[[legacy_image_255629]] Gritos, ameaças e ofensas fazem parte da rotina de um condomínio no bairro Encruzilhada, em Santos. Segundo os moradores, uma das condôminas tem constantes surtos que a tornam agressiva e, apesar da polícia ser acionada frequentemente, as atitudes se repetem. Quem mora no prédio, vive com medo das ameaças. (veja o vídeo mais abaixo) Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, uma das moradoras, de 23 anos, que prefere não se identificar, diz que o drama acontece há pelo menos 10 anos, mas desde o início de 2023, tem se intensificado. “A mulher em questão já tinha os surtos, gritava com a mãe e nós ouvíamos barulhos de coisas quebrando. Durante todos esses anos, os síndicos tentaram contato com a mãe dela, que nunca apresentou um laudo, mas dizia que ora estava sem dinheiro para medicação, ora tinha trocado a medicação e que precisava esperar fazer efeito”, afirma. De acordo com a denunciante, a situação foi se agravando com o tempo e chegou em um nível “insustentável para outros moradores”, pois os gritos incluem até pedidos de socorro. “Antes era de maneira esporádica, agora, começou a se tornar frequente”, relata, lembrando que tudo piorou quando uma outra moradora resolveu fazer uma reclamação. “As ofensas começaram a ser mais diretas. Ela (alvo da denúncia) começou a gritar pela janela termos como ‘macaca’, ‘preta suja’ e começou a ofender a moradora que é uma mulher negra”, conta. Segundo a jovem, em janeiro uma reunião de condomínio foi organizada para debater o assunto e, nela, um advogado orientou aos moradores a procurarem a polícia sempre que algo acontecesse. “Foi isso que foi feito. A família procurou um advogado e abriu um processo criminal, só que a partir daí, as coisas foram saindo muito do controle”, enfatiza a mulher. Com isso, a família do síndico também passou a ser alvo das agressões verbais e das ameaças. “Disse que ele (síndico) ia sair dali direto para o necrotério”, conta. Ainda segundo a denúncia, a mulher chuta a porta do síndico e já chegou a dizer que colocaria fogo no imóvel, gritando que a família gostava de gasolina. “E as ameaças contra a vizinha negra permanecem, ela grita o dia inteiro comentários racistas”. [[legacy_image_255630]] Por isso, os moradores se veem de mãos atadas. “Já fizemos vários boletins de ocorrência, a polícia tem ido constantemente, a semana inteira tem viatura indo lá. Só que a questão é que se ela não autoriza a subida deles (policiais), eles não podem subir. E ,teoricamente, o que eles falam para gente é que ela não cometeu nenhum crime e não podem prendê-la por conta disso”, explica. A jovem ainda diz que até medida protetiva já buscou saber como ter, mas o fato de ser da vizinhança complica. “Está uma situação bem complicada, estão todos aterrorizados. O prédio vizinho (comercial) já fez um abaixo-assinado porque as pessoas não conseguem trabalhar por conta dos gritos”, afirma, dizendo que o condomínio dela também já chegou a fazer um abaixo-assinado, além de aplicar multas, que não surtem efeito. Outra vizinha, de 49 anos, diz que tem receio inclusive pela mãe da acusada. “Ela é uma moça forte, a mãe dela é menor. A gente tem medo que ela possa atacar alguém e ela também pode machucar a mãe que vive com ela”, ressalta. A jovem de 23 anos diz que o objetivo principal ao denunciar o fato é buscar ajuda para a própria mulher alvo das acusações. “Desde que envolvemos a polícia, Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a administradora do prédio, ela começou a ter surtos maiores. Não queremos prejudicá-la. Entendemos que provavelmente ela tem alguma necessidade psiquiátrica. Então, se pudéssemos atingir uma proporção grande, quem sabe conseguimos até um tratamento”, finaliza. Visão legalO professor universitário e advogado Fabricio Posocco, do escritório Posocco & Advogados Associados, diz que além de chamar a polícia e realizar os boletins de ocorrência, o condomínio pode multar “àquele que habita o apartamento e pode ser considerado o responsável pela doente em surto”. De acordo com Posocco, a lei ainda permite que seja aplicada uma multa de até 10 vezes o valor da taxa condominial “em caso de reincidência e/ou o nível de perturbação atingir uma situação insustentável”. Além disso, segundo a orientação legal, em casos onde a multa não é suficiente para resolver a situação, o condomínio possui opção de “tomar a medida extrema de realizar uma assembleia e votar pela exclusão do condômino antissocial, ingressando posteriormente na justiça e demonstrando esses fatos para o magistrado a fim de conseguir esse intento”. [[legacy_image_255631]]