Luiz Felipe Bispo Ferreira, o Pata de Urso, ministra aulas em academias de Praia Grande e Cubatão (Divulgação) O que começou como uma atividade física tem ganhado outro significado para mulheres da Baixada Santista: aprender a se defender. Em academias da região, cresce o número de alunas que procuram o muay thai não apenas para condicionamento físico, mas também para ter sensação de segurança, confiança e autonomia diante da violência cotidiana. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o que observa o professor Luiz Felipe Bispo Ferreira, o Pata de Urso, de 39 anos. Morador de Cubatão, ele acompanha de perto a transformação de mulheres que chegam inseguras às aulas e, aos poucos, passam a enxergar o esporte como uma ferramenta de fortalecimento físico e emocional. “Além de ser um treino com alto gasto calórico e que foge da rotina de exercícios monótonos, mulheres de todas as idades têm procurado o muay thai também com a intenção de aprender a se defender e não se sentir indefesas diante de uma situação real de risco”, conta. Ferreira afirma que cerca de 70% dos seus mais de 80 alunos são mulheres. Segundo ele, muitas chegam ao tatame carregando histórias difíceis, como relacionamentos abusivos e experiências de violência em família. Nesse contexto, o professor relata que o esporte se torna uma forma de acolhimento e apoio. “O muay thai acaba formando uma nova família, na qual as pessoas se ajudam, compartilham experiências e encontram apoio em pessoas que, muitas vezes, passaram pelos mesmos problemas.” Saber se defender Luiz Felipe Ferreira descreve que, além de técnicas de luta, o treinamento trabalha reflexo, condicionamento físico e capacidade de reagir sob pressão. “Em um caso de agressão, por exemplo, a pessoa aprende técnicas para se desvencilhar de um agarrão e criar oportunidade de fuga ou defesa”, detalha. Apesar disso, ele ressalta que a prioridade é evitar confrontos. “Sempre digo nas aulas que não devemos reagir a um assalto. Porém, diante de uma ameaça real à vida, estar condicionada, saber proteger pontos vitais e aplicar golpes contundentes para interromper uma agressão deixa de ser apenas importante e passa a ser necessário.” Ferreira começou no esporte em 2009. Entre pausas e retornos à modalidade, iniciou, em 2019, aulas para amigos e vizinhos no condomínio onde morava. Dois anos depois, passou a integrar uma equipe de competição e participou de lutas. Hoje, ele integra a equipe Team Laia, na Vila Margarida, em São Vicente, além de dar aulas coletivas em academias de Praia Grande e Cubatão. Também desenvolve atividades extracurriculares com crianças e adolescentes em uma escola particular de Cubatão. Ele conta que o apelido Pata de Urso surgiu de forma espontânea. “Meu apelido antigo era Polar, por causa do urso polar. Durante uma sessão de treinamento, um treinador falou: ‘Isso foi uma patada’. A partir daí, surgiu o apelido.”