[[legacy_image_276895]] Depois de quase três anos e meio fechado, o Instituto Médico Legal (IML) de Santos tem prazo previsto para voltar a funcionar: até o final de 2023, na Rua Bernardo Browne, 122/124, no Bairro Estuário. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A informação é da Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), responsável pelo equipamento e pelo serviço prestado. O local também abrigará o Instituto de Criminalística da Cidade. Segundo a pasta, as obras estão em fase de finalização e seguem o cronograma estabelecido, anunciado no último trimestre. Após a adequação física, será realizada a ligação da energia elétrica e de esgoto. O novo mobiliário já foi adquirido e está sendo instalado. A Secretaria de Segurança também observa que já foi anunciada a abertura de concursos públicos para o preenchimento de várias vagas, incluindo as de 116 médicos-legistas e outras carreiras relacionadas à Polícia Técnico-Científica. “Assim que concluídos os concursos, haverá a distribuição que irá contemplar unidades em todo o Estado”, completa a nota. ProvidênciasEm reunião realizada neste mês, na sede da Secretaria de Segurança Pública, na Capital, o secretário de Estado de Segurança Pública, Guilherme Derrite, chegou a comunicar ao prefeito Rogério Santos que o IML voltará a funcionar no Município em breve, de acordo com a Prefeitura. A Administração santista também explica que o projeto de reforma do imóvel particular foi aprovado no âmbito municipal em setembro do ano passado. Na ocasião, foi emitido o alvará de execução da obra de adaptação do edifício, alugado para o Governo do Estado. O Poder Público observa ainda que, após a conclusão das intervenções, o responsável pelo imóvel tem que solicitar à Secretaria de Finanças o alvará de licença para localização e funcionamento da atividade urbana no local. Longa novelaA situação do IML em Santos traz duas novelas que se cruzam: o fechamento na Cidade e a polêmica sobre o novo local. O serviço foi mantido por anos na Avenida Martins Fontes, no Bairro Saboó, perto da entrada do Município. Os atendimentos pararam de serem feitos em março de 2020, em razão de danos estruturais causados pelas fortes chuvas no início daquele mês. O IML de Praia Grande passou a receber as demandas. Os problemas, porém, eram mais antigos, ligados à falta de efetivo e de recursos para o trabalho diário. Tanto que, no ano anterior (2019), se arquitetava a transferência do IML para a Rua Bernardo Browne, em área residencial da Cidade. Entre audiências públicas, dúvidas e polêmicas, essa longa trama ganhou um capítulo decisivo para ser levado ao ar até o fim deste ano. Vizinhos insatisfeitosDiante de um prazo determinado para o início das atividades nas novas instalações do Instituto Médico-Legal de Santos (IML), os moradores da Rua Bernardo Browne, no Bairro Estuário, praticamente se deram por vencidos, depois de lutarem contra a presença do empreendimento. As preocupações, no entanto, não cessaram. “Vai ser ruim para a gente, na minha opinião. Pelo movimento e pelo cheiro que possa ter, mas fazer o quê. Não tem jeito”, comentou a doméstica Marina Tavares, que reside em frente. Vizinha de muro com o edifício do futuro IML, a aposentada Laurinda Maria de Godoy Camargo aponta para rachaduras na entrada do apartamento térreo, onde mora há 25 anos, e que foram causadas pela obra. “O Governo tem tantos imóveis por aí e foram escolher justamente esse”, questiona. “O grande movimento e o cheiro são problemas. Também é verdade que haverá mais iluminação e segurança”, emenda. Proprietária há 36 anos de um comércio de alimentos na mesma calçada - só uma casa está entre o edifício e o estabelecimento -, Angela Maria também não se ilude, depois de mais de seis décadas como moradora. “Falam que (a presença do IML) vai trazer mais segurança. Mas nunca tivemos problemas com isso. Eu, como comerciante, poderia comemorar porque o movimento me beneficiaria. Mas lutei, como todos os outros moradores, contra o IML aqui”, resume. Marido de Angela, o também comerciante Valter Venceslau dos Reis é outro que está preocupado. “Esteticamente, ficou muito bom. O problema é o que vem depois, com armazenamento de drogas e armas apreendidas, além da presença de bandidos, com exames de corpo de delito sendo realizados”, argumenta. Outro lado // A Superintendência da Polícia Técnico Científica (SPTC) esclarece que a nova instalação atende aos requisitos da legislação, que exige cumprimento de política de resíduos sólidos e líquidos, em atendimento a Vigilância Sanitária e devidas inspeções. Todo o projeto, segundo a SPTC, foi alinhado junto à Prefeitura e Câmara da cidade, incluindo a realização do Estudo de Impacto de Vizinhança, com o intuito de evitar qualquer intercorrência.