[[legacy_image_274088]] Uma mulher, de 52 anos, afirma ter sido vítima de racismo durante as compras na feira livre da Avenida Francisco Glicério - realizada todos os sábados - entre os canais 1 e 2, no Pompeia, em Santos. Em entrevista para A Tribuna, a dona de casa Norma Lucio da Rocha contou que no último sábado (10) fazia compras, como de costume, no local, quando um feirante ao anunciar a alface vendida em sua barraca disse: “Olha o alface durinho e crespo igual ao cabelo dela”. “Eu fiquei completamente nervosa, me senti humilhada, ridicularizada”, conta. Norma conta que chegou a ver pessoas rindo da situação e foi tirar satisfação com o feirante, que confirmou ter falado dela. “Quando ele falou, vi que algumas pessoas viram, eu voltei lá e falei ‘eu passei aqui e você me apontou comparando o meu cabelo com alface, né?’ Ele falou, ‘falei’, Ele admitiu, virou as costas e me deixou falando sozinha”, explica. Abalada, ela começou a chorar e foi acolhida por outros feirantes que a orientaram ir à delegacia. “Eles (feirantes) me acalmaram, porque eu só chorava. Eu não sei o que as pessoas pensam, não sei o que elas querem ridicularizando outras. É o tal do racismo recreativo, fazem achando que é engraçado e tem pessoas que riem disso. Isso me deixou bem mal”, desabafa. Um boletim de ocorrência como injuria foi registrado pela vítima no domingo (11). O autor do comentário ainda não foi identificado. Segundo o Artigo 140 do Código Penal Brasileiro, se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça ou cor, o condenado pode ficar preso de um a três anos, além de multa. “O racismo é crime e eu tenho que fazer a minha parte para tentar acabar. Eu imagino as pessoas que sofrem isso todos os dias, todas as horas, todos os segundos, todos os minutos e não fazem nada. Eu estou fazendo a minha parte", conclui.O feirante ainda não foi identificado. Em nota, a Prefeitura de Santos diz que é contra qualquer ato e manifestação de racismo e/ou de injúria racial. O caso mencionado corresponde a crime, cuja investigação cabe às autoridades policiais. A Secretaria de Finanças e Gestão abrirá um processo administrativo para apurar eventual ofensa ao cidadão – infração prevista no termo de permissão para atividade de feirante no Município –, assegurando a ampla defesa ao permissionário. Em caso de condenação criminal, o permissionário terá a licença cassada, de acordo com o termo de permissão.