[[legacy_image_267380]] Muitas teoriasforam formadas após um objeto não identificado cair no capô de um carro na noite da última terça-feira (9), na Rua Frei Vital, no Embaré, em Santos. Mas, para o professor de Engenharia e de Física Antonio Iris Mazza, é provável que seja uma peça de avião. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O professor afirma que é difícil concluir o que pode ter acontecido na ocasião. Porém, explica que os detalhes descritos pela vítima, imagens do ocorrido e informações sobre o peso e tamanho deixam claro que o material misterioso caiu mesmo do céu. O objeto- que o profissional acredita ser um pino de trava de alguma aeronave- mede cerca de 14 centímetros e pesa 232 gramas. Por conta dessas características, o especialista explica que o objeto precisaria cair de uma altura de 12 a 13 mil metros de altura para causar o estrago que ocorreu na lataria do carro. É a altura de voo de um avião. [[legacy_image_267381]] “É um pino de trava que caiu de uma certa altura. Como está queimado a ponta, sofreu um estresse de calor, que rompeu essa trava e fez com que ela caísse para fora. Não é nada de lixo de órbita. A impressão é de que ele foi expulso pelo mecanismo. Não é nada de alienígena não, mas caiu com bastante força”, comenta. Caso o objeto tivesse caído de mais altura como, por exemplo, de fora da órbita da terrestre, o especialista reforça que teria feito um estrago ainda maior, podendo perfurar completamente a lataria do carro. “A probabilidade de uma peça dessa cair em alguém é quase uma em um milhão”. Também explicou que, pelo dano causado e as características do objeto, ele não poderia ter sido arremessado por um ser humano. A aceleração necessária para atingir o carro dessa forma teria que fazer a peça pesar cerca de 30 quilos, explica o especialista. EspaçoEm contrapartida, a engenheira aeroespacial e professora nos cursos de Engenharia da Universidade São Judas, Bruna Niccoli Ramirez, explica que, apesar de a possibilidade ser mínima, há chance de ser um fragmento espacial que caiu no carro. “É preciso entender o que é o lixo espacial. O lixo espacial são os restos de missões espaciais, como partes de foguetes que não fazem parte da carga útil paga da missão. Há também objetos que não são mais operacionais, seja por terem quebrado, seja por terem atingido a sua vida útil”, explica. A especialista ressalta que agências espaciais como a Nasa e a ESA (Agência Espacial Europeia) indicam que, em mais de 60 anos de atividades espaciais, acumularam-se cerca de 130 milhões de objetos orbitando a Terra. “Parte deles está em órbita baixa e mede entre cinco a dez centímetros, enquanto em altitudes maiores, geoestacionárias, encontramos objetos de 30 centímetros a um metro. De todos estes objetos, apenas 4 mil são satélites ainda operacionais. Isso significa que há em torno de 10 mil toneladas de objetos orbitando a Terra, segundo estas agências”, reforça. Como os objetos são pequenos, ao entrarem na atmosfera é comum que se desintegrem. Porém, a profissional confirma que é possível que fragmentos espaciais caiam no planeta. “Nosso planeta é constituído em grande parte pelo oceanos, que cobrem mais de 70% da superfície do globo. Então, a probabilidade de cair um objeto justamente em cima do seu carro é mínima, porém existe”. Bruna também não descarta a possibilidade de a peça ter caído de uma aeronave, mas explica que apenas um laudo pericial pode afirmar isso. “É preciso averiguar a localização da casa e avaliar se havia alguma aeronave passando pelo local naquele horário”. A Tribuna apurou que uma aeronave passou pelo bairro do Embaré próximo do horário relatado pelo morador de Santos. Diante dessa informação, a especialista reforça que cabe analisar a peça, ver seu formato, entender qual seria sua utilização e o material de que é composta. A Reportagem também entrou em contato com a Força Áerea Brasileira (Fab) para um posicionamento sobre o caso, mas não obteve um retorno até a publicação desta matéria.