A história da estrutura está ligada ao processo de urbanização da Ponta da Praia. (Vanessa Rodrigues/Acervo AT) A tradicional mureta da Ponta da Praia, um dos elementos mais reconhecidos da paisagem de Santos, pode ganhar proteção oficial como patrimônio cultural do município. O processo de tombamento avançou na última semana, quando uma audiência pública reuniu representantes do poder público e da sociedade na Associação Comercial de Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O encontro foi promovido pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa) e teve como objetivo apresentar os estudos técnicos que embasam a proposta, além de ouvir manifestações, sugestões e contribuições da população. As considerações apresentadas serão analisadas antes da decisão sobre o tombamento. O trecho incluído no processo fica na Avenida Rei Pelé, antiga Avenida Saldanha da Gama, entre a Rua Carlos de Campos e a Praça Almirante Gago Coutinho. A proposta prevê a preservação da estrutura original e também a abertura de estudos para que a mureta seja reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Santos. Mais do que uma estrutura à beira-mar Segundo os estudos apresentados durante a audiência, a importância da mureta vai além de sua função física. Ao longo das décadas, ela passou a fazer parte da memória e da identidade dos santistas, associada à relação da população com o mar, ao turismo, à pesca, ao esporte e à convivência na orla. O secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade e presidente do Condepasa, Glaucus Farinello, destacou que a audiência é uma etapa para garantir a participação da sociedade no processo de reconhecimento do patrimônio. O estudo responsável por fundamentar a proposta foi elaborado pelo gestor público Thales Veiga. De acordo com ele, a mureta representa uma relação construída historicamente entre os moradores e o mar. A estrutura também extrapolou o espaço físico da orla e passou a aparecer em imagens, lembranças, campanhas publicitárias, tatuagens, objetos e outras manifestações ligadas à identidade santista. Mureta foi inaugurada há mais de 80 anos A história da estrutura está ligada ao processo de urbanização da Ponta da Praia. As muretas foram inauguradas em 2 de julho de 1945, como parte das obras realizadas no bairro entre 1943 e 1945. O projeto havia sido elaborado em 1941 pelo engenheiro Carlos Lang. A Ponta da Praia foi uma das últimas regiões de Santos a passar por uma urbanização mais intensa e consolidou, ao longo do século 20, uma relação particularmente forte com o mar. A mureta acabou incorporada a essa paisagem. Além da própria estrutura, o projeto original estava relacionado a outros elementos que ainda fazem parte do cenário da região, como as rampas e a Ponte Edgard Perdigão. O que acontece agora? O pedido para abertura do estudo de tombamento foi protocolado em 20 de fevereiro de 2026 pelo conselheiro Rafael dos Santos Oliva, representante do Gabinete do Prefeito no Condepasa. Em março, o conselho aprovou a abertura do processo. Em abril, o Condepasa determinou a preservação provisória do trecho original da mureta entre a Praça Almirante Gago Coutinho e a Rua Carlos de Campos. A resolução estabelece que intervenções físicas, modificações ou remoções dependem de análise e aprovação prévia do conselho enquanto o processo estiver em andamento. Agora, o Condepasa deverá analisar as contribuições apresentadas na audiência e deliberar sobre o prosseguimento do processo de tombamento e dos estudos para o eventual reconhecimento da mureta como patrimônio cultural imaterial. Segundo a Prefeitura, a proposta é garantir a preservação de um elemento considerado relevante tanto por suas características materiais quanto pelo valor simbólico adquirido ao longo das décadas.