[[legacy_image_356154]] Cinco anos. Esse é o tempo previsto para a entrega de um “novo” Instituto Dona Escolástica Rosa, cujas obras civis iniciam esta semana. A placa alusiva à empreitada está colocada, dando o pontapé inicial para um processo de recuperação de um patrimônio histórico e arquitetônico da Cidade. O espaço de frente para a praia no Bairro Aparecida, em Santos, que é de propriedade da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Santos, foi alugado em 2021 por 15 anos para o Núcleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes (Nupec), com opção de renovação por igual período. O valor total estimado da empreitada chega a R\$ 50 milhões, a ser captado via leis de incentivo à Cultura, como a Rouanet, bem como emendas parlamentares de diversas instâncias. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “A gente começou o trabalho com recursos próprios com manutenção e projetos. E essa verba está se esgotando, então está na hora de fazer as parcerias”, afirma o diretor-presidente do Nupec, o empresário e arqueólogo Manoel Mateus Bueno Gonzalez. O valor do aluguel a ser pago após a conclusão de toda a reforma é de R\$ 200 mil por mês. Os planosA princípio, o foco está em três edificações: a principal, defronte para a Avenida Bartolomeu de Gusmão; a Casa do Diretor e a Capela de João Bosco. As três têm tombamento mais restritivo e apresentam melhor estado de conservação. Entre os equipamentos previstos para o “novo” Escolástica Rosa, estão uma galeria e escolas de artes, de música e de educação ambiental, todos no pavimento térreo. Já no superior, constam dois auditórios e três museus: da Cidade, de Arqueologia e de Paleontologia. Uma praça de alimentação também integra o projeto, que contará, ainda, com alamedas, uma Escola Oficina de Restauração, anfiteatro, estacionamento e um bulevar. Tudo para utilizar, da melhor maneira possível, o espaço de 7 mil metros quadrados de área construída, de um total de 17 mil metros quadrados. “A gente está fazendo essas etapas justamente para já promover uma entrega, uma devolução para a população, num prazo mais curto, um prazo mais ágil. Depois, com mais calma, a gente consegue fazer o restante do restauro dos demais prédios”, explica. Sem abandonoO arquiteto responsável pela obra é Gustavo Nunes, do escritório To Fix Arquitetura e Construção Ltda. O projeto havia sido apresentado por A Tribuna em fevereiro do ano passado, por conta de uma visita do secretário de Estado do Turismo, Roberto de Lucena. Agora, a chamada obra civil é o start, na visão de Gonzalez, da mudança na ideia de abandono criada, sobretudo nos últimos anos, em torno do Escolástica. “Começou uma conversa de que o Escolástica está abandonado, cheio de mato. Não é verdade. A Prefeitura vai todo mês fazer uma avaliação da questão sanitária. Temos todos os relatórios, não tem dengue, não tem problema com mato. Além disso, tem portaria 24 horas, para não ter nenhum tipo de invasão”, enumera o empresário e arqueólogo. Para Gustavo Nunes, um dos grandes desafios do projeto foi levantar toda a documentação necessária para garantir as licenças tanto do Condepasa (municipal) como do Condephaat (estadual). “Nós tivemos um prazo de oito ou nove meses, onde tiramos o atraso de seis anos de trâmite ineficiente. Quando eu fui contratado, reuni toda a documentação, fiz um levantamento demorado. Não tínhamos os arquivos digitais. Em torno de um mês e meio, identifiquei que tínhamos muito material técnico, mas não os desenhos técnicos de arquitetura. Era basicamente o projeto de restauro, além de muita informação por memorial descritivo, por fotografia. O conjunto de plantas formado de todo esse trabalho técnico são 36 plantas em tamanho A1 e A0. É muito volume”, descreve. Nunes acrescenta que já havia um estudo indicando o que poderia ser recuperado e o que não poderia. “O projeto original do (arquiteto) Ramos de Azevedo não é o que está lá construído. Nós tivemos alterações na década de 1940. Nós temos vários elementos escuros, além de um prédio no fundo que sequer está mencionado em lugar nenhum e deverá ser demolido”, adianta. Manoel Gonzalez entende que a missão principal é trazer o santista de volta para o Escolástica. “Nós precisamos de gente. É o que a gente fala, é a devolução do bem para a sociedade santista. Pode virar um ponto de visitação. É um polo atrativo. Nós estamos trazendo ali para o meio da Aparecida uma novidade, uma área enorme, de frente para o mar”. Santa CasaProcurada, a Santa Casa, por meio de nota, confirmou o acordo de locação firmado com o Nupec. Lembra que retomou o imóvel através de ação de despejo, em 2019. Com isso, realizou um amplo levantamento sobre o referido imóvel. “Em 2021, o Ministério Público do Estado de São Paulo ajuizou duas ações que envolvem diretamente o imóvel, o que praticamente inviabiliza a aproximação de empresas para o restauro, dado o risco das referidas ações judiciais. O locatário atual apresentou proposta de restauro, assumindo os riscos envolvidos, com o compromisso de se viabilizar a oferta de cursos técnicos e oficinas voltados ao aperfeiçoamento e capacitação de jovens estudantes da Região Metropolitana da Baixada Santista”. A entidade afirma, ainda, que “não esperará o término das obras para retomar o projeto de ensino, estando em andamento os protocolos oficiais para a Escola Técnica de Enfermagem Dona Escolástica Rosa, que oferecerá gratuitamente vagas para a qualificação da área, com previsão de início no começo de 2025”. Questionado sobre o posicionamento, o arqueólogo Manoel Gonzalez diz ser “pouco provável” que as instalações para o curso estejam prontas no tempo desejado pela instituição