[[legacy_image_78490]] Os quase 50 sacos de areia colocados há quatro anos no trecho final da orla da Ponta da Praia estão ajudando a ‘engordar’ a faixa de areia que fica submersa naquele trecho e, por consequência, reduzir a energia das ondas que atingem o calçadão nos dias de ressaca. O saldo positivo é 8,9 cm no nível de sedimentos na área abrigada. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Esses são os resultados preliminares do Monitoramento do Projeto Piloto Ponta da Praia e Mitigação dos Efeitos Erosivos da Praia - Santos, desenvolvido por pesquisadores da Unicamp por meio de convênio com a Prefeitura de Santos. Uma apresentação detalhada dos estudos e do atual estágio foi feita esta semana aos membros do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema), e agora segue para análise em outras instâncias da Prefeitura. Os geobags foram instalados no início de 2018. São 49 sacos com cerca de 300 toneladas de areia cada, instalados em forma de “L”, com 275 metros de extensão de um lado e 245 metros de outro (veja ilustração). A estrutura parte da altura da Rua Afonso Celso de Paula Lima. O convênio entre a Prefeitura e a Unicamp foi feito como uma resposta aos sucessivos episódios de destruição da mureta, calçadão e parte da avenida da praia. Em agosto de 2015, a força das ondas levou a água do mar para o outro lado da pista, invadindo a garagem de alguns prédios e destruindo os veículos. Também foram parcialmente destruídos o Deck do Pescador, muretas e trechos da calçada.Entenda o projeto Causa e consequência Tiago Zenker Gireli e Patrícia Dalsoglio Garcia, do Departamento de Recursos Hídricos, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, conduzem os estudos desde o início. O monitoramento mensal foi suspenso em fevereiro do ano passado em função da pandemia. Naquele momento, o avanço era de 8,9 cm no nível de sedimentos, apesar de todas as ressacas que atingem a praia. Tiago explica que há, ainda, uma confusão quando se atribui aos geobags a função de evitar que as ondas fortes das ressacas cheguem às muretas e ao calçadão. “Na verdade, o projeto é para reconstituir o perfil praial daquele trecho, que vinha sofrendo erosão e redução da faixa de areia desde 2010”. A faixa de areia reconstituída é o bloqueio natural à força das ondas, explica o pesquisador. Ainda assim, os geobags ajudam a reduzir a energia das ondas em dias de ressaca. Perdas Aquele trecho da orla santista vinha perdendo areia ano após ano. Foram 27 metros de faixa de areia que ‘desapareceram’ entre 2010 e 2017. Esse fenômeno decorre, segundo Tiago, da mudança de direção das ondas que incidem na região da Ponta da Praia e, também, de processos de dragagem de aprofundamento feitos em 2009 e 2010. “A natureza demora a dar respostas a eventos adversos. O que acontece agora é fruto de intervenções feitas no passado”, disse Tiago durante sua apresentação ao Condema. Recomposição As ilustrações inseridas no estudo mostram o comparativo, mês a mês, de acúmulo de areia na área abrigada. Também houve ligeira recomposição do lado de fora, junto aos bags. Patrícia Dalsoglio Garcia explica que o acúmulo também é fruto do transporte de areia que continuou sendo feito pela Prefeitura. A cada ressaca, muita areia se deposita nos demais trechos da praia, em especial nos canais 3 e 4, obrigando a Prefeitura a levar o excesso para o final da orla. “Mas esse é um processo que sempre aconteceu e não evitava a erosão por completo”. Mais estudos Eduardo Kimoto Hosokawa, chefe da Seção de Mudanças Climáticas da Secretaria de Meio Ambiente de Santos, diz que já é perceptível a mudança do perfil praial naquela área. “Acompanhamos por câmeras o movimento das ondas em dias de ressaca. Elas chegam mais enfraquecidas depois da instalação da armadilha”. O engenheiro faz uma ressalva: ainda é cedo para resultados conclusivos. “Tudo vai servir de embasamento para decisões futuras. O importante é que o estudo está sendo feito com critérios científicos e a custo zero para a Prefeitura”, diz, referindo-se aos recursos da obra, que vieram de fundo gerido pelo Ministério Público a partir de multas ambientais. Os resultados preliminares serão agora apresentados em outros comitês da Prefeitura. Hosokawa também aguarda as manifestações dos membros do próprio Condema.