[[legacy_image_37341]] Morador de Santos, o aposentado Gilberto Martins Costa Filho, de 76 anos, tem um hábito antigo e pouco usual para as novas gerações - a paixão por escrever cartas com caneta tinteiro. Costume motivado pela sensibilidade e caráter emotivo presentes nas palavras escritas que ainda o motiva a manter uma caixa postal, na sede dos Correios do Centro Histórico de Santos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em entrevista para Atribuna.com.br, o santista explicou quais são as motivações dessa mania que preserva há mais de 60 anos. Confira os detalhes na videorreportagemabaixo. [[legacy_youtube_5OAsW-ERHbE]] Segundo Giba, como é apelidado carinhosamente, as primeiras recordações que tem da escrita à mão são da época da adolescência, quando tinha aproximadamente 15 anos, um costume que considera mágico, tendo em vista o tempo reservado para transmitir sentimentos. “O hábito de escrever facilita a busca pelo que você deseja transmitir pelo papel”, explicou. [[legacy_image_37342]] Quando indagado sobre a facilidade das redes sociais, se comparadas às cartas, o escritor postal explica que asnovas formas de comunicação são superficiais, imediatistas e superficiais. Sem contar o caráter de surpresa que há quando uma correspondência chega na caixa do correio, ao abrir uma carta esperada por muito tempo ou até mesmo inesperada. “Eu insisto, não desisto, porque a comunicação moderna acaba ficando impessoal, fria”, falou. [[legacy_image_37343]] Contudo, com a mudança de hábitos, a caixa postal - que era a forma mais segura de garantir a chegada de uma mensagem - virou um objeto obsoleto e hoje em dia dificilmente Giba recebe algo afetuoso nos Correios. "Só chega conta para pagar e publicidade", reclamou. Porém, mesmo que os hábitos culturais mudem, Giba não desanima e ainda considera as cartas como melhores formas para demonstrar carinho e cuidado por grandes amigas e amores. Por fim, explica que ao escrever, consegue pensar sobre sentimentos e atitudes, em uma espécie de autoanálise poética. “Um amigo meu diz que eu escrevo poesia em prosa”. E é exatamente por isso que Gilberto ainda preserva uma caixa postal, na sede dos Correios do Centro Histórico, como uma forma de preservar as lembranças do passado, algo pouco imaginável para as gerações das mensagens instantâneas do WhatsApp, Facebook e Instagram.“Eu trabalhava na região, então todos os dias eu abria a caixinha, pegava as cartas e levava para casa - era uma forma de economizar tempo até o carteiro chegar com as correspondências na minha casa. Na época, era normal receber cerca de 80, 100 cartas”, concluiu.