[[legacy_image_325724]] Iniciadas há um ano, as obras de reurbanização da Avenida Vereador Álvaro Guimarães, no Rádio Clube, em Santos, devem ser concluídas até março, antecipando o prazo inicial de 18 meses. A informação é do coordenador de Infraestrutura da Secretaria de Serviços Públicos (Seserp), Carlos Barros. “Ela sofre as questões climáticas. Caso haja muita chuva, o prazo pode variar um pouco”, explica. Segundo ele, a expectativa é de que, em meados deste mês, comecem a parte de iluminação e sinalização de solo no trecho entre a Avenida Hugo Maia e a Praça Jerônimo La Tereza, e a obra no trecho entre a Hugo Maia e a Praça José de Oliveira Lopes. De acordo com o coordenador de Infraestrutura da Seserp, houve um estreitamento da via, entre um metro e um metro e meio, para poder abrir calçadas e uma área para bancos. “A intenção do projeto é transformar a área, um dos pontos comerciais da Zona Noroeste, para fazer com que as pessoas circulem não só de carro, mas a pé.” Segundo Barros, a obra foi dívida em duas etapas. A primeira, concluída no final do ano, teve pavimentação, obras no passeio e inclusão de ciclovia. “Por enquanto, está somente com tráfego dos moradores mas, tão logo sejam finalizadas as sinalizações vertical e horizontal, vai ser liberado na totalidade”, prevê. A segunda fase foi suspensa por causa das festas de fim de ano. “Como tem um impacto direto no comércio, fizemos uma reunião com comerciantes e população, e o mais razoável foi esperar as festas”. ChuvasA reurbanização na Avenida Vereador Álvaro Guimarães também prevê microdrenagem. Serão 16 poços de visita, 41 bocas de lobo, 134 metros de novos ramais de captação e substituição de toda a tubulação da rede central, para melhorar o escoamento das águas pluviais. “Cuidamos de uma rede de drenagem central. Para refazer essa rede, somos obrigados a escavar a rua. E, quando se escava, são vários passos até chegar à pavimentação. É diferente de apenas raspar e refazer o asfalto. Além disso, a altura da rua foi realinhada, para melhoria das condições de chuva e enchente. O processo demanda um tempo maior”, argumenta. Barros lembra que, em meio à reurbanização, as concessionárias também revisam instalações. “A Sabesp refez seu trecho perto da Hugo Maia. Mas, em linhas gerais estamos seguindo um cronograma.” [[legacy_image_325725]] População local reclama do serviçoComerciantes e moradores do trecho entre a Hugo Maia e a Jerônimo La Terza não guardam boas recordações das obras. Furtos de lojas, dificuldade de acesso para clientes e problemas nas fachadas estão na lista de queixas. “Durante um ano, não consegui trabalhar. Não tem lugar, mais, para colocar o carro (na porta). Passei pela pandemia, e veio a obra em seguida. Fiquei fechado, não tinha como as pessoas entrarem aqui. A redução chegou a 90%”, diz o comerciante Cristiano Aquino Toledo, de 48 anos. Dono de uma papelaria, ele dispensou funcionários e cogita fechar o estabelecimento. “Não sei se a cara é mais moderna (da via). A calçada, o tamanho da rua. Ficou tudo muito estreito. Não faz sentido”, aponta. Próximo dali, outro comerciante, Matheus Santos Ferreira Alves, ainda lamenta os prejuízos de um assalto à sua loja de roupas. “Tive dois problemas na loja, com assaltos durante as obras. De madrugada, ninguém passava, e estouraram os vidros. Entraram, levaram roupas, camisas de time, fora as portas. Nunca havia acontecido antes.” Para Nelson Luiz Gonçalves, que trabalha com carros e motos, “não houve nenhuma vantagem. Me deram prejuízo durante seis meses. Colocaram grama. Isso aqui, para mim, não é mais avenida, é rua. Estreitaram a rua para fazer uma calçada que ninguém usa, assim como a ciclovia. Aqui não é a praia.” Moradora há décadas no bairro, a dona de casa Lucíola Falcão prefere aguardar o término das obras e como o trabalho resistirá à sempre preocupante temporada de chuvas. “Moro aqui há 40 anos, e já vi a via de várias formas. A grande preocupação é a questão das chuvas. Esperamos não que resolva, mas amenize a situação. Esteticamente, ficou muito bom. Antes de vir com a beleza, eles arrumaram a parte de tubulação. Esperamos não ter maiores problemas quanto a isso”, diz.