Uma das contas de gás do morador de prédio de alto padrão de Santos chegou no valor de R\$ 734,25 (Arquivo pessoal) Um assistente social de 36 anos, morador de um prédio de alto padrão no bairro Embaré, em Santos, no litoral de São Paulo, ficou cinco dias sem fornecimento de gás após contestar três contas da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás). Segundo o relato, duas faturas foram protestadas e o fornecimento foi interrompido antes que ele recebesse uma resposta sobre os protocolos abertos para questionar as cobranças - uma das contas foi de R\$ 734,25, valor seis vezes maior do que o assistente social costuma gastar. (Veja o posicionamento da Comgás mais abaixo) -Video YouTube (1.532158) Quer saber todas as curiosidades da nossa região? Siga o nosso canal do YouTube! O morador, que preferiu não ser identificado, mora no apartamento desde fevereiro com a esposa e a filha de 1 ano e 10 meses. Ele conta que as primeiras contas apresentaram valores considerados normais, geralmente entre R\$ 70 e R\$ 90. Durante o inverno, segundo ele, os valores passaram a ficar na faixa de R\$ 100 a R\$ 130, devido principalmente ao uso do chuveiro a gás. A situação mudou com a conta referente a junho, que chegou a R\$ 734,25. O assistente social afirma que não havia vazamento e passou a suspeitar de um erro na leitura do medidor. “Quando eu abri a conta pelo site, vi que o consumo estava normal durante os 29 dias corridos. E no dia da leitura, o consumo subiu de uma forma brusca, como se tivesse sido gasto em um dia só tudo aquilo, aquela diferença”, relata. Após procurar o zelador do edifício, o morador teve acesso ao medidor e percebeu que o visor estava embaçado. De acordo com ele, dependendo do ângulo, não era possível visualizar todos os números. A situação foi comunicada à Comgás, que teria solicitado uma fotografia do equipamento e, posteriormente, informado que seria necessária uma averiguação. Enquanto aguardava a análise, o assistente social recebeu uma segunda conta, também com uma leitura que, segundo ele, não correspondia ao número indicado no relógio. A fatura ficou na casa dos R\$ 200. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Medidor foi trocado e problema persistiu Posteriormente, a empresa realizou a troca do equipamento. O morador afirma que acompanhou o procedimento e verificou que o medidor antigo marcava 950. Segundo ele, as duas contas anteriores haviam registrado leituras de 980 e 1.001. “Quando eu peguei o relógio em mãos, junto com o rapaz que fez a troca, foi nítido ali. Eu tenho foto que marcava 950. Essas contas anteriores que vieram acima traziam a medição de 980 e 1001”, afirma. Após a instalação do novo medidor, uma terceira conta apresentou uma nova divergência apontada pelo morador. Segundo ele, o consumo registrado foi de 9, mas a chamada medição corrigida apareceu como 15,1. O valor da fatura ficou em aproximadamente R\$ 150. O assistente social afirma que procurou atendimento presencial da Comgás para questionar também essa cobrança, mas foi informado de que não seria possível abrir uma nova análise enquanto o protocolo referente às duas primeiras contas permanecesse em aberto. O morador alega que recebeu a informação de que as três faturas ficariam congeladas até a resolução do caso. A comparação com a conta seguinte aumentou a dúvida. Segundo o assistente social, com o novo relógio, o consumo chegou a 13 e a medição corrigida ficou próxima do mesmo número, resultando em uma conta de cerca de R\$ 130. Ou seja, de acordo com o morador, ele consumiu mais gás nessa ocasião, mas pagou menos do que na fatura anterior, quando o consumo registrado havia sido de 9 e a medição corrigida de 15,1. “Eu consumi menos e a conta estava mais cara. Então, eu sabia que tinha alguma coisa. Eu queria entender essa correção”, diz. Sem acesso aos resultados Sem ter acesso, segundo ele, ao resultado das análises, o morador começou a receber cobranças sobre as faturas em aberto e avisos sobre a possibilidade de protesto e interrupção do fornecimento. Ele afirma que não pagou os valores, porque continuava contestando as cobranças. Duas das três contas acabaram sendo protestadas. O morador relata que uma delas correspondia à primeira cobrança, de R\$ 734,25, e a outra à fatura que apresentava a diferença na medição corrigida. A terceira conta contestada também permanece em aberto, segundo ele. Interrupção Além do protesto, o fornecimento de gás foi interrompido no dia seguinte ao vencimento do prazo relacionado à cobrança. Segundo o morador, o prazo venceu na quinta-feira passada, dia 1º de outubro, e o corte ocorreu no dia seguinte. “Eu soube assim, na hora, que eu estava sem gás. De um dia para o outro, depois que venceu o protesto, eles interromperam o fornecimento. Pegou a gente de surpresa”, afirma. A interrupção afetou principalmente a rotina da família, já que o imóvel utiliza gás tanto para o fogão quanto para o chuveiro. Como a filha do casal é bebê, o morador decidiu levar a esposa e a criança para São Paulo, onde está a família da dela, já que não possuem uma rede de apoio forte em Santos. “Minha preocupação foram os cuidados com a minha filha. A gente prepara as comidas da minha filha e tal, ela é pequena, é bebê. A gente dá banho nela, e o nosso chuveiro é a gás. Então, a nossa maior preocupação foi a questão dos cuidados com a pequena”, conta. O morador também afirma que o nome dele foi protestado e que percebeu uma queda de mais de 400 pontos em seu score do Serasa. Segundo ele, o caso passou a ser acompanhado por um advogado, que também notificou a Comgás sobre a situação. Após as notificações, o fornecimento de gás foi restabelecido nesta segunda-feira (5). O morador afirma que a empresa também informou que encaminharia a situação ao setor responsável para verificar as faturas e os protestos. “Religaram, OK. Estou grato por isso, porque não dá para a gente ficar sem o gás. Só que foi a dor de cabeça de eles não terem dado um retorno sobre as contas, sobre os protocolos que eu abri”, afirma. Segundo o morador, as contas posteriores voltaram a apresentar valores compatíveis com o consumo habitual e ele pretende continuar pagando normalmente as faturas que considera corretas. As três cobranças anteriores permanecem sendo contestadas enquanto ele aguarda uma posição sobre as análises e os protestos. Posicionamento Por meio da sua assessoria de imprensa, a Comgás informou que analisa o caso e está em contato com o cliente "para uma breve resolutividade em linha com os compromissos inegociáveis da companhia de respeito, transparência e responsabilidade na relação com os clientes". Segundo a nota, a empresa trabalha de forma contínua para assegurar a qualidade dos serviços prestados. A companhia esclarece que, "em uma operação complexa, responsável pelo atendimento de mais de 2,8 milhões de clientes em 96 municípios, podem surgir situações que demandam atenção especial". De acordo com a resposta, eventuais intercorrências são exceções no universo total de faturas emitidas mensalmente, e situações pontuais como a do cliente de Santos são encaminhadas para uma solução.