[[legacy_image_289851]] Em meio a obras de pavimentação com investimento milionário em diversas ruas de Santos, moradores do bairro Embaré denunciam a precarização e, em alguns casos, a demora nos trabalhos. As reclamações envolvem ruas como Oswaldo Cochrane e Aureliano Coutinho, que iniciaram o processo de restauração do asfalto, mas geraram transtornos. Em entrevista para A Tribuna, o servidor público Daniel Calegari, de 47 anos, explica que as obras em um trecho da rua Oswaldo Cochrane começaram no meio de junho e foram paralisadas no começo de julho. Ele diz que os funcionários retiraram o pavimento novo para refazer o serviço, deixando a via sem pintura e finalização por um mês. Dona Roseneide da Silva, de 75 anos, sentiu a problemática na pele. Ela vive com a filha há 18 anos no Embaré e, há cerca de um mês, teve uma surpresa desagradável. Sozinha, quando andava na rua durante a chuva, caiu em um buraco que surgiu no asfalto no cruzamento da Aureliano Coutinho com a Benjamin Constant. Outra moradora que lamenta a situação no bairro é a dona de casa Emília Almeida Amador Alonso, 60, que tem uma filha cadeirante. As duas percorrem o cruzamento em questão a pé, todos os dias. Com o início das obras, o trajeto ficou complicado. Falta de acessibilidade e riscosDona Roseneide conta que, na ocasião da queda, voltava de uma banca de jornal. “A minha sorte é que tinha um rapazinho passando de bicicleta. Ele viu e ficou com dó, me ajudou a levantar. Fiquei muito fula da vida”, afirma à Reportagem. A idosa ficou com algumas dores pelo corpo, mas já melhorou bastante. Na Oswaldo Cochrane, o asfaltamento foi finalizado nesta quarta-feira (16). Daniel conta que ficou em dúvida sobre os procedimentos, já que os funcionários pareciam ter terminado o novo asfaltamento, mas rasparam a rua mais uma vez como se fossem refazer o serviço. [[legacy_image_289852]] “Foi uma coisa curiosa, porque eles fizeram, foi bem feito, até, rasparam toda a rua, causou um transtorno aqui. Não só nesse trecho da Oswaldo, mas em algumas ruas próximas também. E no meio da semana passada, rasparam de novo, como se fosse refazer esse negócio. Por quê?”, questiona. Quase toda a via, segundo o morador, tem espécies de “buraquinhos” incômodos. “Rasparam e passaram uma boa camada de asfalto novo, ficou bonitinho. Ficou um tempo. E eu pensei: ‘está demorando, deviam pintar a faixa”. Dona Emília conta que, no cruzamento da Benjamin Constant, os funcionários “abandonaram” as obras há cerca de um mês. “Já tem algum tempo que arrancaram e deixaram. Para atravessar é um sacrifício, porque a cadeira vai segurando”, reclama. “Todo dia eu atravesso ali, é toda hora. Para tudo que eu preciso, ir na padaria, na minha sogra”. [[legacy_image_289853]] O que diz a Prefeitura?A Prefeitura de Santos anunciou o primeiro programa destinado à pavimentação de vias públicas em março deste ano. O projeto prevê a renovação de 25,5 quilômetros de avenidas, ruas e praças em 17 frentes de trabalho, com investimento aproximado de R\$ 200 milhões. Também contempla melhorias nos sistemas de macrodrenagem, microdrenagem, obras em calçadas e passeios. Já em junho, foi iniciado um convênio entre a Prefeitura e o Detran SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), por meio do programa “Respeito à Vida”, para reforçar o municipal. Ele contempla nove vias de Santos: ruas Álvaro Alvim, Aureliano Coutinho, Azevedo Sodré, Epitácio Pessoa, Ministro João Mendes, Oscar Sampaio, Oswaldo Cochrane, Sampaio Moreira e São José. Em nota à Reportagem, informa que o recapeamento precisou ser refeito na Rua Oswaldo Cochrane devido a problemas na massa asfáltica usada anteriormente. Em relação à Rua Aureliano Coutinho, afirma que as vias contempladas pelo “Respeito à Vida” estão passando pelos serviços de fresagem, recapeamento e pavimentação asfáltica, desde junho, por empresa contratada pelo Detran. [[legacy_image_289854]] Refazimento está contempladoA Administração Municipal diz que não existe “abandono da obra” na rua e que, quando há tempo instável ou chuva, os trabalhos são interrompidos. A cratera em questão seria um rebaixamento do nível do asfalto ocasionado pela chuva. “Há uma boca de lobo no local: o volume de água da chuva (que foi escoado para a boca de lobo) danificou o ponto onde foi feita a fresagem. Nesta quarta-feira (16), foi feito reparo provisório no local. A pavimentação com asfalto será concluída até o final deste mês”. O eventual refazimento do serviço nesta e em outras ruas está contemplado pelo convênio com o Detran, que garante à Cidade um investimento de R\$ 4.805.625,08. Estão previstos a fresagem do pavimento, o recapeamento asfáltico, a imprimação betuminosa ligante e a restauração de pavimento asfáltico com concreto betuminoso quente. [[legacy_image_289855]] “Os trabalhos são realizados pelo Consórcio Deta Sistemas Viários - contratado pelo Detran -, e supervisionados por profissionais da Secretaria de Serviços Públicos (Seserp)”, esclarece o texto.