[[legacy_image_285087]] A revitalização do Centro de Santos “revitaliza” também a esperança dos comerciantes da região por dias melhores. Obras como a nova fase do VLT, que ligará a região a São Vicente, a remodelação do Mercado Municipal e o projeto do Parque Valongo, além dos eventos que o Centro tem recebido, embalam o otimismo dos empresários. O sentimento, no entanto, era o oposto há alguns anos. De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Santos (CDL Santos), Marcus Vinicius Rosa, os comerciantes enfrentaram um cenário de estagnação, causada em larga escala pela pandemia de covid-19. “Desde a pandemia, o movimento nunca voltou ao normal”, afirma Rosa. O presidente da CDL Santos explica que, com a pandemia, além de vários comércios terem fechado, muitos escritórios, que traziam uma movimentação de pessoas para a região, mudaram de local. “Isso fez com que o público que circula pelo Centro diminuísse, o que trouxe um desânimo para os comerciantes locais”. Potencial Mesmo passando por tempos difíceis, a região sempre demonstrou potencial, o que, para o comerciante Rogério Vianna, foi determinante para que ele fizesse sua mudança de São Paulo para Santos, além da busca por melhor qualidade de vida. Ele, que está há oito meses na Cidade, abriu há sete meses um mercado na Rua João Pessoa. “A cidade de Santos tem boa possibilidade de crescimento, um público que consome bem e tem sua vida própria, diferente da maioria das cidades praianas que dependem do turismo e da sazonalidade”, diz o comerciante. Para Vianna, o Centro da Cidade é pouco explorado, mas ele diz notar mudanças. “Parece que há olhos voltados para cá”, afirma. Mesmo com um pouco de incerteza quanto ao futuro, o comerciante enxerga a região com esperanças. “Uma das nossas intenções ao virmos para cá foi tentar despertar esse potencial”, conta. Há mais tempo no local, Paulo Latrova, proprietário há 50 anos de uma loja de malas que fica na Rua Amador Bueno, vê o futuro do Centro com entusiasmo. Ele, que diz já ter vivido o auge e a decadência da região, conta que vê “grandes sinais de recuperação”. “Eu acho que as coisas vão mudar. Essa infraestrutura nova, como o VLT, que vai passar na João Pessoa e na Amador Bueno, vai trazer uma nova cara ao Centro, sem dúvida nenhuma”, afirma Latrova. Questão habitacional: um desafio De acordo com o prefeito Rogério Santos (PSDB), as intervenções do Poder Público na região atraíram o interesse de empresas para a área central. “Sentimos um interesse dos empreendimentos focados na área turística, já há procura por imóveis para abertura de novos restaurantes e novas casas de show”, afirma. Apesar das novas iniciativas prometerem trazer movimento para o Centro, dando a ele uma “nova cara”, ainda há desafios a serem enfrentados pela Administração Municipal na região, como a questão habitacional. O chefe do Executivo municipal explica que, na visão da Prefeitura, alguns bairros da região central, como o Valongo, devem ser mais explorados pela atividade turística, enquanto outros bairros, como a Vila Nova e Vila Mathias, devem receber atenção no que diz respeito à habitação. De tudo, um pouco Segundo Rogério, a Prefeitura conta com dois empreendimentos habitacionais na região, um retrofit (renovação de construções) para 34 unidades na Rua do Comércio e uma construção de apartamentos destinados a moradores de cortiços na Rua Amador Bueno. Há, também, segundo o prefeito, empreendimentos habitacionais da iniciativa privada na região. “A consolidação do Centro passa por moradia. Hoje, não temos mais o modelo de zoneamento nas cidades. Nas cidades modernas, nos bairros, o cidadão mora, trabalha e se diverte no mesmo local, e isso é fundamental para a mobilidade urbana. A região central não pode mais voltar a ser um local estritamente comercial”, diz o prefeito.