[[legacy_image_257449]] Vítima de um relacionamento abusivo e agressões constantes, Marisa (nome fictício) procurou ajuda para se proteger do ex-companheiro. Agora, participa do programa Guardiã Maria da Penha, da Prefeitura de Santos, e recebe assistência da Guarda Civil Municipal (GCM). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Sem endereço certo, Marisa, que tem dois filhos, vive em constante mudança para fugir da violência. Ela conta ter mantido uma relação conturbada por 12 anos, e as ameaças continuam. "A única luz do fim do túnel que acho que pode me ajudar é o programa. Não me sinto tão sozinha. De certa forma, me sinto protegida. (A iniciativa) Me oferece um suporte, pois sei que, a qualquer momento que eu precisar, a Guarda vai estar à disposição (...) até com os processos que correm na Justiça”, afirma. O Guardiã Maria da Penha foi lançado em 8 de agosto de 2019 para proteger e acompanhar mulheres vítimas de violência doméstica e com medidas protetivas de urgência determinadas pelo Ministério Público Estadual (MP-SP). O programa funciona em conjunto entre a Coordenadoria de Políticas para a Mulher, a Secretaria Municipal de Segurança e o MP-SP. Marisa é uma das 111 mulheres atendidas atualmente pelo programa e uma das 477 que, sob medidas protetivas, passaram por ele desde o lançamento. A coordenadora de Políticas para a Mulher, Diná Ferreira Oliveira, menciona que os participantes do programa são capacitados a trabalhar com as vítimas. “Temos duas equipes que estão em dupla, um homem e uma mulher, que vão conversar com essa mulher (atendida) e perguntar se as medidas protetivas estão sendo cumpridas. Esse relato vai para o Ministério Público e vai interferir no julgamento”, explica. Há dez membros da Guarda monitorando o cumprimento das decisões judiciais e garantindo a integridade física e moral das mulheres protegidas. “Entre uma visita e outra, se houver qualquer coisa, como uma ameaça, a vítima pode ligar para a GCM", salienta Diná. Mais proteçãoPara a vice-prefeita de Santos e secretária da mulher, Renata Bravo, a procura crescente pelo programa tem algo positivo: cada vez mais mulheres procuram medidas protetivas contra parceiros abusadores. “A violência ocorre e sempre ocorreu, mas acreditamos que a pandemia (de covid-19) piorou esse quadro. E mais mulheres têm acesso à informação”, considera, ao lembrar que o programa santista surgiu após a Lei Maria da Penha, federal. “Ao mesmo tempo que temos uma tristeza enorme desses casos que acontecem na sociedade, temos a felicidade de a Guarda poder ajudar mulheres. O papel do Poder Público é ajudar pessoas e transformá-las”, salienta. Vida sob ameaçaApós engravidar pela primeira vez e “durante esses anos (de relacionamento com o ex-companheiro), sofri agressões verbais e físicas. Sempre fui ameaçada de morte e nunca consegui me livrar. Já passei por duas medidas protetivas, estou em busca de renovação, mas o agressor não é encontrado para responder. Preciso ficar mudando de endereço, e a minha maior preocupação são meus filhos”. Assim relata Marisa, atendida pelo Guardiã Maria da Penha. O temor dela em relação aos filhos ocorre porque, segundo ela, o ex-companheiro também era agressivo com as crianças e, num acesso de raiva, ele tentou incendiar a casa da família. “(Ele) Já jogou objetos em meu corpo, desferiu golpes e socos. Também já me ameaçou de morte com faca e, até, arma de fogo. Ele é uma pessoa narcisista, ele me tem como um objeto de posse, e é como se fôssemos um fantoche, que ele pode manipular quando bem entender”, diz. Marisa destaca que nunca houve assistência às crianças por parte dele. Mesmo assim, prefere deixar de recorrer à Justiça com esse objetivo: prefere se ver longe dele. Ela disse ter percebido que precisava de ajuda após ter sido esfaqueada. "Sinto raiva, culpa por ter entrado nesse relacionamento, e impotência, por ser incapaz de conseguir dar um fim nessa história. Creio que com a ajuda do programa, vou conseguir. Ainda tenho medo, pois não estou conseguindo a renovação da medida protetiva", pois oficiais de justiça não encontram seu ex-companheiro.