O bispo diocesano dom Tarcísio Scaramussa com a relíquia: o pedaço do músculo, que veio da Itália (Alexsander Ferraz/AT) São Benedito é a prova de que a fé é capaz de resistir a qualquer coisa. Até mesmo ao fogo. A paróquia onde os restos mortais do santo estão, na Itália, foi atingida por um incêndio e nem mesmo as chamas conseguiram extingui-la completamente: restou um pedaço de cerca de sete centímetros do que se acredita ser um músculo, uma relíquia que passou por Santos na última quinta-feira (22). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A relíquia ficou apenas um dia em território santista e já seguiu rumo ao seu lugar de origem, na Itália. Para expô-la aos fiéis, a Paróquia São Jorge e São Benedito realizou uma missa para dar início à celebração dos 500 anos do nascimento do santo, na tarde desta quinta. Mas, quem não pôde comparecer não precisa perder as esperanças: entre 26 de setembro e 5 de outubro, a igreja vai realizar uma festa com shows, quermesses, bingos e missas para os fiéis daquele que é considerado em todo o mundo o ‘pai dos negros’. Segundo Flávio Ferreira Pestana, pároco da Paróquia São Jorge e São Benedito, a devoção popular ao religioso ocorre, principalmente, por conta da origem humilde do santo. Negro e analfabeto, ele trabalhava como cozinheiro em um convento franciscano. Um dos milagres atribuído a ele é a transformação de pães em flores. “De tanto que ele ajudava, uma vez o superior perguntou a ele o que tinha escondido embaixo do avental. Eram pães para os pobres, mas ele disse que era flores, então o superior pediu para ver. E quando ele viu, os pães se tornaram flores”, explica o padre. Entre 26 de setembro e 5 de outubro, a igreja vai realizar quermesses e shows para celebrar aquele que é conhecido como ‘pai dos negros’ (Alexsander Ferraz/AT) Fusão de fé Considerado patrono dos faxineiros e dos cozinheiros, São Benedito é muito invocado pelo povo africano. Ele foi um dos primeiros santos negros em período de escravatura e simboliza a união da cultura africana com a fé católica. Isso porque os fiéis das irmandades beneditinas costumam celebrar as missas com roupas típicas e batuque. O religioso nasceu na aldeia de São Fratelo, em Messina, na Sicília. Seus pais eram cristãos e escravos africanos levados da Etiópia para a Itália. Desde jovem, Benedito sofreu insultos raciais, mas, ao contrário do que se poderia esperar, não reagia de modo intempestivo. Ele começou como cozinheiro, mas chegou a ser superior do convento. Sua simplicidade, no entanto, nunca o abandonou. Morreu, na cozinha onde começou a vida religiosa, em 4 de abril de 1589, aos 63 anos. “Ele é muito importante para nossa cultura, porque as igrejas de São Benedito eram chamadas igrejas dos escravos”, comenta o padre. “Ele tem grande semelhança com esse povo daqui, do nosso País, que também é descendente do povo africano, assim como ele”.