[[legacy_image_239623]] Quem pede um carro por aplicativo em Santos e entra no veículo de Jefferson Silva dos Santos, encontra mais do que uma viagem comum. Isso porque também é possível ‘viajar’ pela história do próprio motorista, que compõe músicas e sonha em viver da arte. Aos 36 anos, ele encontrou no trabalho diário uma forma de ir atrás de seus objetivos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Estou levando você ao seu destino, mas é você quem me levará ao meu”. É com essa frase em uma placa afixada no banco de carro que o motorista recepciona seus passageiros. Ainda no ‘recado’, ele se apresenta como rapper, poeta e compositor. “O destino final é viver meu sonho, mas a viagem é longa e desistir não é uma escolha”, explica por meio da placa, que possui QR Code para que o passageiro possa acessar as plataformas que abrigam o trabalho de Jefferson como músico. Entre eles, seu último clipe. (assista mais abaixo) Em entrevista para A Tribuna, ele diz que trabalha como motorista de aplicativo há cerca de dois anos. “A ideia de divulgar (as músicas) já veio antes de começar. Na verdade, antes de finalizar a música que gravei o clipe, eu levava um ‘saquinho’ com poesias minhas para as pessoas, com mensagens de vários temas, desde superação até amor próprio, e sempre foi muito bem aceita”, ressalta, dizendo que quando concluiu o trabalho da música, trocou o saquinho de poesias pelas plaquinhas com a divulgação do clipe, do link do Spotify e das redes sociais. [[legacy_image_239624]] Segundo Jefferson, ele recebe feedback dos passageiros. “As pessoas gostam da letra e curtem o clipe. O retorno com seguidores com palavras de incentivos tem sido bem positivo”, enfatiza. Desta forma, o morador da Vila Mathias criou uma conta do Instagram para divulgar o trabalho como motorista e artista e deu o nome de ‘rapperuber’. Por meio deste trabalho, ele almeja visibilidade de algum investidor ou empresário que acredite em seu propósito e o ajude. “Ser artista independente em Santos é muito difícil, quase não sobra dinheiro para investir, pois também há as responsabilidades que vida adulta traz. É um trabalho de formiguinha, mas eu sigo focado e na fé”. [[legacy_youtube_sAvXIgkC9QA]] CarreiraConhecido pelo nome artístico de Pelezinn 2P, o artista conta que compõe desde 2007, quando começou em Guarujá. “Eu ficava na rua com os amigos fazendo rima, mas nunca levei a sério, era só diversão”, relembra, dizendo que sempre foi incentivado a seguir na área por quatro amigos, até que um deles o surpreendeu na quadra da Escola de Samba Mocidade Amazonense o colocando para rimar no intervalo entre as atrações de um evento. “O público gostou e assim nasceu o Pelé da Rima, que futuramente viraria Pelé da 11”, explica, dizendo que foi a partir daí que começou a escrever letras de funk consciente e passou a levar a música a sério. “Uma dessas letras tive a honra de gravar com o Mc Primo. A música ‘Já era’ é de minha autoria”. De acordo com o santista, ele cantou por quatro anos e chegou a fazer “sucesso na cena local”, mas as dificuldades que surgiram com a vida, entre elas a depressão, o fizeram desistir. “Nunca parei de escrever, porém já não escrevia músicas, escrevia poesias como forma de desabafo”, relembra. Em 2017, Jefferson voltou a postar as poesias e, com incentivo de duas amigas, criou páginas para divulgar o trabalho. “As letras eram fortes e muita gente se identificava”. No ano seguinte, ele teve contato com o torneio de poesia falada, conhecido como Slam, na capital paulista e ficou “encantado”. Desta forma, procurou o torneio na Baixada Santista e ao encontrar, saiu como vice-campeão na primeira participação. Na segunda, foi campeão no Teatro Guarani. “Em 2019 criei meu próprio Slam, o Slam ZN, da Zona Noroeste de Santos. Então passei a me dedicar à poesia falada, e hoje sou um poeta competidor também”. [[legacy_image_239625]] Foi por meio do Slam que ele trocou o nome de “Pelé da 11” para Pelezinn 2P (Papel e Poesia). No entanto, com a pandemia de covid-19 no ano seguinte, ele interrompeu as competições e retornou às composições musicais. “Não mais com funk, mas com o rap. Desde então, não parei mais”. “O rap sempre fez parte da minha vida, por ser morador de periferia, sempre me identifiquei com a realidade nas letras”, afirma, dizendo que entre suas referências estão Racionais, 509-E, Sabotage, MV Bill, Djonga e Kyan. SonhoAtualmente, Jefferson busca pelo sonho de viver não apenas da música, mas da arte como um todo. “Quero estudar teatro, tenho um sonho de participar de algo na TV ou streaming”. Com cerca de 50 letras de poesia, ele também almeja conquistar uma parceria com alguma produtora musical para ritmá-las. Somente em composições de música, Pelezinn 2 P coleciona cerca de 40 letras. “Elas se dividem em músicas solos, feats e sets”, explica. Desde quando começou em 2007, Jefferson dividiu palco com artistas como Duda do Marapé, Gil do Andaraí, Mc Primo, Mc Kauan e Felipe Boladão. Agora, quer ter a oportunidade de mostrar algumas composições que escreveu pensando em participações com nomes como Leci Brandão, Poze do Rodo, Mc Lipi, Paulin da Capital, Ferrugem e Pelé MilFlows. “Depois que voltei a compor em 2020, gravei um clipe que tem a letra e o roteiro de minha autoria”, fala sobre o trabalho que possui mais de 19,5 mil visualizações no YouTube e 3,4 mil plays no Spotify. “Foi a primeira música que fiz um trabalho completo, com produção musical, videoclipe e outras plataformas”. [[legacy_image_239626]] Nascido e criado em Santos, Jefferson afirma que o fato da Baixada Santista ser uma “escola de grandes MCs” que começaram com o funk de São Paulo é uma inspiração, pois foi neste gênero que ele também entrou na música. Além disso, Pelezinn 2P se inspira nas próprias vivências. “A realidade da periferia. Pelas crianças e jovens que leem meus versos e precisam de uma mensagem positiva ou de incentivo”, finaliza.