[[legacy_image_326844]] Um possível erro de digitação em contas de luz emitidas pela Companhia Piratininga de Força e Luz (CPFL) fez com que a conta de uma moradora de Santos quase triplicasse. A jornalista Amanda Barbieri, moradora do José Menino, mostrou à reportagem de A Tribuna,na sexta-feira (12), três medições diferentes referentes ao mês dezembro de 2023, que constam nas contas de dezembro e janeiro. A divergência na medição do mês de dezembro de 2023 aparece em uma mesma conta, e não só de um mês para outro, já que num mesmo documento há números divergentes digitados (ver imagem). A moradora explica que notou valores discrepantes em três contas, todas referentes à medição do consumo de energia elétrica do mês de dezembro de 2023. Nos boletos, é possível ver que o número registrado pela medição - de 133 kw/h - é diferente do valor mostrado no histórico de consumo mensal - 333 kw/h. Dessa maneira, o valor da conta foi praticamente triplicado, chegando a R\$306,76, o que despertou o estranhamento da moradora, que diz ter ficado bastante tempo fora de casa ao longo do mês. Ao procurar a concessionária para reclamar do ocorrido, Amanda afirma que ouviu de um atendente que, caso uma análise fosse aberta por ele, seria considerada “improcedente”, pelo fato de a conta ter sido paga. A solução, disse o funcionário da empresa, seria tentar procurar uma loja física com as contas em mãos. Embora o funcionário tivesse notado na conta a divergência nas medições, ele afirmou que mesmo comparecendo presencialmente à agência, não havia garantia de que ela conseguisse o ajuste nas medições. Apesar do equívoco no valor, a jornalista disse que fez o pagamento do boleto para evitar um possível corte de energia. “O erro é visível comparando os registros da conta de dezembro e também se compararmos as duas contas (dezembro e janeiro), e mesmo assim o ônus fica para o cliente, que precisa buscar uma loja física para mostrar o óbvio, que houve um erro de digitação. A mensagem que fica é que a CPFL pode digitar qualquer número ali e a gente fica refém, sem ter garantias de que o erro será ajustado”, protesta. Erro persistiuProcurada pela Reportagem, a CPFL Piratininga informou, em nota, que enviaria uma equipe para uma nova inspeção no medidor de energia instalado no local e que, após a análise, entraria em contato com a cliente para prestar todas as informações sobre o caso. [[legacy_image_326845]] A visita, conforme a moradora, aconteceu no dia 4 de janeiro. “Eles mandaram uma equipe imensa fazer testes no relógio e chegaram à conclusão do óbvio, que era um erro de digitação”, diz. Apesar disso, o mesmo erro voltou a aparecer na conta com vencimento em janeiro. No histórico de consumo disponibilizado no boleto, o mês de dezembro registra um novo número de consumo, agora de 233 kw/h (na conta anterior o consumo o mesmo mês era de 333 no trecho que mostra o histórico de consumo), enquanto na área onde mostra a leitura, feita no dia 6 de dezembro, aponta 133 kw/h consumidos. Essa conta veio no valor de R\$ 194. Após a vistoria, Amanda recebeu uma nova conta com vencimento em janeiro retificada, com valor zerado - maneira de ressarcir a cobrança indevida. Mesmo neste boleto “aparentemente corrigido”, consta a mesma incoerência no histórico de consumo de energia em comparação com trecho onde apontada a medição registrada: no histórico aponta o número 233 kw/h e na leitura novamente 133 kw/h. “Eles mandaram a conta zerada como forma de me ressarcir. Mas os números continuam errados. A grande questão é que não há garantia de que as próximas contas estarão corretas, porque estão digitando números divergentes ainda”, reclama. “O que me preocupa é que se eu não tivesse acionado a companhia por meio da imprensa eu teria provavelmente que pagar por algo que não consumi. Com quantas outras pessoas isso pode estar acontecendo? Mesmo com tantos apontamentos sobre o erro, o número continua errado. Existe de fato alguma checagem sobre o que de fato está no relógio e o que é digitado?”, questiona. A mulher diz, ainda, que seguiu em contato com a concessionária fornecedora de energia elétrica, mas não teve retorno. Uma reunião marcada por chamada de vídeo, inclusive, chegou a ser cancelada pouco tempo antes do tempo previsto para acontecer. “Ligam, dizem que vão dar a resposta e somem”, critica. Procurada novamente pela reportagem de A Tribuna, a CPFL Piratininga disse que "não há nenhuma irregularidade relacionada à medição do consumo de energia do imóvel em questão". Ainda segundo a companhia, equipes da concessionária inspecionaram o medidor de energia da cliente e a fatura do mês de dezembro teve os valores revisados por "liberalidade da empresa" considerando o histórico de consumo, após a troca do medidor, que foi realizada recentemente no local. A companhia reforça que equipes da concessionária já inspecionaram o medidor de energia do cliente e a fatura de dezembro teve os valores revisados por liberalidade da empresa considerando o histórico de consumo, após a troca do medidor realizada recentemente no local. A CPFL Piratininga concluiu afirmando que o diagnóstico apresentado ao cliente apontou para um aumento real de consumo durante as festas de final de ano.