[[legacy_image_188511]] Por conta das obras da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), moradores e comerciantes da Rua Campos Melo, no bairro Macuco, em Santos, se reuniram, na manhã desta sexta-feira (1º), para mostrar à promotora de justiça Almachia Zwarg Acerbi, do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) os problemas que têm surgido na via. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O aposentado João Geraldo das Mercês Neto, de 60 anos, disse que a via se tornou um 'canal', já que, com o início das obras, ela passou a alagar quando chove. Além disso, a rua precisou ser rebaixada, prejudicando algumas garagens. "A minha garagem está tão alta que não consigo entrar de carro. Já ouvi casos de veículos ficarem riscados e amassados na vizinhança. Além disso, moradores e comerciantes sofrem com as obras. Tem estabelecimento fechando por conta disso", lamenta. Segundo Neto, faltou explicar como será o cronograma das obras. "Todos nós, moradores, fomos pegos de surpresa, ninguém falou nada. A população não é contra o projeto do VLT. Mas, é fato, que os estabelecimentos comerciais vêm sendo prejudicados". "Quem mora em Santos sabe que a Campos Melo é um desafogo da Conselheiro Nébias. Quando ela para, a Conselheiro fica um caos", completou. Já o despachante Gilberto Nunes Galego, de 65 anos, apontou um outro problema que surgiu após as obras: assaltos. "Está dificultando muito para os moradores se locomoverem à noite. Sou obrigado a trabalhar de portas fechadas porque já fui assaltado duas vezes. Em um dos casos, tive uma arma apontada para minha cabeça". No momento, Galevo não vê benefício algum como a obra. "Por enquanto, é um transtorno total. Pode ser que no futuro as coisas melhorem", desabafa. Muitas reclamações O primeiro secretário da Associação de Moradores e Comerciantes da Rua Campos Mello, José Santaella, ressalta que recebeu inúmeras reclamações. "Entramos numa situação que é um projeto que foi vendido em audiência publica. Em um primeiro momento, as linhas de rede elétrica seriam enterrada. Teríamos uma nova Campos Melo, um novo conceito urbanístico. De repente, veio um projeto totalmente diferente. As redes elétricas vão permanecer da mesma forma, vão introduzir mais postes do outro lado e eles serão mais robustos para sustentar a linha do trem". A preocupação de Santaella é também a respeito do isolamento de vibrações, usados nas primeiras estações do VLT na Baixada Santista. "Não nos informam se o isolamento construído será o mesmo padrão. O isolamento serve para, quando o trem passar, não vibrar os imóveis, que são antigos, construídos há 70, 80 anos. Enfim, o projeto não foi discutido e nem amadurecido o suficiente. Nós recorremos ao Ministério Público, que é quem pode nos defender". O que diz o MP A promotora de justiça Almachia Zwarg Acerbi, do Gaema, deixou claro que o Ministério Público não é contra o projeto do VLT e também não interfere onde ele vai passar, mas exige a "observância da lei, dos estudos adequados". "Infelizmente, é uma obra que não tem os estudos adequados para o seu tamanho. Acompanho diariamente os avanços da obra, já pedi ao secretário de Estado uma reunião, porque ele precisa se sensibilizar para ver o que essas pessoas estão passando. Se não tiver acordo, vamos ter que judicializar". Em nota, a Prefeitura de Santos afirma que vem fiscalizando a execução dos serviços da obra, com foco nos reflexos da cidade e nos moradores. A Secretaria de Governo (Segov), com apoio da Companhia de Engenharia e Tráfego, ressalta que responde pela sinalização dos locais em obra e também acompanha os prazos dos serviços, além de manter diálogo com representantes dos comerciantes da via e moradores de pontos impactados pela construção do novo trecho do VLT. A pasta diz ainda atender a todos os questionamentos do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) e que vem cobrando o Governo do Estado de São Paulo o cumprimento do projeto, etapas e respectivos prazos. Já a Empresa Metropolitana de Transporte Urbano (EMTU) afirmou em nota que acompanha e fiscaliza as obras do segundo trecho do VLT. "Na Rua Campos Mello, onde houve intervenções significativas de infraestrutura, foi concluída toda a parte de drenagem", diz a nota. A empresa ressalta que, no momento, 568 profissionais estão envolvidos nos serviços e que a Prefeitura autorizou a extensão dos horários até as 22h nos dias úteis. "No momento estão em execução 17 frentes de trabalho simultâneas que recebem diversas intervenções, como obras de drenagem, esgoto, demolição, adequação de tubulação de gás, calçamento etc". O novo trecho, que vai até o Terminal Valongo, tem previsão de começar a operar até o primeiro semestre de 2023.