[[legacy_image_264680]] Está prevista para a manhã desta quarta-feira (3), uma vistoria na Rua Campos Mello, em Santos, da qual participarão representantes da CPFL, da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), da Prefeitura e da associação de moradores local. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A razão, acertada durante encontro realizado em 26 de abril no Ministério Público Estadual (MPSP), é a colocação dos postes no logradouro, em razão da passagem do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). O prazo previsto para o término de toda a obra na rua é julho deste ano. “Não vamos fazer ação para paralisar a obra e deixar tudo ainda mais atrasado. O que a gente tem que falar é: ‘Por que a população está sofrendo tanto com a execução dessa obra?’. O pedido do Ministério Público é sempre para que a obra melhore e ande com eficiência”, afirma a promotora de justiça do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) do MPSP, Almachia Zwarg Acerbi. QuantidadeDe acordo com a EMTU, a atual fase do VLT prevê a instalação de 89 postes na Rua Campos Mello — um a cada 20 metros, podendo chegar à distância máxima de 25 metros de distância entre eles. O espaçamento é determinado pelo projeto de infraestrutura de via aérea do trecho Conselheiro Nébias-Valongo, que leva em conta a carga prevista para movimentar o VLT e o uso compartilhado pela concessionária CPFL. Até o momento, também segundo a EMTU, foram instalados 64 postes pela CPFL, e os demais 25 serão colocados até o final de julho. A infraestrutura, de acordo com a nota da empresa, não representa risco para moradores e comerciantes, “que serão beneficiados com um modal de transporte silencioso e não poluente, além de uma rede aérea reorganizada e modernizada”. “A respeito da quantidade de postes, isso vai ter uma análise do meu engenheiro, ainda. E, a respeito da necessidade, não posso falar isso, mas o que eu posso lamentar é que, quando se vendeu uma ideia de uma renovação da rua, não daria para imaginar tantos postes assim”, observa a promotora. “Acredito que a CPFL vai fazer o que é tecnicamente exigido pelas agências e a legislação, ou seja, o que é mais seguro, mas isso não quer dizer que a rua vai ficar melhor com tantos postes na frente dos imóveis”, completa. A Tribuna apurou ter sido estabelecido que alguns pontos de interesse histórico e cultural seriam priorizados com o embutimento da fiação ao longo do trajeto do VLT, como em torno do Mercado Municipal e de locais ras Ruas João Pessoa e Amador Bueno. O motivo está no alto custo desse tipo de intervenção. ReclamaçõesA colocação dos postes ao longo da Rua Campos Mello é outro assunto que incomoda em meio às obras do VLT. A Reportagem conversou com moradores e comerciantes em uma das quadras, localizada entre as ruas João Guerra e Xavier Pinheiro, na Vila Mathias, um dos pontos nos quais a obra está ativa. Proprietário de uma retífica, Afonso Matias mostrou indignação com o uso deste tipo de tecnologia. “Colocar todos estes postes em pleno século 21, quando já era hora de tudo ser embutido”, justifica. Morador de um edifício em frente ao comércio, James Rosemberg da Fonseca e Silva lembra que os postes representam apenas um dentre os tantos erros cometidos desde o início das intervenções, na opinião dele. “Em uma ocasião, ficamos dois dias sem a internet que vem pela fibra ótica, sem contar outros problemas”, lembra. Isabel Magalhães, mulher de James e síndica do prédio, acompanha a insatisfação por tudo o que vem acontecendo na rua. O proprietário de loja de troféus e placas Ângelo Bartolotto Júnior também não escondeu a irritação. “Ridículo. Olhe o tamanho deles. Para que tão altos?”, dizia e, ao mesmo tempo, apontava que “são serviços feitos três, quatro, cinco vezes”. Dono de uma mecânica de automóveis, José Resende ficou sem telefone fixo por 45 dias e não sabia disso. Reflexo da colocação dos postes. “Não uso sempre e só soube porque um dos clientes disse que tinha ligado várias vezes e não tinha conseguido falar”.