[[legacy_image_237368]] Depois de dois anos sem desfiles de escolas de samba em Santos, em razão da pandemia da covid-19, o Carnaval volta à Passarela Dráuzio da Cruz, no Castelo. A festa está marcada para praticamente daqui a um mês, nos dias 10 e 11 de fevereiro, uma semana antes da data oficial da folia de Momo. A expectativa é total entre os integrantes das agremiações e a comunidade do samba. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Espera-se que seja um recomeço à altura da história do nosso Carnaval, com o público finalmente reencontrando as escolas. Isso já vem acontecendo nos ensaios e na ótima experiência que tivemos no evento Carnaval Solidário, mas certamente nada vai se comparar à emoção do desfile oficial. Nossa saudade tem dia para acabar”, afirma Fábio Przygoda, presidente da Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos (Licess). NovidadesAlgumas novidades já foram divulgadas pelo Poder Público nas últimas semanas, como os valores da subvenção da Prefeitura. Cada uma das nove agremiações do Grupo Especial terá direito a R\$ 170 mil (R\$ 1,53 milhão ao todo) de subvenção por parte do Poder Público, e cada uma das sete do Grupo de Acesso, a R\$ 85 mil (R\$ 595 mil no total). O aporte total será de R\$ 2,125 milhões. As importâncias são superiores às de 2020, último ano em que houve desfile na Cidade. Na época, as escolas do Grupo Especial receberam R\$ 120 mil cada, e as do Acesso, R\$ 60 mil. EstruturaA empresa responsável pela estrutura do desfile também já foi definida pela Administração Municipal em licitação: a Cape Feiras e Eventos. Os serviços previstos são os de instalação, montagem e desmontagem da infraestrutura e de locação de estruturas e outros equipamentos, incluindo todos os materiais e mão de obra necessários. O valor será de R\$ 2,2 milhões. Estão incluídos arquibancadas, mobiliário, fechamentos e coberturas com lona, tapadeiras e barreiras, instalações hidráulicas e elétricas, colocação e manutenção de sanitários químicos, catracas e equipamentos de segurança. A novidade na estrutura do desfile será a instalação de camarotes para atender os foliões que aproveitarão os dois dias de evento. EspaçoEmbora licitada, a quantidade de espaços ainda não foi definida por causa da questão de espaço do entorno da Passarela do Samba. O motivo é que ele diminui cada vez mais em razão de empreendimentos imobiliários, afetando as áreas de concentração e dispersão das escolas. Com isso, a empresa ainda irá fazer estudo da situação do local e, assim, definir o número exato, que pode até ser menor. Desta forma, o valor do contrato seria ajustado para baixo. “Estamos estudando a remodelação da estrutura que será colocada à disposição do Carnaval, buscando parcerias para dar toda a qualidade de uma festa que é a da retomada. Teremos os camarotes e algumas novidades, mas ainda nada de concreto. Ainda não podemos revelar, mas serão grandes novidades”, afirma o prefeito Rogério Santos (PSDB). A capacidade total do complexo da Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, que contará também com frisas e arquibancadas, é de 10 mil pessoas por noite. O preço e a data do início da venda de ingressos para os desfiles ainda serão divulgados pela Prefeitura de Santos. OrdemA ordem das agremiações foi definida em 6 de setembro pelos responsáveis pelo evento. No primeiro dia, entrarão na passarela, pela ordem, Dragões do Castelo, Zona Noroeste, Bandeirantes do Saboó e Vila Mathias, que estão no Grupo de Acesso. Na sequência, desfilam quatro escolas que integram o Grupo Especial: Brasil, Amazonense, X-9 e Mãos Entrelaçadas. Na noite seguinte, as primeiras agremiações a desfilar serão do Grupo de Acesso: Padre Paulo, Império da Vila e Imperatriz Alvinegra. Em seguida, as demais cinco escolas do Grupo Especial fecham o desfile: Sangue Jovem, Unidos dos Morros, Real Mocidade, Independência e União Imperial. Ritmo intensoAs campeãs dos grupos Especial - a Unidos dos Morros - e de Acesso - a Sangue Jovem - do Carnaval de Santos de 2020 estão a todo vapor na preparação de seus desfiles de 2023. Na Unidos dos Morros, o presidente Fábio Fernandes Carvalho, o Chitinha, contou que a escola está com 50% do trabalho pronto para a folia. “A cada dia, temos que nos transformar em dois. Estamos com seis ateliês preparando fantasias para que dê tempo. E o barracão está a mil por hora, trabalhando dia e noite para finalizar os carros alegóricos”, afirma. Na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, a Unidos dos Morros irá desfilar com 1.800 componentes, distribuídos em 16 alas e 2 carros alegóricos, além de dois tripés - estes últimos são minicarros alegóricos nos quais não são colocadas pessoas. O enredo será Desce o Morro Construindo História: Armênio Mendes, o empreendedor de sonhos. Ele conta a vida do bem-sucedido empresário na Cidade e que morreu em 2017. “(O tema) Era para ser já do Carnaval de 2021, mas não houve desfile, assim como no ano passado. Agora, com certeza, iremos apresentar esse enredo. Estamos muito ansiosos. A comunidade tem sede de desfile”, conta Chitinha. ReciclagemNa Sangue Jovem, a ordem é reaproveitar. “Nosso ateliê tem trabalhado há algum tempo na reforma de fantasias, com reaproveitamento de material de Carnavais passados que a gente vem guardando e de materiais recebidos para essa reciclagem. Em termos de fantasias, 40% a 50% já estão bem adiantados”, detalha Leandro Oliveira, carnavalesco da escola. O início de construção dos carros alegóricos da escola está previsto para a próxima semana. E o trabalho só não avançou mais em razão de dinheiro. “Os preparativos seguem a todo vapor, dentro do possível. A verba da Prefeitura não saiu ainda. O repasse será feito na segunda quinzena de janeiro. Estamos usando dinheiro de eventos que fazemos e recursos de pessoas que acabam ajudando de uma forma ou de outra para que tudo possa ter andamento”, explica o carnavalesco. Com 1.100 componentes, 15 alas, dois carros alegóricos e um quadripé, a Sangue Jovem irá homenagear Solange Cruz Bichara, presidente da Mocidade Alegre, uma das mais tradicionais escolas de samba paulistanas. Ela, inclusive, irá participar do desfile junto com o marido, o mestre Sombra, e o filho Sombrinha. O tema seria usado no ano passado, mas o cancelamento do desfile adiou os planos. “A parada nos prejudicou de diversas formas. Ficar dois anos sem desfiles faz com que a gente perca o timing, com muita gente indo para os grandes centros do Carnaval. É recomeçar todo um projeto para reconquistar o folião que vinha se acostumando com a estrutura e a consolidação desse trabalho, com desfiles todos os anos”, observa Leandro.