[[legacy_image_277512]] A cultura de Santos perdeu um das suas figuras mais emblemáticas. Morreu na madrugada de ontem, aos 82 anos, o ator e diretor teatral Tanah Corrêa, em função de problemas pulmonares. Ele estava internado na Santa Casa de Santos desde o último dia 10. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O velório está marcado para hoje, a partir das 18h, no Teatro Rosinha Mastrângelo, no Centro de Cultura Patrícia Galvão (Av. Pinheiro Machado, 48), e ficará aberto ao público até as 16 horas de amanhã. De lá, partirá um cortejo por alguns pontos da Cidade, como a Prefeitura, os teatros Coliseu e Guarany, a quadra da X-9 e a Cadeia Velha. Em seguida, haverá uma cerimônia de cremação, na Memorial Necrópole Ecumênica, restrita a familiares e amigos. O prefeito Rogério Santos (PSDB) decretou luto oficial de três dias. Tanah deixa a esposa Orleyd Faya e os filhos André, Geórgia, Kenia, Natasha, Geovana, Janaína, Natália, Fernanda, Ludmilla, além do ator Alexandre Borges. Trajetória Athazanildo Corrêa Neto nasceu em Bauru (SP), mas adotou Santos como sua morada, numa relação de amor e identificação -tanto que recebeu o título de Cidadão Santista em 2005. Na Cidade, de 1984 a 1985, durante o governo de Oswaldo Justo, foi assessor municipal de Cultura, para logo a seguir se tornar o primeiro secretário, permanecendo na função até 1988. Mas foi ainda na década de 1960 que Tanah Corrêa começou uma trajetória impecável, com passagens também pela televisão e cinema. Mas o teatro foi especialmente “acarinhado” por ele, como diretor e incentivador. Provas disso são o Teatro Plínio Marcos, homenagem a quem foi muito amigo; e o Cine-Arte Lilian Lemertz, ambos na Capital. Ainda foi membro da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cinc), do Ministério da Cultura; e secretário geral da Confederação Nacional de Teatro Amador (Confenata). Também não fugia das discussões políticas. Foi membro do antigo Partido Comunista do Brasil, o PCB. Abraçou inúmeros debates sobre os rumos das políticas culturais. Em 2020, foi candidato a prefeito de Santos pela Cidadania. No ano passado, filiou-se ao PSB. Exemplo A filha Kenia traduziu sua saudade do pai em forma de poema, publicado em seu perfil no Facebook. “(...)Você me ensinou a olhar o mundo como uma artista, que olha infinitas possibilidades de ser. Me fez encenar e descobrir que dentro, sou muitas possibilidades e fez-se arte em mim.(...) O caminho da evolução é muito mais amplo do que os olhos enxergam. Te aprecio e te honro”. DEPOIMENTOS “Tanah Corrêa, um santista de coração, dedicou a vida à expressão maior daquilo que representa a arte. Ele deixa um vasto legado de realizações e uma história de devoção a seus princípios. Um santista de alma marcante, que tem seu nome registrado na rica história da arte da Cidade e do Brasil”Rogério Santos (PSDB) Prefeito de Santos “Tanah Corrêa foi figura fundamental nas últimas décadas da cultura santista. Atuou, dirigiu, militou... entregou-se de corpo e alma ao oficio de defender a arte no País” Rafael Leal Secretário de Cultura de Santos “Uma vida dedicada à cultura brasileira. Foi o primeiro secretário da Cultura de Santos, sendo incentivador de diversos coletivos artísticos, diretor de importantes encenações, homenageado pelo samba e pelo teatro. Aplausos. Tanah Corrêa, presente!” Ludmila Corrêa Filha, educadora e palhaça “Ele sempre foi muito presente na minha vida. Foi uma infância maravilhosa, Como diretor teatral, a gente sempre assistia às montagens dele. Estávamos sempre juntos. Isso foi muito importante na minha vida. Foi como um segundo pai” Vanessa Ratton Sobrinha e escritora “Falar do Tanah é falar dos coletivos de teatro, do teatro amador da nossa cidade, da nossa essência. Deixamos nosso eterno aplauso a esse homem da arte, da cultura, do samba e de tantos ensinamentos. Ele sempre nos incentivou dentro e fora do palco. E nosso agradecimento, por entender o teatro como essência de vida e nossa maneira de estar nomundo” Karla Lacerda Diretora da Tescom Escola de Teatro e do Festival de Cenas Teatrais (Fescete) “Em 1989, cheguei para a primeira aula da turma de Artes Cênicas e, na primeira fila, ele estava lá. Por ser semana dos calouros, imaginei que estaria aprontando alguma pegadinha com os novatos. Mas, não: ele era também um calouro, tão ansioso e atento a tudo e todos como os demais. Exemplo para a turma pela humildade com que tratava a todos” Antônio Marques Fidalgo Jornalista