Ágatha Augusto, de 35 anos, venceu o câncer de mama e teve 'caravana' para comemorar retorno a Santos (Arquivo pessoal) A “caravana da vitória” tomou as ruas de Santos, no litoral de São Paulo, no último dia 29 de abril. No centro dela, estava uma guerreira que venceu o câncer de mama: a dona de creche para cães Ágatha Augusto, de 35 anos. A volta para a cidade, após a última sessão de quimioterapia no Hospital A.C. Camargo, foi o motivo para que amigos e familiares celebrassem o triunfo sobre a doença que, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), deve registrar 78,6 mil novos casos somente neste ano. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A recepção começou na entrada de Santos e reuniu cerca de 20 veículos, todos buzinando e enfeitados com balões. “Ela ficou em êxtase, começou a chorar muito, e todo mundo da cidade, como era horário de rush, entrou naquela vibração. As pessoas (estavam) nos ônibus, nos pontos. Foi inacreditável o que ela viveu ali”, conta a tia, a maquiadora Priscilla Fernandes Augusto Felicio, de 47 anos. Criadas juntas, ela considera Ágatha como uma irmã. Ágatha explica que o câncer de mama foi descoberto em outubro do ano passado. “Foi um choque. Sou muito nova e o tumor cresceu muito rápido. Por isso, o hospital fez tudo às pressas, porque ele já estava com quase 7 centímetros”, relata. Foram necessárias 12 sessões de quimioterapia branca e outras quatro de vermelha. A última veio acompanhada de uma notícia positiva: o tumor havia diminuído. O tradicional “sino da vitória” foi tocado. “Apesar de ter uma rede de apoio, todo esse processo é muito doloroso. A pessoa que está vivendo isso enfrenta uma incerteza muito grande, sem saber se vai dar certo, se haverá resposta ao tratamento. É muito louco”, descreve Priscilla. -Moradora de Santos câncer (1.513482) O dia da vitória Ágatha conta que, na última sessão de quimioterapia, a mãe e a esposa a acompanharam e se tornaram cúmplices da surpresa. O carro não saiu de Santos enfeitado ou adesivado; toda a decoração foi feita enquanto ela estava no hospital. “Bati o sino, comemorei com as enfermeiras e, quando saí do hospital, começaram as surpresas. Minha família inteira havia subido para São Paulo e fizemos uma carreata com buzinaço até um restaurante próximo. Depois, começamos a descer a serra e eu já estava mais relaxada. Quando chegamos à entrada de Santos, elas falaram: ‘Olha a fila de carros’. Na hora pensei: ‘Pegamos trânsito’ (risos). Mas não. Era um ‘trânsito do amor’. Muitos amigos com os carros todos enfeitados. Fiquei sem palavras, sem reação. Não sabia o que fazer”, relembra Ágatha. Depois disso, colocaram novas bexigas nos carros da família e a caravana seguiu até o Emissário Submarino. Na sequência, foi para a porta da empresa dela, no Marapé. No local, clientes, amigos e familiares puderam descer dos carros e abraçá-la. “Ao longo do tratamento, muitas vezes precisei ficar reclusa. Diminuí minhas interações sociais e me afastei presencialmente da empresa. Então, foi quase um reencontro com várias pessoas. Não sei se me sinto um exemplo, mas acredito que, se eu tivesse voz para deixar uma mensagem, pediria que as mulheres se olhassem com mais cuidado e fizessem exames regularmente. A prevenção, além de salvar vidas, pode evitar processos tão difíceis como esse”, conclui a campeã da vida. Ágatha durante a "carreata da vitória" na volta para Santos: emoção e surpresa (Reprodução/Arquivo Pessoal)