Antiga escola Acácio de Paula Leite Sampaio, na Vila Nova, vai abrigar a nova sede da Câmara de Santos (Alexsander Ferraz/ AT) A reforma do prédio da antiga Escola Acácio de Paula Leite Sampaio, na Vila Nova, em Santos, no litoral de São Paulo, deve ser concluída em setembro deste ano. A nova previsão foi confirmada pelo presidente da Câmara Municipal de Santos, Adilson Júnior (PP), após o prazo anterior, estimado para junho, não ser mantido. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo ele, o cronograma foi impactado por uma série de fatores ao longo da execução. “A gente vai, possivelmente, se nada acontecer, para setembro. Obra nesse nível, de restauro de um bem tombado e que ficou 10 anos parado, encontra percalços no meio do caminho”, afirmou. O custo da intervenção segue em R\$ 18 milhões, sem reajustes até o momento. Etapa atual e andamento De acordo com o presidente da Câmara, cerca de 50% da obra já foi concluída. A fase atual envolve serviços estruturais e de acabamento, como instalação elétrica, sistemas hidrossanitários, climatização e concretagem do piso térreo. A Tribuna esteve no local e constatou o avanço dos trabalhos. No interior do prédio, salas já contam com preparação para pintura, infraestrutura de fiação e equipamentos de ar-condicionado instalados. A fachada está praticamente finalizada, restando apenas ajustes pontuais. O prédio, que foi construído em 1969, também será a sede da Escola do Legislativo e da Cidadania (Alexsander Ferraz/ AT) Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi a instalação de um elevador no centro da estrutura. O equipamento vai ligar o subsolo ao segundo andar e exigiu a abertura de um vão vertical em toda a edificação, construída integralmente em concreto, sem o uso de alvenaria convencional. A equipe também acessou a laje superior, onde está sendo aplicada uma manta para proteção contra infiltrações. No local, antigas aberturas de ventilação natural foram fechadas e substituídas por vidros, já que o prédio será totalmente climatizado. Metade da obra já foi concluída; previsão é que acabe em setembro (Alexsander Ferraz/ AT) Motivos dos atrasos Segundo Adilson Júnior, os atrasos estão ligados principalmente às características do imóvel e às mudanças feitas no projeto original. O prédio, construído em 1969 e tombado, exige aprovações de órgãos de preservação para qualquer intervenção, o que torna o processo mais demorado. Além disso, houve alterações significativas no projeto durante a execução. Entre as mudanças, estão a inclusão de uma área de coworking aberta ao público, uma sala sensorial voltada a pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e a adaptação do espaço para receber elevador, item inexistente na estrutura original. “Quando você altera o projeto, precisa rever execução, viabilidade financeira e estrutura. Tudo isso impacta no prazo”, explicou. Outro desafio citado foi o próprio modelo construtivo do prédio, em estilo brutalista, com estrutura maciça de concreto, o que dificulta intervenções internas. Apesar da nova previsão, o presidente do Legislativo reconhece que obras desse porte podem sofrer imprevistos. “A gente pode cravar setembro hoje, porque não há nenhum elemento que indique novo atraso. Mas obra é dinâmica. Se surgir algum problema, pode impactar”, afirmou. No canteiro, a avaliação da equipe técnica e dos engenheiros responsáveis é de que o cronograma atual deve ser cumprido, desde que não haja intercorrências ao longo dos próximos meses. Uso do espaço O imóvel reformado vai abrigar a nova sede da Câmara Municipal de Santos e as atividades da Escola do Legislativo e da Cidadania, que já existe como departamento da Casa. A proposta é ampliar a oferta de cursos gratuitos voltados a jovens, estudantes e à população em geral, além de abrir espaço para novas atividades educacionais e de formação profissional. O presidente da Câmara destacou três principais impactos da obra. O primeiro é urbanístico, com a revitalização de uma área da Vila Nova e do Centro que estava degradada. O prédio ficou cerca de uma década sem uso. O segundo é educacional, com a ampliação das atividades da Escola do Legislativo, incluindo a possibilidade de parcerias para oferta de cursos reconhecidos. Por fim, o terceiro impacto está relacionado à participação popular. Com um espaço mais amplo e estruturado, a Câmara pretende ampliar a realização de audiências públicas e eventos simultâneos, facilitando o acesso da população às discussões do Legislativo.