[[legacy_image_290457]] Joana Oliveira, de 45 anos, envolvida na confusão generalizada que deixou 10 feridos em Mongaguá, no litoral de São Paulo, nega ter uma dívida de R\$ 1,3 mil com sua ex-mãe de santo, Andrea Salvino. A briga que viralizou nos últimos dias foi no estacionamento do Mercadão Atacadista, na Vila Atlântica, no domingo (13). A confusão teria sido motivada por um problema pessoal entre Andrea, que é mãe de santo do Candomblé e exerce a religião em um barracão, e Joana, que era sua filha de santo. A mãe de santo havia dito à Reportagem que a relação foi estremecida em função de desavenças e a suposta dívida. Em entrevista para A Tribuna, Joana quebrou o silêncio. Ela acusa a rival de mentir sobre o caso e nega a existência de dívidas. Segundo o relato, a mãe de santo a agrediu em duas ocasiões e detém documentos originais de um terreno que pertencia a ela. Suposta dívida e permuta de terrenosNa versão que apresentou à Reportagem, Joana afirma que a relação entre ela e Andrea começou amigável. Ela diz ter aceitado o convite para o barracão a partir de março deste ano. “Eu entrei porque estava doente, fui fazer o santo por motivos de doença. Só que nesse período, antes de eu fazer o santo, ela cobrou. Tem santo que é feito para pessoas doentes, que não tem que pagar, e tem o que você tem que pagar”. Para custear, a mãe de santo teria pegado os documentos originais de uma permuta da venda de uma casa que Joana tinha, em São Paulo, por terrenos em Mongaguá. Diferente da versão apresentada por Andrea, a entrevistada afirma que essa garantia foi uma exigência. “Ela pegou para vender um desses terrenos, fez o santo e não me entregou os documentos originais”, diz. Passando por aperto financeiro, Joana confirma ter pegado R\$ 1 mil emprestado, mas diz que quitou o pagamento via Pix. “Eles foram pagos com Pix, que eu tenho o comprovante. Quando eu já estava lá dentro fazendo o santo, eu descobri muitas coisas de má conduta com filhos de santo dela. Agressão, xingamento, ofensa”. [[legacy_image_290458]] Joana afirma que, no dia de sua saída do barracão, a rival a agrediu com uma joia usada durante a feitura do santo. Foi nesse momento que ela teria decidido quebrar os vínculos com a mãe de santo e pedido licença para sair do barracão. Ela acusa Andrea de ameaçá-la caso ela procurasse a polícia. [[legacy_image_290459]] Um print obtido pela Reportagem mostra uma troca de mensagens entre a Joana e a mãe de santo. No chat, a mãe de santo cobra a suposta dívida de R\$ 1 mil que teria feito com um agiota para ajudar a mulher, com juros de R\$ 300. “Olha, tenho crédito com eles, nunca atrasei um dia. Se você atrasar pego o seu terreno e vendo pra pagar os R\$ 1.300. Você vai perder um terreno por este valor, mas você vai pagar. Porque não quero B.O”, diz mensagem enviada pela mãe de santo. Em resposta, a ex-filha de santo afirmava: “Sim mãe, pode pegar”. Discussão e agressões no supermercadoA mulher afirma que, desde então, a mãe de santo não aceitou sua saída do terreiro. No dia da briga no supermercado, diz ter chegado 40 minutos antes dela. Segundo conta, abaixou-se para pegar um pão quando a rival e a filha se aproximaram. “A filha dela chegou com o carrinho vazio por trás e me encurralou no pallet. E ela disse pra mim: ‘Sua caloteira. Eu vim aqui te matar como eu tinha te prometido’”. Nesse momento, Joana diz que começou a gritar pelo segurança. Ainda de acordo com ela, as duas passaram a agredi-la. “Eu empurrei o carrinho para sair delas. A filha dela me atacou por trás e meu pescoço trincou. Eu estou de tala. Aí o meu filho foi segurar a mãe de santo e a filha dela me deu um soco no nariz e no olho”. Após uma suposta mobilização dos seguranças e funcionários, a confusão lá fora começou. No vídeo, é possível ver os dois grupos desferindo socos e tapas um no outro. Um era composto pela família da mulher e, o outro, por familiares e filhos de santo da mãe de santo. Dez saíram feridos na confusãoA Prefeitura de Mongaguá informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atendeu cerca de 10 pessoas na ocasião. Alguns receberam ajuda no local e foram liberados, enquanto outros foram encaminhados ao Pronto-Socorro Central, medicados e liberados. A mulher conta que estava pensando em mudar da cidade devido à situação e às supostas ameaças da mãe de santo contra sua família. Diz ainda que não procurou a polícia por medo. Em contato com a Reportagem, a filha biológica da mãe de santo afirma que ela e a mãe procuraram a polícia para fazer o registro da ocorrência, mas que a outra parte não compareceu. Ela afirma que irá à delegacia ainda hoje para tomar as providências legais.