[[legacy_image_40800]] Com 49 anos de existência, uma pequena loja no Centro de Santos, na Rua Itororó, chama atenção por sua função – consertos de relógios analógicos de pulso, mesa e parede. Em tempos de celulares e smartwatch, o negócio de José Messias dos Santos, de 73 anos, é uma relíquia de hábitos antigos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! [[legacy_youtube_f3qT3ZoFAh0]] Curioso e observador desde a infância, Messias conta que tem memórias de menino, quando já tinha o hábito de desmontar brinquedos e objetos, talvez por incentivo do pai que era maquinário. “Eu lembro de destruir as coisas, desmontar e não conseguir montar de novo”, contou. Confira na videorreportagem acima. Por fim, ao ser questionado sobre como é a rotina em meio a tantos elementos do passado comparou, de forma metafórica, seu ofício à vida. “O ‘tic tac’ é que nem o coração que à vezes está acelerado, porque a pessoa está agitada”. E reclamou de quem passa apressado pelos arredores de sua loja. Foi então que aos 13 anos começou a trabalhar em uma relojoaria da Avenida Pedro Lessa, depois passou por mais três estabelecimentos do gênero até enfim abrir a própria loja, Casa Clock, no Centro de Santos, há 49 anos. Na época de ouro do trabalho do relojoeiro, quando os relógios ainda não tinham sido substituídos por smartphones, Messias chegou a fazer consertos de seis relógios por dia. [[legacy_image_40801]] Contudo, com a mudança de hábitos e ritmo de vida cada vez mais acelerado, o dono da Casa Clock viu a clientela cair e hoje recebe clientes fieis, sendo a maioria idosos, que o procuram para resolver problemas com baterias de relógios e troca de pulseiras, por exemplo. Ele conta que as visitas que recebenormalmente são por causa do valor afetivo presente em cada objeto, já que muitos relógios que recebe no local passaram de geração a geração em famílias, ou então são de igrejas tradicionais da Baixada Santista e litoral de São Paulo, como a Igreja do Carmo, em Santos. Além da carga emocional, a Clock Clock preserva relógios centenários, alguns datados do século XVIII, carregados de histórias de tempos antigos. Durante a entrevista, Messias mostrou detalhes de "cucos" e até de um modelo que toca uma versão de “Ave Maria”, de acordo com as horas.