[[legacy_image_277696]] Depois que perdeu a avó, Ricardo da Costa ficou deprimido. Viciou-se em cocaína. Foi levado ao uso da droga por “amizades” e passou a viver nas ruas. Hoje, luta contra a abstinência com apoio da equipe do local onde está morando: a Seção de Acolhimento e Abrigo Provisório de Adultos, Idosos e Famílias em Situação de Rua (Seacolhe) de Santos. Atualmente com 59 anos, Costa também foi um dos que aproveitaram o 1º Mutirão de Atendimento à População em Situação de Rua, o Pop Rua Jud Santos, na Vila Criativa Vila Nova (Praça Rui Ribeiro Couto, s/nº, Paquetá). O trabalho começou ontem e se estende hoje, com serviços públicos essenciais para pessoas em situação de vulnerabilidade. Ricardo da Costa foi “tirar certidão, RG, título de eleitor e, principalmente, recuperar minha autoestima”. Isso, em meio à luta pessoal para não cair no vício outra vez. “Me incomoda a (situação de) rua, então eu pedi acolhimento e ajuda para sair dessa situação horrível”, diz. “A abstinência faz a gente perder a família e autoestima, então (o mutirão) está sendo bom para nós.” ServiçosQuem vai ao mutirão pode pedir emissão de documentos, consulta e liberação de FGTS, seguro-desemprego e auxílio emergencial, orientação sobre Cadastro Único, regularização para estrangeiros, aconselhamentos jurídicos e acolhimento. Também há acesso a ações de saúde e autoestima, como corte de cabelo, prevenção de saúde bucal, exames de testagem rápida, doações de roupas e castração e vacinação de animais. [[legacy_image_277697]] Direitos desconhecidosDe acordo com Marisa Cucio, juíza federal em auxílio à Presidência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que coordena a ação, o mutirão cumpre uma resolução do Conselho Nacional de Justiça, que recomenda aos tribunais melhorarem o acesso à justiça das pessoas em situação de rua. Por isso, o Poder Judiciário e a Prefeitura de Santos organizam o evento. “A gente descobriu que não adianta dar acesso à Justiça para uma pessoa que não tem documento, porque assim ela não consegue protocolar o pedido dela”, explica Marisa. A partir daí, o leque de serviços oferecidos se abriu. Segundo a vice-prefeita Renata Bravo (PSDB), também secretária da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos, o mutirão reúne todas as secretarias municipais. “Tem pessoas que têm direitos e nem desconfiam”, afirma. O prefeito Rogério Santos (PSDB) acrescenta que o evento é uma forma de entidades atenderem a população vulnerável com mais eficiência. “Existem muitas ações dispersas que acabam não contribuindo com o serviço público, fazendo com que essas pessoas se perpetuem na situação de rua”. Ainda de acordo com o prefeito, haverá uma campanha para conscientizar a população como agir ao se deparar com alguém que necessite de ajuda. “O cidadão deve ajudar a encaminhar essas pessoas para os serviços da Prefeitura pelo telefone 153”, da Guarda Civil Municipal. Até quem tem casa está atrás de auxílioMesmo pessoas que têm moradia fixa buscaram atendimento no 1º Mutirão de Atendimento à População em Situação de Rua. Marcos Roberto Cardoso, de 52 anos, relata ter buscado auxílio por considerar que seu futuro é incerto. “Estou desempregado e não sei como vou pagar o aluguel no mês que vem”, desabafa. Ao chegar ao mutirão, Cardoso diz ter descoberto direitos que desconhecia. “Fiquei sabendo que tenho direito ao Fundo de Garantia, mas meu RG não está válido por estar rasgado. Então, vou aproveitar e tirar outro”, conta. VizinhaA artesã Débora Macedo, de 54 anos, mora em frente à Vila Criativa e conta ter sido atraída ao mutirão, que tem música e outras atividades culturais. Ela aproveitou para pegar roupas doadas e resolver pendências. “Estou vendo tudo o que tem aqui. Vim fazer exames, arrumar meu título de eleitor e dar vacina para o cachorro”, descreve.