[[legacy_image_202994]] O Museu de Arte de Santos (MAS), a ser construído no estacionamento da Pinacoteca Benedicto Calixto, no Boqueirão, promete ser uma referência. Além de levar a assinatura do notório arquiteto Paulo Mendes da Rocha (1928-2021), a construção do museu primará pelos princípios das normas ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança). Cada vez mais valorizados no universo corporativo, estes três pilares devem direcionar a realização da obra. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Posta em pauta desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, a Eco-92, em 1992, a agenda ESG está presente no projeto. Assim diz o arquiteto Nelson Gonçalves de Lima Júnior, diretor técnico da Pinacoteca e representante do Gabinete do prefeito Rogério Santos (PSDB) no projeto de construção do MAS. “Será um edifício com elementos que levem a um baixo consumo de energia, com peças para captação de energia, na questão da água, de captação e reúso. A ideia também é trabalhar com mão de obra local e tentar que os materiais venham de um raio de distância mais próximo”, aponta Lima Júnior. No aspecto social, o diretor técnico salienta que o MAS dará uma dimensão ainda maior ao papel que a Pinacoteca exerce na Cidade e na região. “O museu será uma casa para todos, como é a Pinacoteca”. Sobre a governança, Lima Júnior frisou o comprometimento dos envolvidos. “Por mais que o equipamento seja da Prefeitura — a Pinacoteca e o terreno de trás —, não se há de esquecer que quem faz a gestão daquele lugar é um colegiado de gente muito ligada à cultura da Cidade.” Com o projeto aprovado na Prefeitura e no Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), a expectativa é que isso estimule a captação de recursos para a construção do museu, orçado em R\$ 45 milhões. “Que empresa não gostaria de ter o seu nome associado a um trabalho com essa visibilidade, como o Museu de Arte de Santos?”, indaga. ReferênciaConcebido há 12 anos por Paulo Mendes da Rocha, o MAS pode se tornar uma referência no País, acredita o diretor técnico da Pinacoteca. “Em Bilbao, na Espanha, numa reunião entre governantes e sociedade civil organizada, decidiram que um dos pontos para mudar o cenário econômico da cidade seria ter uma âncora turística. Fizeram contato com a Fundação Guggenheim e construíram o museu que, antes da pandemia, já era o quarto destino da Europa no turismo. Quando você finca um equipamento desses, ele irradia uma série de outras ações.” Para Lima Júnior, Santos tem um importante trunfo para seguir o mesmo caminho, com o projeto de um dos dois arquitetos brasileiros agraciados com o Prêmio Pritzker, o Oscar da Arquitetura. Além de Paulo Mendes da Rocha, só Oscar Niemeyer recebeu a premiação. “Olha a importância que tem isso. Esse ganho para Santos vai ser brutal. A saúde financeira da Cidade está muito boa, o Porto sempre ancorando nossas finanças, mas isso não impede que a gente enxergue, para um futuro próximo, que possa melhorar, com o circuito cultural que envolve um museu desse porte”. [[legacy_image_202995]] Projeto originalVencedor do Prêmio Pritzker, considerado o Nobel da Arquitetura, Paulo Mendes da Rocha morreu em maio do ano passado sem ver o museu sair do papel, mas coube a um dos escritórios mais conceituados do Brasil, o Metro Arquitetos Associados, de São Paulo, a responsabilidade de levar o projeto adiante. O fundador do escritório, o argentino radicado em São Paulo, Martin Colluron, trabalhou por décadas com Rocha. “A gente tem uma história longa, de quase 30 anos de colaboração com o Paulo (Mendes da Rocha). Toda a minha vida profissional foi junto com ele, desde o começo, como aprendiz, estagiário, arquiteto e, depois, parceiro. É uma grande responsabilidade e prazer poder levar adiante um projeto com que ele tinha um envolvimento afetivo tão grande quanto esse, sempre gostou muito e que a gente fez com tanto empenho”, comenta Colluron. Ligado a projetos do universo da arte, como a Galeria Leme, em São Paulo, também concebida por Rocha, o escritório de Martin Colluron é responsável, entre outros, pelo projeto de expansão do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Empolgado com a possibilidade de ver o Museu de Arte de Santos se concretizar, o arquiteto detalhou para A Tribuna os conceitos da obra. “É um projeto que reúne várias virtudes, como se fosse uma junção de vários projetos com características interessantes reunidas numa só. Associada a uma instituição relevante (Pinacoteca), com uma coleção relevante, um térreo livre, que faz uma conexão urbana entre a via do fundo (Avenida Epitácio Pessoa) e a avenida da praia (Avenida Bartolomeu de Gusmão).” *colaboração: Sandro Thadeu