[[legacy_image_9353]] Evelin Paula Goes dos Santos, de 17 anos, tinha apenas 4 quando foi para a Casa Vó Benedita, que acolhe crianças em situação de risco, abandono ou vítimas de maus-tratos. Apesar de duas adoções que não deram certo, por 12 anos sonhou em novamente fazer parte de uma família. E, graças à adoção tardia, ela finalmente realizou seu sonho. “Ficava triste de ver as outras crianças serem adotadas e eu continuar ali. Tinha muito medo de fazer 18 anos e sair para o mundo sozinha. Não sabia se conseguiria me virar”, conta Evelin, agora de casa e família novas, para incentivar outros pais no Dia Nacional da Adoção, comemorado neste sábado (25). Aos 16 anos, ela foi adotada de novo e teve seu destino mudado. “Estou muito feliz e gosto muito da minha família. O jeito que eles cuidam de mim é algo muito especial”. Evelin e sua mãe já se conheciam há 12 anos. Ela só não imaginava que depois de tanto tempo passariam a compartilhar uma rotina que ia além do trabalho de Solange Baptista, de 55 anos, monitora da Casa Vó Benedita. “Em 2017, ela veio passar as férias na minha casa. Sempre nos demos bem e conversamos muito, mas na hora de ir embora ela quis ficar. E eu também a quis aqui”, diz Solange. Depois disso, Evelin passou a frequentar a casa e, há três meses, finalmente saiu a adoção definitiva. “Eu trabalho muito e já tenho duas filhas adultas, sabia que um bebê não teria a ver com o meu perfil. A nossa história era para ser”, diz Solange. Evelin concorda. “A gente se diverte juntos e eles sempre me deram carinho. Tenho vários planos para o futuro”. Projeto A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, garantiu que o governo lançará, até o segundo semestre, uma campanha de incentivo à adoção tardia. Também é estudado enviar ao Congresso um projeto de lei para promover mudanças na Lei da Adoção. “Observamos que o número de crianças que estão ficando nos abrigos é a partir de três anos”, disse a ministra, durante seminário da Câmara dos Deputados para debater o tema. Números Segundo o Sistema Integrado do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), existem mais de 45 mil interessados em adotar e 9 mil crianças e adolescentes à espera de uma nova família. Dessas, 67,6% têm entre 7 e 17 anos, 55% têm irmãos e ao menos 25% apresentam algum problema de saúde.