Flávia Durante toca em diversos clubes no Brasil e pelo resto do mundo (Arquivo Pessoal) Celebrar a música produzida por mulheres DJs é o tema do evento “O play é delas”, que acontece neste sábado (08). Reunindo DJs em um bate papo sobre discotecagem e a presença feminina na cena musical, o encontro acontecerá no Centro de Santos, a partir das 16h. O ponto de encontro mais especificamente é o número 56 da na Rua Frei Gaspar, onde ocorrerá um bate-papo mediado pelo DJ Luiz Diaz. Ele, que é criador da Sala Especial Discos, um espaço dedicado à venda de discos, aulas de discotecagem, festas temáticas e encontros culturais, explica que o evento tem como objetivo inspirar mais mulheres a seguirem a carreira de DJ. “Além do empoderamento através da música, que é uma arte que te faz pensar, como a literatura, precisamos que mais mulheres estejam nesse lugar, que tradicionalmente sempre foi mais dominado pelos homens”, afirma. Participam do encontro convidadas que representam a atuação feminina como DJs, como Flavia Durante, que toca em diversos clubes no Brasil e pelo resto do mundo, e também Vitória Nicolau, DJ, modelo e influenciadora que já tocou em festivais do Brasil e trabalhou com marcas como Puma e Fenty Beauty. Segundo Luiz, a discotecagem é uma profissão séria e que merece ser respeitada. “O impacto que eu espero é inspirar mulheres a se interessarem por esse universo, quebrar preconceitos e mostrar que você pode ser DJ além da música eletrônica”, conta. “Virei DJ graças ao incentivo de uma amiga que viu meu potencial e me encorajou a aprender a tocar”, relembra Vitória, a DJ e influenciadora de 28 anos, que chegou a tocar em festivais de São Paulo e até em Paris. Para ela, o evento é essencial para incentivar mais mulheres a procurarem um hobby ou profissão dentro das artes. Com seis anos de carreira, ela destaca os desafios da profissão. “O maior obstáculo para as mulheres DJs hoje é a visibilidade para conseguir mais ‘gigs’ (shows). Sinto que, atualmente, tudo depende mais da internet do que do esforço e talento em si, e acho que deveria ser o contrário. Mas sigo equilibrando essa dualidade e não trocaria essa caminhada por nada”, afirma. Modelo e influenciadora, Vitória já tocou em festivais do Brasil e trabalhou com marcas como Puma e Fenty Beauty. (Arquivo Pessoal) Quanto à diversidade dentro do meio, Vitória acredita que o cenário tem evoluído. “Já foi menos diverso anos atrás. Hoje, fica feio para os contratantes não ter um lineup diverso, então sempre há mulheres ocupando um espaço no evento”, pontua. Já Flavia, de 48 anos, além de DJ, é produtora de eventos e jornalista. “Fui me aperfeiçoando, estudando até hoje, sempre me aprimorando. DJ é minha segunda profissão, mas é uma área da qual gosto muito”, diz. Para ela, conseguir espaço dentro da discotecagem é mais difícil para as mulheres. “Geralmente, as mulheres precisam criar a sua própria cena, fazer suas próprias festas para conseguirem espaço. É um trabalho dobrado para a gente mostrar que tem talento e ter mais oportunidades", desabafa. Apesar disso, ela conta que a cena feminina está crescendo. “Há muitas mulheres fazendo trabalhos incríveis em vários estilos musicais, e nós estamos mostrando a que viemos”, complementa. “Existem vários coletivos de mulheres DJs, todas podem mixar a humanas, e elas estão sempre apoiando outras mulheres a se tornarem DJs”, conta Flavia. "Acredito que a importância das mulheres dentro da profissão está na colaboração. Elas não guardam conhecimento só para si, estão sempre compartilhando e ajudando umas às outras”, conta, ressaltando a importância da colaboração feminina para o crescimento na cena. Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - UniSantos sob supervisão da professora Lidiane Diniz e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes