Mulher obtém na Justiça home care pago por plano de saúde em Santos

Com Atrofia de Múltiplos Sistemas, em poucos meses, Sandra de Oliveira ficou na cama

Em questão de meses, a rotina agitada e independente da dona de casa Sandra Maria de Oliveira Silva foi substituída por dores e limitações físicas. Logo, veio o diagnóstico de Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS), doença raríssima, neurológica e degenerativa.

Hoje, dois anos e meio após receber a notícia que mudaria sua vida, ela garantiu na Justiça o direito a um tratamento médico domiciliar. Segundo sua família, foram meses de insistência com o plano de saúde Prevent Senior.

A garantia foi expedida na última quinta-feira (25), pelo juiz Daniel Ribeiro de Paula, da 11ª Vara Cível do Foro de Santos.

A filha e professora Aline Oliveira Schuenher, de 40 anos, conta que sua mãe, de 65, é lúcida e conversa bastante com as filhas, apesar de já apresentar dificuldades para falar.

“Ela teve uma progressão muito rápida. Antes, cuidava dos netos e, agora, é totalmente acamada. A médica sempre foi paga pelo particular e alertou lá atrás que ela precisaria de fisioterapeuta, neurologista e fonoaudiólogo. Até a cama nós pagamos, mas tem uma hora em que precisaremos de ajuda”.

A filha explica que, movidas pela pressa de tentar ajudar a mãe e retardar a doença, nunca correram atrás dos benefícios do plano. “Hoje, ela só fica em pé para o banho e isso nem acontece todos os dias”.

Briga

Em 6 anos de plano de saúde, Aline conta que a mãe nunca atrasou um pagamento. Mas, na hora de pedir o home care, teve dificuldade. Primeiro, não havia resposta. Depois, quando foi entregue uma carta com os laudos dos especialistas explicando as dificuldades de Sandra e como a doença está progredindo, veio a negativa oficial.

“O plano liberou só o que achava necessário, mas não tinha a ver com o tratamento. Das sete vezes na semana que ela tinha fisioterapia, permitiu três. A visita do técnico de enfermagem seria uma vez na semana sendo que ela nem levanta mais”, diz Aline.

Justiça

A história só começou a virar quando a família de Sandra, que mora no Japuí, em São Vicente, entrou na Justiça para tentar garantir o home care, na última terça. Dois dias depois, o advogado Fabrício Posocco ligou para dar a boa notícia.

“No sábado, minha mãe já estava sendo atendida por um técnico 24h. Ela junta secreção, engasga e não temos condições de ajudá-la. É preciso uma pessoa qualificada para isso. Não haverá melhora nesse quadro dela”.

O plano de saúde Prevent Senior poderá recorrer da decisão. Procurado por A Tribuna, não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Sandra conseguiu na Justiça o direito de receber atendimento em casa (Foto: Arquivo pessoal)

Plano negou pedido após insistência

O advogado Fabrício Posocco explica que a família de Sandra procurou o escritório para dizer que o plano de saúde não queria cobrir o home care. “Quando isso aconteceu, pedi que procurassem os laudos médicos e juntassem essa documentação para fazer um requerimento pedindo o tratamento”.

Segundo o advogado, como o plano não respondia, elas foram atrás de um retorno pessoalmente. Diante da ameaça de chamarem a polícia, o Prevent Senior se manifestou com uma negativa.

“Diante disso, entramos na Justiça explicando a situação. A liminar foi concedida já no dia seguinte. É um caso bem urgente. As necessidades da paciente são complicadas e demandam tratamento especial”, explica Fabrício.

Comum

Essa situação é bastante comum, de acordo com o advogado. “Os planos sempre negam o home care, alegando que não faz parte dos tratamentos previstos pela Anvisa. Mas a ideia é exatamente o contrário, porque o médico que atende o paciente é que tem a noção de qual tratamento a pessoa precisa”.

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