Chaguinhas serviu na Casa do Trem Bélico, na Rua Tiro Onze; liderou movimento por igualdade militar (Sílvio Luiz/ AT) Uma nota de repúdio levou à retomada da discussão de um projeto de lei rejeitado em maio. O Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e de Promoção da Igualdade Racial criticou a Câmara de Santos por não aprovar um projeto de lei para mudar o nome da Rua Tiro Onze, no Centro, para Rua Chaguinhas. O documento está no Diário Oficial desta quarta-feira (15). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A proposta partiu do vereador Francisco Nogueira (PT) e foi derrubada por 11 votos a quatro. Na moção, o conselho argumentou que se impediu avanço no reconhecimento da memória de Francisco José das Chagas, o Chaguinhas, apontado como figura relevante para a história de Santos, da luta popular e da resistência negra no Brasil. O presidente do conselho, Wellington Araújo, afirmou que a rejeição repercutiu fortemente entre integrantes do movimento negro. “O Chaguinhas foi um líder negro de uma revolta militar por igualdade no século 19. É muito importante exaltar pessoas que fizeram algo em prol da igualdade racial e da luta antirracista.” Na moção, o conselho aponta racismo estrutural na rejeição da proposta, relacionado às desigualdades históricas enfrentadas pela população negra e à dificuldade de garantir maior representatividade. Autor do projeto, Nogueira se disse surpreso com a rejeição porque, segundo ele, projetos alusivos a homenagem costumam tramitar sem obstáculos quando têm pareceres favoráveis da Casa. O vereador afirma que a homenagem tem relação direta com a história da Casa do Trem Bélico, pois Chaguinhas foi cabo militar em Santos e liderou um movimento pelo pagamento de soldos atrasados e por igualdade de tratamento entre soldados brasileiros, portugueses e indígenas. “Não vamos desistir de buscar essa homenagem.” Posição O presidente da Câmara, Adilson Júnior (PP), afirmou ter recebido a moção de repúdio com naturalidade, mas “cada vereador vota da forma que entende. Isso precisa ser respeitado. Não posso falar pela Câmara sobre as razões individuais de cada voto”. Adilson disse que a Câmara está disposta a dialogar com o conselho e com a sociedade. A eventual reapresentação da proposta dependerá de iniciativa parlamentar. A Prefeitura informou não ter estudos para mudar o nome da Rua Tiro Onze.