Queda de avião que matou Eduardo Campos em Santos completa dez anos (Walter Mello/ Arquivo/ AT) Uma moradora da Rua Alexandre Herculano, que conversou com A Tribuna e preferiu não se identificar, sente até hoje as consequências da queda do avião que matou Eduardo Campos, há 10 anos, e mais seis pessoas, no bairro Boqueirão, em Santos. "Toda vez que vejo um avião passando em cima do meu prédio, sinto como se fosse um pânico, uma angústia, já remete àquela situação. Tanto que, no ano seguinte, em 2015, desenvolvi um problema de taquicardia, de pressão alta. Pode ter influenciado ou não, mas fora situações de estresse que a gente já tem, eu acredito que essa se somou", relembra. A moradora estava no serviço na hora do ocorrido, mas a mãe, que mora no mesmo prédio, tomava conta do filho dela, então com sete meses. A licença-maternidade tinha acabado há pouco tempo. "Quando vi na internet o que tinha acontecido, me deu um desespero imenso. Tentava ligar para minha mãe e ela não atendia. Falei com o chefe e pedi para sair, pegando uma carona até próximo de casa. De longe já sentia o cheiro de queimado, que asfixiava. Fui passando pelos vários bloqueios nas ruas", relembra. A chegada da moradora na residência foi um alívio, pois encontrou a mãe e o filho sãos e salvos. Ela - que viu pela janela o avião passar - explicou que não havia atendido o telefone porque o menino tinha se assustado com o barulho muito forte. Os dois desceram correndo. "Eu me senti impotente diante da situação. Então, até hoje eu tenho essa angústia e volta a ter aquela aceleração no coração que eu senti naquele momento. Sempre que passa um avião, mais baixo, perto do prédio, traz toda a situação de volta. Foi bem difícil o medo de eu perder meu filho e minha mãe, porque eram eles que estavam lá naquele momento", ressalta. Trauma superado O músico Oswaldo Potenza, na época com 32 anos e que também trabalhava com manutenção de computadores, estava dormindo e acordou com o barulho do avião que levava Eduardo Campos passando pelo prédio em que morava na Rua Alexandre Herculano, no início da quadra seguinte em que ocorreu a queda. O edifício balançou e as janelas da sala de seu apartamento estouraram. Em choque, a mãe observava o fogo subindo para o céu. "Levei-a para o quarto e olhamos pela outra janela uma multidão correndo e gritando. Quando voltamos para a sala, uma fumaça preta já tinha coberto toda a visão. Fiquei desesperado de morrermos intoxicados. Fomos para a rua e nos abrigamos no Mc Donalds da Avenida Conselheiro Nébias", descreve. Depois de algumas horas, a família recebeu a ligação de uma tia que mora no interior para saber se todos estavam bem. "Fiquei traumatizado com o ocorrido. Eu acabava acordando com qualquer barulho durante a noite. No ano seguinte (2015), acabamos nos mudando de lá e isso me ajudou a superar esse trauma", revela.