A onça-parda é o segundo maior felino da América do Sul (Fernando de Jesus @guardiao.da.natureza) Uma onça-parda foi flagrada na área continental de Santos, no litoral de São Paulo, pelo aposentado Fernando de Jesus, de 57 anos. Ele utilizou uma câmera “trap”, que realiza registros automáticos por meio de sensores infravermelhos, instalada nos arredores de seu sítio na região. Segundo o homem, o aparecimento do animal é frequente no local. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Eu vejo os rastros, eu vejo as pegadas e, às vezes, a gente vê os animais atravessando a rua. Aí eu comprei uma câmera. Nessa câmera, eu tive a felicidade de filmar uma onça, filmar um cabrito, um veado e alguns bichos. Aí eu peguei gosto”, contou Jesus para A Tribuna. O aposentado conta que registra o aparecimento de onças periodicamente na região, a cada 15 dias, aproximadamente. Ele já chegou a registrar três onças em uma única noite e, segundo um biólogo com quem entrou em contato, é possível que haja uma família da espécie vivendo por ali. Ele afirma não ter medo dos animais. “A onça-pintada é mais perigosa, e tem na região. Eu sei pelas pegadas, mando pro biólogo, ele confirma.” Jesus diz que sempre teve paixão pela natureza e, há cinco anos, passou a cuidar de um meliponário — local de criação de abelhas nativas. Além disso, começou a acompanhar a atividade dos animais com as câmeras. “Eu venho colocando câmeras ao redor do sítio, num raio de 1.000 metros, no pé do morro. Eu ponho nos córregos d’água, nas nascentes e coloco nos caminhos. Venho obtendo êxito ao registrar a passagem de várias onças e até de anta, que é um animal que está praticamente em extinção no estado de São Paulo.” Para ele, registrar esses animais é emocionante. “Eu nunca vi pessoalmente na natureza, só vi na filmagem. Eu vejo as pegadas, eu sei que tem. Pra mim é uma glória.” Ela finaliza dizendo que busca preservar o habitat natural desses animais e mantém uma página no Instagram para compartilhar seus registros (@guardiao.da.natureza). Ele já plantou mais de 100 pés de frutas e destrói armadilhas de caçadores que encontra. Seu sítio também serve como ponto de apoio para escoteiros de Guarujá, onde ensina crianças sobre a importância do trabalho das abelhas. Especialista O biólogo Eric Comin explica que a onça-parda (Puma concolor) é o segundo maior felino da América do Sul, ficando atrás apenas da onça-pintada, e está presente em todos os biomas. O animal possui pelagem uniforme, em tons de marrom-avermelhado ou cinza, com o ventre mais claro. “Curiosamente, apesar do nome onça, seu parente vivo mais próximo é o gato-mourisco. Ela ronrona e mia como um gato doméstico, em vez de rugir”, explica Comin. A onça-parda está no topo da cadeia alimentar. “É carnívora e predadora, alimenta-se de pequenos mamíferos, aves e até presas maiores, como veados e catetos. É uma das espécies mais resilientes da Mata Atlântica, adaptando-se tanto a áreas preservadas quanto a fragmentos de floresta próximos a cidades e plantações”, detalha Comin. “É um animal solitário e desconfiado, que geralmente evita o contato humano. Ataques são raros e costumam ocorrer apenas se o animal se sentir acuado ou estiver protegendo filhotes.” O biólogo orienta que, ao encontrar uma onça-parda, é fundamental manter a calma, não correr e nunca dar as costas ao animal. “Pareça maior, levantando os braços, e mantenha contato visual. Recue devagar, afaste-se lentamente, dando espaço para que ela também possa fugir.”