem perda de sedimentos decorrente desses fenômenos. “Essa areia se acumula toda nos canais 3, 2 e 1, que é onde a gente faz esse desassoreamento, e retorna (transferida) para os locais de origem.” O serviço costuma durar entre uma e duas semanas, dependendo da intensidade da ressaca. Demanda máquinas pesadas, caminhões basculantes e equipes de drenagem da Prefeitura e da Prodesan. Durante as forças-tarefas, são utilizadas escavadeiras hidráulicas, pás carregadeiras, retroescavadeiras e caminhões para remover a areia acumulada dentro dos canais e transportá-la pela faixa de areia da praia. Uma das maiores dificuldades da operação é a logística em meio ao movimento de turistas e banhistas. “É um caminhão pesado (e com carga), que não consegue andar na areia numa velocidade muito pequena por risco de atolamento. Quando ocorre uma força-tarefa, nós temos algumas pessoas que ficam dando orientações, abrindo o caminho para evitar acidentes”, diz Rodrigo Paixão. Mudanças A Prefeitura também observa mudança no comportamento das ressacas, antes mais comuns durante o inverno. “Há dez, 15 anos, as ressacas só aconteciam em períodos de inverno e outono. Desde então, a gente já as percebe no verão. Ou seja, não tem mais uma determinação de que isso só vai acontecer em tempos frios”, destaca Paixão. Técnicos, porém, afirmam ainda não haver como relacionar diretamente o fenômeno às mudanças climáticas. “Isso necessita de um estudo muito mais profundo”, salienta o engenheiro Lauro Aguiar, que coopera na gestão do contrato de drenagem. A Prefeitura informa estudar medidas preventivas para reduzir os impactos das ressacas. Entre elas, projetos de comportas antirressaca, instalação de válvulas de retenção, ampliação de geobags e reforço do enrocamento com pedras ao longo da orla . Um estudo integra o programa ProCanais, lançado neste ano, que prevê análises técnicas para minimizar o avanço da areia sobre os canais e reduzir os impactos das marés elevadas na Cidade. (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Trabalho contínuo A principal preocupação é manter o funcionamento da drenagem urbana. A bióloga Débora Mandaji, gestora do Contrato de Drenagem da Secretaria das Prefeituras Regionais, aponta que o acúmulo de areia impede o escoamento da água da chuva e aumenta o risco de alagamentos na Cidade. Segundo ela, o trabalho é contínuo porque a areia retirada retorna aos canais nas próximas ressacas. “A gente tira do 3, leva para o 5. Vem a próxima ressaca, tira do 5, volta para o 3. A gente está fazendo uma queda de braço com a natureza”, analisa.