[[legacy_image_94438]] A agonia dos moradores da rua Mato Grosso, no bairro Boqueirão, em Santos, já se arrasta desde novembro de 2019, quando ocorreu o primeiro furto, registrado através de Boletim de Ocorrência. Em um imóvel localizado perto da Avenida Conselheiro Nébias, onde funcionava um buffet infantil, fechado e abandonado sem uso, os suspeitos, segundo os vizinhos, entram por ele, subindo até as telhas, e de lá, após levarem o que podiam do local, passaram a acessar as casas próximas pelos telhados dos imóveis, promovendo furtos e gerando prejuízos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! "Há uns três anos o último inquilino saiu do imóvel e deixou toda estrutura metálica de um parque que havia no buffet. Isso ocasionou a invasão de moradores de rua e viciados. Somente após uma invasão em plena luz do dia de um drogado, acionamos a polícia, e um portão foi instalado. Mas eles descobriram que podiam acessar subindo pelo imóvel até chegar ao telhado e foi aí que tudo piorou", diz Alba Oliveira, empresária e vizinha do imóvel. Alba teve seu estabelecimento invadido sete vezes, e já fez vários boletins de ocorrência. "Já levaram meus portões, grades, TV, cabos de cobre, partes do ar-condicionado, e temos até imagens deles tomando cerveja enquanto o alarme tocava", relata, indignada. "Sem falar que no período de pandemia, tudo piorou porque não estávamos no local, por estarmos em home office, e eles ficaram ainda mais tranquilos para furtarem as coisas, chegaram a romper um cano de água que sai da caixa d'água, e inundaram todo o imóvel, vazaram 1.000 litros pra dentro do meu escritório. Perdi o teto, vários móveis e equipamentos. Meu prejuízo já beira R\$ 55 mil", completa. Veja o vídeo: O advogado Alex Cardoso Kundera tem escritório no local, e representa judicialmente 10 moradores. "No meu escritório, inclusive, já entraram quatro vezes, no da Alba foram sete, e vários outros moradores já tiveram as propriedades invadidas. Já protocolei pedido na Polícia Militar, na Civil com o delegado seccional, distribuí o material com as fotos dos criminosos, mas não conseguimos resolver a situação até agora", explica. Adriana tem uma escola de dança na mesma quadra: "Comigo foram duas vezes, na imobiliária ao lado foram quatro. Teve o salão de beleza e em outro aqui próximo foram também três ou quatro vezes, um absurdo!", afirma. [[legacy_image_94439]] A imobiliária que Adriana cita é a Prime Santos, de Juliana Valente: "Antes estávamos no número 176, da rua Mato Grosso, e fomos furtados três vezes. Nos mudamos para o 216 e já foram mais duas. Já estão com a polícia os vídeos de quase todas as entradas, perdemos celulares, carregadores, quatro TV´s, e sem contar quando houve a inundação e fez um estrago", desabafa a empresária. O advogado Kundera lembra que existe uma rua próxima ao local que facilita a fuga dos criminosos "Essa rua, a Joana Monte Bastos, quase não tem movimentação, e por lá eles podem entrar ou sair até com certa facilidade". Ele mesmo chegou, no início, a ter contato com um invasor em sua propriedade. "Chamei polícia e a GCM para me ajudar a tirar um morador de dentro de meu imóvel, e ele apareceu novamente dias depois. Tive que gastar R\$ 4.700 para colocar grades e portões para impedir a entrada", relata. [[legacy_image_94440]] Alba, que tem o maior número de furtos, se sente impotente vendo as invasões acontecerem e nada ser resolvido; "Fizemos todos os boletins de ocorrência, mas é muito difícil. Nas últimas ocorrências nem mesmo presenciando os danos e o histórico a polícia fez o registro no local, e nos instruiu a fazer tudo on-line. Temos a sensação de estarmos desprotegidos e de que ninguém nos ajuda", desabafa. Proprietários Maria Virgínia, do imóvel abandonado onde funcionava o antigo buffet infantil, disse já fez o que podia: "O imóvel está totalmente lacrado. Recebemos a fiscalização sanitária da Prefeitura de Santos, e está tudo regularizado. Não encontraram foco de Dengue e nenhuma irregularidade. Estou sempre cuidando do local, já colocamos portão de alumínio e lacramos todas as janelas". Sobre os suspeitos escalarem os portões e usarem a estrutura de ferro do antigo buffet para acessar o teto, Maria Virginia disse "Não tenho esta informação. Tento manter o mais correto possível". Foco de mosquito Em relação ao imóvel ter as telhas arrancadas, e ser um possível foco para criadouro do mosquito Aedes aegypti, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Santos informou que a região mencionada é monitorada pelo Setor de Controle de Vetores. "Uma equipe já esteve, inclusive, em imóvel vizinho (nº 186) e eliminou todos os focos do mosquito Aedes aegypti. A SMS esclarece, ainda, que imóveis especiais e pontos estratégicos são visitados mensalmente". [[legacy_image_94441]] Polícia Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que "o policiamento preventivo e ostensivo em Santos é reorientado e intensificado com base na análise dos índices de ocorrências criminais. O efetivo atua por meio dos programas Força Tática, Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (ROCAM), Ronda Escolar, Radiopatrulha e Policiamento Comunitário. De janeiro a junho deste ano, o trabalho conjunto das polícias Civil e Militar na região apontada possibilitou a prisão e apreensão de 87 criminosos, a recuperação de 22 veículos roubados ou furtados e a apreensão de quatro armas ilegais. O caso citado foi registrado pela Delegacia Eletrônica e encaminhado ao 7º DP de Santos. Diligências estão em andamento visando à identificação da autoria e ao esclarecimento dos fatos". GCM Questionada, a prefeitura de Santos informou que intensificou o patrulhamento diurno e noturno na região, "incluindo a Rua Mato Grosso no roteiro da ação conjunta em apoio à Polícia Militar". Também disse que o combate e investigação de crimes como esse são de responsabilidade das autoridades policiais, porém há o apoio da GCM sempre que solicitado. "Sobre o imóvel mencionado, a Secretaria de Meio Ambiente (Semam) informa que a fiscalização irá ao local abandonado para uma vistoria, e poderá intimar o proprietário do imóvel referido e aplicar as sanções cabíveis, se constadas irregularidades", diz a nota. "A gente se sente insegura, impotente, e só tendo prejuízo um atrás do outro, e não vemos ninguém resolver. Já apresentamos até os vídeos com os rostos, isso acontece quase que todas as noites... até quando vamos continuar vendo nossas coisas sendo levadas ou destruídas?", finaliza Alba.