[[legacy_image_25930]] Os moradores do Morro do Tetéu, em Santos, passaram a terça-feira (3) como o pedreiro Antonio Francisco de Pontes, observando a força da natureza, os estragos causados pela chuva e lamentando pelas vítimas. A tragédia natural já está entre as três maiores da Baixada Santista. A Reportagem encontrou Pontes olhando as marcas do deslizamento do morro que atingiu mais de seis casas, deixou famílias soterras e mortos. “Sentimos muito por todos. Na comunidade, é como se todos fossemos parentes”, conta. “Temos muito medo, mas não podemos fazer nada. É a natureza”. O pedreiro conta que, apesar de gostar de morar no local, onde vive há 20 anos, hoje pensa em se mudar. A situação é encarada por ele como “de vida ou morte”. [[legacy_youtube_USPIel3zWKk]] Deslizamento A faxineira Audislene Batista do Nascimento mora há 17 anos no Tetéu e, apesar de acostumada com os problemas causados pelas chuvas, dessa vez a situação foi mais impactante. Emocionada, ela garantiu que não passará a noite em casa. “Não sei para onde vou. Pode ser para casa de parente ou de amigo. Aqui não dá para ficar”. Ela conta que, por volta das 23h, ouviu um estrondo muito forte. Tinha acontecido o primeiro deslizamento, mas ainda sem atingir casas, em uma ponta do morro. Às 2h30, a tragédia, outros escorregamentos dessa vez caíram sobre mais de seis moradias. “Foi uma barulheira. Parecia um campo de guerra, as pessoas gritando e correndo”. Insegurança O comerciante Carlos Eduardo da Silva fala em impotência diante dos escorregamentos de terra. “A gente nunca dorme seguro”. Ele comenta que o medo é constante, apesar de os moradores já estarem praticamente acostumados com os riscos. Durante a entrevista, ele estava bem próximo a um barranco. Moradora há pouco mais de um ano do Morro do Tetéu, a diarista Aparecida Carla dos Santos Ivanovas conta que as cenas vistas durante a noite e madrugada foram “assustadoras”. “No ano passado, já tinha chovido, mas dessa vez foi pior. É muita água”. A dona de casa Maria da Conceição dos Santos resumiu da seguinte forma a tensão vivida por ela, seus familiares e a comunidade: “nessa situação, não há o que fazer. É só rezar”. Ela espera dias mais tranquilos para os moradores da região.