[[legacy_image_318621]] De geração em geração, de pai para filho. Foi assim que Idney Nerys Menino, motorista que sobreviveu ao grave acidente na Avenida Perimetral, em Santos, foi ‘presenteado’ pela profissão do pai Ivanildo José Menino, de 73 anos. Vindos de Barreiros, no interior de Pernambuco, os dois começaram na mesma empresa assim que chegaram na Baixada Santista, em 1996. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Com a mãe Misselene e a irmã mais nova Simone, juntos eles viajaram mais de 2,6 mil quilômetros, até chegar à Santos, no Litoral de São Paulo, em busca de uma vida melhor. A família chegou na região em fevereiro de 1996. Em março, Ivanildo conta que começou a atuar como motorista na empresa de transporte intermunicipal da Cidade. No mês seguinte, Idney, na época com 21 anos, também foi contratado na mesma empresa como cobrador. Juntos, eles seguiram em cargos diferentes até 2001, quando o pai Ivanildo se aposentou e resolveu voltar para a terra natal. Com isso, o volante, que durante 34 anos foi o companheiro de trabalho dele, foi passado para o filho, que começou a trabalhar na mesma linha em que o pai atuava. “Eu tinha vontade de me tornar motorista, pois me espelhava no meu pai. Quando assumi a linha que ele fazia, fiquei muito feliz. Fiquei por 15 anos na mesma linha, depois mudei para outra onde fiquei cinco anos. No final de 2020, tive que me afastar por conta de um problema no joelho, fiz cirurgia e voltei para a empresa em março de 2022”, conta Idney. Depois de mais de 20 anos aposentado, hoje Ivanildo conta que sente orgulho do filho, por ele ter seguido os seus passos. "Fico muito feliz por ter sido um exemplo para ele. Espero que ele também se aposente nessa profissão, assim como eu fiz. Sinto muito orgulho dele", revela. Idney conta que sempre gostou da profissão e se sente bem com o que faz. Porém, após o acidente, ainda não sabe se voltará a dirigir. “O trauma psicológico foi muito grande, ainda está muito recente. Não posso dizer que não volto, pois preciso do trabalho, mas Deus está no comando de tudo”, comenta. MilagreNeste domingo (10), Idney foi recebido por amigos e familiares frente a Santa Casa de Santos, de onde teve alta, após ficar 15 dias internado, sendo nove somente na Unidade de Terapia Intensiva. O motorista sobreviveu ao grave acidente ocorrido na Avenida Perimetral, no dia 26 de novembro, em Santos, quando o ônibus intermunicipal em que ele trabalhava foi atingido por uma carreta que ultrapassou o sinal vermelho. Idney ficou sedado e desacordado por sete dias, após dar entrada no hospital. Durante esse período, ele também foi submetido a intubação, devido a gravidade do quadro de saúde. Depois que acordou, permaneceu mais dois dias na UTI e, posteriormente, foi encaminhado para a enfermaria, onde ficou mais seis dias. De acordo com a esposa Thaiane Nerys da Silva, de 35 anos, ele teve traumatismo craniano, fraturou três costelas e sofreu uma grave perfuração no pulmão direito. O motorista conversou com a reportagem de A Tribuna e disse estar grato pelo milagre que recebeu. “Deus colocou a mão sobre mim e sobre a minha vida. Eu só tenho a agradecer a Ele e pelo testemunho que eu vivo hoje. Agradeço do fundo do meu coração”, ressalta. O pai Ivanildo, quando soube o que havia acontecido. Com o filho nos braços, o aposentado se emociona em falar o que sentiu ao testemunhar a recuperação de Idney. “Quando eu cheguei aqui na quarta-feira e vi ele no quarto e entubado, eu só pedia ajuda para Deus, para que não levasse o meu filho e Ele atendeu as nossas orações. Hoje meu amorzinho, meu primogênito está aqui com a gente e eu sou muito grato”, afirma Ivanildo. Segundo a Polícia Civil, o motorista da carreta foi indiciado por lesão corporal na condução de veículo automotor. Se for condenado, o caminhoneiro pode cumprir pena de dois a quatro anos de prisão e também perder o direito de dirigir. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos.