[[legacy_image_233374]] Moradores do Conjunto Habitacional Santos O, no Jardim São Manoel, em Santos, estão passando por maus bocados neste final de ano. Eles reclamam da deterioração dos imóveis, que apresentam problemas como rachaduras, infiltrações e pisos quebrados. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na segunda-feira (26), parte do teto do banheiro de um dos apartamentos desabou, deixando os ocupantes apreensivos. Os prédios também chegam a balançar, de acordo com os moradores, em razão do tráfego intenso de caminhões, pois o conjunto fica às margens da Via Anchieta. “O chão do nosso apartamento está todo estourado, é como pisar em ovos. Hoje (ontem), o teto do banheiro caiu. E se tivesse alguém dentro do banheiro? Prédio com estrutura não balançaria, mas o nosso chega a tremer. Moro no quarto andar e fico com medo de desabamento”, reclama a merendeira Eloice Sousa Pimentel, de 41 anos, que mora há dois anos no imóvel, ao lado do marido e do filho de 14 anos. Segundo Eloice, apesar das reclamações feitas à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), do Governo Estadual, as demandas nunca são atendidas. “A gente paga em dia, tudo certinho, alguém tem que tomar providências”, cobra a merendeira, moradora do Bloco G. Ela garantiu que os problemas são recorrentes e acontecem em vários apartamentos dos oito blocos do conjunto. [[legacy_image_233375]] Descaso Síndica do conjunto, a designer de sobrancelhas Edna Marques da Silva, de 39 anos, mora há três anos no local. Segundo ela, os problemas são recorrentes desde que os primeiros moradores mudaram para o conjunto, em 2019. “Eu me mudei em agosto de 2019 e já tinha problemas, porque eles maquiaram tudo. Há desgaste nos telhados, e a maioria dos apartamentos dos terceiro e quarto andares têm rachaduras e pisos quebrados, acredito que por causa da trepidação e do serviço de má qualidade”, conta. Edna diz ter comprovantes de reclamações de moradores na Ouvidoria da CDHU, mas que a companhia nunca tomou providências para resolver os problemas. “Várias pessoas já acionaram advogado particular e estão em processo de perícia do imóvel, porque, com a CDHU, atestamos que não resolve nada: é porta na cara.” De acordo com a síndica, o conjunto tem oito blocos com prédios de quatro andares e cinco apartamentos por pavimento. Atualmente, 151 apartamentos estão ocupados, e 14, vazios. Em três blocos, também há apartamentos térreos para atender famílias que têm pessoas com deficiência. Edna também reclamou de distorções nas parcelas do financiamento. Enquanto ela paga quase R\$ 300,00 de prestação, a irmã, Edivânia Marques, que mora em outro apartamento com as mesmas características (três quartos), paga R\$ 1.520,00. “Há três anos, ela entrou pagando pouco mais de R\$ 600,00, e hoje é mais do que o dobro. O financiamento é de 30 anos, e as prestações, crescentes. Em quanto vai ficar isso?” [[legacy_image_233376]] Companhia realiza vistoria técnicaEm nota, “a CDHU informou que a moradora do apartamento citado entrou em contato direto com a Companhia e que uma vistoria técnica foi programada para esta terça-feira (27), para verificar a infiltração no banheiro da unidade e o motivo dos danos no teto. Com referência ao piso, a CDHU já havia contatado a construtora responsável pela obra”. Segundo a CDHU, “o Conjunto Habitacional Santos O foi entregue entre 2018 e 2019, e todas as reclamações dos moradores foram devidamente encaminhadas para a construtora, responsável legal, e procedeu ao acompanhamento, no sentido de buscar uma solução para estas demandas”. A CDHU declarou que, “diante da constatação de não atendimento de algumas solicitações, abriu processo administrativo e notificou a empresa extrajudicialmente”. A companhia “realiza levantamento de todos os reparos necessários” e, “após sua conclusão, será aberto o processo de contratação de outra empresa para executar os serviços”. Sobre a reclamação da movimentação dos prédios devido ao tráfego intenso na marginal da Via Anchieta, “a CDHU contratou consultor especializado e realizou ensaios através do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), e está monitoramento e diagnosticando a situação”. A companhia afirmou que “não há riscos estruturais nos prédios”. Diferença nas parcelas Quanto à diferença no valor das parcelas do financiamento, apontada pela síndica, a CDHU afirmou que “segue a política habitacional do Estado de São Paulo, que limita o valor das parcelas em 20% da renda familiar do mutuário, para não comprometer as finanças da família, uma vez que é um programa de caráter social”. A diferença na declaração de renda entre duas famílias pode ocasionar variação no valor das parcelas, segundo a Companhia.