[[legacy_image_253008]] A época mais chuvosa do ano vai de janeiro a março. Diante disso, o monitoramento meteorológico, feito pela Defesa Civil de Santos, órgão da prefeitura, ganha importância, sempre com a ideia de antever acontecimentos e evitar problemas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Em fevereiro, entre o sábado e o domingo de Carnaval, choveu muito. Em Santos, foram 185 milímetros (mm), mas em Bertioga e São Sebastião choveu mais de 600 mm. Esse evento era muito forte, e a gente tinha conseguido anteceder em uma semana. Nos dias seguintes, com as atualizações da previsão, passamos a enfatizar isso. A janela ideal para isso é de cerca de três a cinco dias”, exemplifica o meteorologista da Defesa Civil local, Franco Cassol. Ele é responsável por boletins diários de previsão do tempo e que se referem aos três dias seguintes ao que são emitidos. Em finais de semana e feriados, as informações podem alcançar mais datas, caso haja algo chamativo. Alertas por SMS também são emitidos. “A gente também recebe os alertas e boletins de previsão do Estado e também de outros entes, casos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Defesa Civil do Governo Federal, do Instituto Nacional de Meteorologia e da Marinha do Brasil. A gente recebe o máximo de informações, combinando tudo e refinando isso para Santos”, explica. O Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC) é operado em prazo superior ao do período chuvoso: de dezembro até abril, em razão do histórico da região com problemas em outras épocas do ano. “Mas as principais ocorrências de desastres na região são especialmente de janeiro a março, do ponto de vista das ocorrências em morros”, afirma. No início de março de 2020, Santos, São Vicente e, especialmente, Guarujá viveram tragédias nesse sentido. InformaçõesA Defesa Civil de Santos monitora as condições meteorológicas com imagens de satélite e varreduras de radar. “Também temos contrato com a Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica para fornecimento de imagens de outro radar, que fica na cidade de Salesópolis (SP)”, detalha. O órgão também utiliza as informações de chuva do Cemadem, que possui uma rede de pluviômetros, instrumento utilizado para coleta e medição. Um deles está na sede da Defesa Civil, na Vila Mathias. Em Santos, existem nove, tanto em áreas dos morros (Nova Cintra, Marapé e José Menino) quanto na insular (Rebouças e Canal 5). “Além disso, tem outro pluviômetro, que a gente usa como controle oficial para os nossos registros, operado pela Sabesp. São mais de 80 anos de dados de chuva, que utilizamos como referência para fazer nossas médias”, explica o profissional. Os dados são coletados a cada três horas. AtençãoO nível de atenção do PPDC começa a valer quando a chuva supera 80 mm em 72 horas. “Com isso, a gente passa a fazer vistorias nas áreas de risco de forma preventiva, mesmo que não haja chamados de ocorrências, mas já é um limite que a gente usa”, afirma Cassol. “Temos nossos agentes de Defesa Civil, que são capacitados para isso, e dois geólogos na equipe, que avaliam os riscos geológicos, no caso, para deslizamentos de massa (terra)”, emenda. Órgãos agem de forma integrada As 1.733 câmeras instaladas por toda a Cidade, cujas imagens são vistas no Centro de Controle Operacional (CCO), no Paço Municipal, representam a integração entre setores do Poder Público quando acontecem problemas causados por tempestades, vento ou, então, a combinação dos dois. [[legacy_image_253009]] Os pontos tradicionais de alagamento, como a Avenida Nossa Senhora de Fátima, perto da entrada de Santos, também estão sob a mira do olhar eletrônico. “Muitas vezes, acontecem quedas de árvores em vários pontos da Cidade por causa de uma ventania, por exemplo. A Defesa Civil não tem equipe para estar na rua e atender a tudo ao mesmo tempo, mas há a Guarda Municipal, a Polícia Militar e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)”, exemplifica o meteorologista Franco Cassol. A CET, que muitas vezes é a primeira a ser acionada em situações assim, segundo Cassol, entra em contato com a Defesa Civil no caso de queda de árvores e riscos estruturais. “É um ganho, porque não precisa passar por qualquer procedimento formal para solicitar ajuda. E ainda tem a Urgência Urbana, que também atende esse tipo de ocorrência, como queda de árvore e entupimento de bueiro”, afirma o meteorologista. (TS) Informação tem de ser simplificadaEm praticamente todos os 17 morros de Santos há setores com risco muito alto. A informação é do geólogo da Defesa Civil da Cidade, Victor Valle. Há 11 mil moradias em áreas mapeadas como de risco, diz. O geólogo observa que áreas ocupadas mais recentemente têm sido mais suscetíveis a ocorrências graves, como os morros Santa Maria e Caneleira. [[legacy_image_253010]] “Os moradores mais antigos conseguem ter a memória dos desastres do passado e, por isso, têm cuidado maior para ocupar a encosta. Há uma infraestrutura melhor nesses locais, com sistema de drenagem pluvial e de esgoto. Nas ocupações irregulares mais recentes, é mais complicado”, compara Valle. Mesma línguaO geólogo ressalta a necessidade de passar informações sem termos técnicos para melhor compreensão pelas pessoas. “Quanto maior o treinamento da população, menos ela vai estar vulnerável ao risco de deslizamento”, afirma. A tática vale tanto para se avaliar o perigo quanto a respeito do que tem de ser feito para evitar problemas. “Para deixar a encosta mais segura, tem de se evitar fazer cortes no terreno, jogar água da chuva diretamente no terreno, além de (coletar) esgoto e lixo. Um terreno inclinado e uma casa de madeira são muito mais suscetíveis (a incidentes)”.