Moradora de Santos passa a ajudar outras famílias após perder tudo durante incêndio

Magda Lígia Batista Nogueira perdeu o apartamento para o fogo em 2016 e passou a ajudar as pessoas necessitadas por meio do Projeto Caju

“Eu sei a dor do recomeço. Eu recomecei e aprendi muito com o fogo, principalmente a sentir a dor do próximo”, conta Magda Lígia Batista Nogueira, que perdeu tudo em um incêndio no ano de 2016. Desde então, a servidora pública busca ajudar famílias necessitadas com o seu Projeto Caju, que confecciona e distribui cestas com alimentos em Santos.“Na época (do incêndio) eu tive a ajuda da minha família e nunca esqueci das pessoas que me estenderam a mão. Por isso, quero ser essa mão na vida de quem precisa”.

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Magda começou a realizar a distribuição de cestas para pessoas que pediam ajuda nas redes sociais junto de um amigo próximo, conhecido como Caju, porém, em 2018, ele acabou tirando a própria vida por conta de uma depressão que enfrentava. No começo deste ano, diversas famílias vítimas dos deslizamentos de março procuraram a ajuda de Magda, que realizou uma blitz em mercados para arrecadar alimentos. 

“Eu explicava para as pessoas que era solidariedade e pedia ajuda. Eu consegui ajudar 200 famílias e tive que colocar um nome. Deixei de ser a tia Magda da comunidade e, hoje, eu e o Caju continuamos. Eu aqui e ele lá, com o Senhor”. conta a servidora pública.

Hoje, o Projeto conta com um grupo de 43 voluntários e 832 famílias cadastradas que recebem as cestas. “Hoje eu consegui o que eu queria, que é ter respeito em cada comunidade, então há pessoas que me representam porque eu não posso estar em cada comunidade 24 horas por dia, então essas pessoas entenderam que elas também tem força”, conta Magda, que classifica o movimento como “uma corrente do bem”.

Os alimentos proporcionados nas cestas são arrecadados por pedidos, pelo esforço dos voluntários e por caixas que Magda e sua equipe espalham em mercados e condomínios de Santos. “As pessoas doam o que podem, o que não vão usar, muitas vezes, compram e deixam na caixinha e eu passo recolhendo junto com meu esposo”, explica a servidora pública sobre o funcionamento do que ela chama de ‘Caixinhas do amor em movimento’.

'Caixinhas do amor em movimento' em um mercado (Foto: Arquivo Pessoal/Magda Lígia Batista Nogueira)

Os alimentos são selecionados de acordo com a necessidade da família. Magda lembra que perdeu uma criança que atendia por conta da alimentação. 

“Ela (a criança) desenvolveu diabetes durante a pandemia e foi enterrada como Covid-19. No auge da pandemia, eu subi o morro para saber o que houve e percebi que ela só tinha carboidrato, porque é o que vem em cesta básica, não tinha frutas ou legumes porque a família não tinha como comprar. Então eu determinei que de 15 em 15 dias eu ia me juntar com pessoas para realizar compras de alimentos saudáveis para as crianças, porque elas não tem isso.”

Mesmo ajudando tantas famílias com a entrega de cestas, Magda não se contenta apenas com isso e saber que muita coisa precisa mudar. “Eu quero educação e cultura, quero que os direitos das crianças estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente sejam respeitados. Tem criança que faz apenas uma refeição e isso não é justo”, afirma.

Para saber mais sobre o Projeto Caju e suas ações, basta acessar a página do Facebook.

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