[[legacy_image_283129]] Falta d’água, tremor, barulho, poeira, interdição e morosidade. Esses são os relatos dos moradores e comerciantes que vivem na Avenida Vereador Álvaro Guimarães, do trecho que cruza com a Avenida Hugo Maia até a Praça Jeronimo de La Terza, no Rádio Clube, em Santos. Tudo isso desde o começo de uma obra de drenagem nesse corredor comercial da Zona Noroeste. A Reportagem visitou o trecho de obras na tarde desta sexta-feira (21), por volta das 15 horas, e não encontrou nenhum trabalhador, fiscal, engenheiro ou responsável no local. Os serviços estavam paralisados e não retornaram enquanto a equipe estava presente. [[legacy_image_283130]] O mecânico Marco Antônio do Nascimento, de 38 anos, diz que a obra começou há cerca de dois meses e os moradores foram notificados uma semana antes sobre a interdição, o que impossibilitou que qualquer dinheiro fosse guardado em caixa. “Simplesmente fecharam tudo”. “Querem retirar as vagas de estacionamento para construir uma ciclovia e entramos em conversas para tentar adequar essa ciclovia para alguma rua próxima ou fazer um novo planejamento. Se vocês pararem para perceber, muitos locais estão fechando por conta desta obra. Quero saber como vou trabalhar”, comenta. [[legacy_image_283131]] Nascimento descreve se sentir muito prejudicado pela dificuldade dos veículos em transitar pelo trecho para chegar na oficina dele. Além disso, reforça que não deram um prazo para a finalizar o serviço. “A obra está praticamente abandonada. Fico aqui olhando como um fiscal e sei que está abandonada”. O dono de um lava-rápido, Nelson Luís Gonçalves, de 44 anos, relata que essa situação de falta de funcionários é constante. Quando a equipe está no local, o homem cita que faltam equipamentos e os operários ficam parados conversando. De acordo com o comerciante, a obra avaliada em R\$ 8,8 milhões - sendo R\$ 7,9 milhões do Governo do Estado e o resto da Administração Municipal - está lhe prejudicando financeiramente. “Como vou fazer? A pessoa traz o carro, mas está cheio de poeira, mesmo aqui dentro. Você passa um pano e logo já enche de areia. (A equipe da obra) Vieram detonando, quebrando e a gente está vendo que eles estão atrapalhados. Tenho 18 anos aqui e nunca atrasei o aluguel, mas estou há dois meses atrasado”, reforça. Gonçalves conta que, pelo impacto da obra, o poste que abastece a energia do estabelecimento entortou e rachaduras apareceram nas paredes. Situação que já foi relatada para os responsáveis pelo serviço e, segundo ele, ainda não foi resolvido deste então. “Além de não deixar a gente trabalhar, traz prejuízo ao nosso comércio. Trincou tudo, eles batem com a retroescavadeira e balança tudo. Peço, pelo amor de Deus, para poder trabalhar. Estamos de mãos atadas”, alega. Dona de uma madeireira, Marleide Alves Sales de Oliveira, de 51 anos, relata que a obra iniciada em junho diminuiu as vendas, pois os caminhões não conseguem entrar e sair do trecho para realizar as cargas e descargas. “Nossos compromissos de conta e aluguel estão aí, não tem como empurrar com a barriga. Tá prejudicando demais”. Dentre as dificuldades relatadas, a moradora Rosélia Souza Rocha Tavares, de 53 anos, cita a “tremedeira” como a principal. Contudo, relembra que já chegou a ficar sem água por horas e que mora com a sogra idosa, de 88 anos, que sente diretamente o impacto da obra no dia a dia. “Fico revoltada. Na hora H, quando a gente precisa, ninguém aparece para socorrer a gente”. A interdição do trecho fez com que Rosélia tivesse que ficar com o carro preso dentro de casa e, muitas vezes, trancado do lado de fora, em ruas dos entornos. Também afirma que já chegou a atolar a roda na lama que se instaurou na avenida. A mulher chama a obra de “mal organizada”. PrefeituraO Secretário de Serviços Públicos, Wagner Ramos, é um dos responsáveis pela revitalização do corredor comercial e de mobilidade do Rádio Clube. O projeto da Prefeitura inclui a substituição de passeios, obedecendo ao padrão do Programa Calçada para Todos e a criação de faixas elevadas nas travessias. Em entrevista para A Tribuna, o secretário garantiu que a obra de drenagem deve chegar ao fim no prazo de um mês. Em seguida, será finalizado o aterro das valas, o preparo com uma pavimentação parcial provisória, o que permitirá o fluxo de pessoas pelos trechos da obra. Na sequência, outros trechos devem ser interditados pela obra. “Toda vez que se faz uma drenagem, ela tem que percorrer o leito da rua. Estamos tentando beneficiar eles mesmos. É uma melhoria. Várias reuniões foram feitas e audiências públicas. Eles não podem dizer que não foram avisados sobre essas obras. Desconhecer não é fato, inclusive a minha equipe esteve lá diversas vezes. Também foram feitas reuniões nas regionais da Zona Noroeste”, confirma. Sobre a morosidade da equipe no andamento da obra, Wagner afirma que foi notificado pelos moradores e pediu para a fiscalização apurar o que está acontecendo no trecho, para que acione o dono da empreiteira e ele seja notificado sobre a situação. “Ele tem um prazo, mas não quer dizer que ele pode ficar um ou dois dias sem fazer nada na rua, pois isso traz inconvenientes para os moradores”. O secretário também garantiu que, durante essa conversa, irá solicitar ao dono da empresa por uma maior agilidade nesse trecho para garantir a tranquilidade dos comerciantes e moradores. Wagner pediu paciência para os reclamantes, afinal um novo impacto ainda deverá atingi-los pela reformulação das calçadas, que dá sequência ao planejamento. Em relação às trincas, rachaduras e postes tortos, o secretário pediu para que os afetados entrem em contato com a Administração Municipal por meio da Ouvidoria, no telefone 162 ou pelo site da Prefeitura, para que seja realizada uma fiscalização e, se for confirmado o dano, para maiores providências. “Antes da obra começar foram feitas vistorias de todos os imóveis com um laudo antecipatório. Isso acontece em todas intervenções. Eles têm direito de alegar isso, mas devem procurar a Prefeitura para a gente confrontar com base nos laudos fotográficos para saber se ela já existia. Se houver um dano, vamos analisar se foi causado pela nossa intervenção”, afirma. A falta d’água já foi resolvida, comenta o secretário. O responsável pela obra diz que quando há rompimento do encanamento, há uma solicitação para que a concessionária ou a própria empreiteira possa tentar solucionar o caso.